“No meu trabalho, sempre existiu uma pesquisa da relação entre sagrado e profano, religião, morte e tempo.”
“A inspiração para minhas caveiras vem de uma corrente filosófica que fala sobre contemplação da morte para celebrar a vida. É para lembrar a fragilidade humana, a brevidade da vida.”
Nascido em São Paulo, Stephan Doitschinoff, cujo sobrenome vem do avô búlgaro, começou no mundo da arte punk: colando cartazes, desenhando capas de discos, trabalhando com recortes e stencil. Pelas ruas ganhou o apelido de Calma, sua assinatura. Sempre viveu em grandes grandes centros urbanos e realizou exposições individuais em São Paulo, Londres e Nova York.
Na necessidade do novo, mudou para Lençóis, uma pequena cidade do alto do morro no interior da Bahia,e iniciou um projeto audacioso; de 2005 até 2008, dentre murais, casas, cemitérios e até mesmo uma capela, Stephan pintou a cidade inteira.
Se alguém me perguntar quais foram os R$ 5,00 mais bem gastos do ano de 2010, eu respondo: a meia-entrada para a apresentação da banda Hurtmold que aconteceu no auditório do Museu da Imagem e do Som, neste sábado, 06 de março de 2010.
Ao lado do Coletivo Instituto, Ratos de Porão e Nação Zumbi, na minha opinião, Hurtmold é uma das melhores bandas existentes no Brasil. Do mais puro experimentalismo instrumental, um post-rock da melhor qualidade com notáveis influências de jazz.
Segue abaixo um registro de duas músicas dessa apresentação.
Hurtmold – Live at MIS
“Mais uma vez desanimou”, do quarto álbum: Cozido, lançado em 2002
“Sabo”, do mais recente trabalho: Hurtmold, lançado em 2007
Falando em referências, não podemos deixar de citar o “grande” pintor e litografista pós-impressionista Toulouse-Lautrec. Nascido na nobreza francesa, sofreu um grave acidente quando adolescente e teve o desenvolvimento de suas pernas totalmente comprometido. Com corpo de adulto, Henri não ultrapassou a altura de 1,52 m.
Mas em nome da liberdade, desprezou o ambiente aristocrático familiar e saiu para retratar prostitutas, dançarinas de cancã dos cabarés, e outros personagens da vida noturna parisiense da década de 1890. Como reação à sua condição física, Toulouse-Lautrec desenvolveu um estilo pessoal de linhas livres e onduladas, transgredindo frequentemente as proporções anatômicas e as leis da perspectiva em favor da expressividade, essa característica elimina a obviedade do movimento, que passa a ser apenas sugerido.
Além do seu amor por dançarinas de cabaré e bebidas alcoólicas, Toulouse-Lautrec também revolucionou a arte dos cartazes publicitários, utilizando um mínimo de cores e traços. Sendo assim, podemos considerá-lo como um dos grandes mestres da história do design gráfico mundial.
Em 1891 ele criou seu primeiro cartaz de propaganda, "Moulin Rouge - La Goulue", espalhado pelos muros de Paris.
Hoje em dia, quando exploramos a internet em busca de referências ou simplesmente para a busca da mais pura apreciação de trabalhos gráficos, nos deparamos com grandes artistas e designers de diversas áreas. Mas, muitas vezes nos esquecemos de ir além do mesmo e chegar até a raíz de cada vertente, onde realmente estão os grandes mestres.
Um designer em plena formação acadêmica e profissional, é influênciado por toda uma geração anterior de artistas. Com a soma dessas influências, mais a técnica e a aplicação do olhar individual, esse mesmo designer desenvolve como resultado, um traço característico e universal.
Sendo assim, quanto maior for sua bagagem cultural, maior será sua chance de projetar um grande trabalho.
Não é só nós que envelhecemos, nossos heróis também. Aposentados, cansados, e até mesmo loucos, algum deles vão parar no hospício. Acredita?
L’hospice foi criado pelo francês Gilles Barbier, artista plástico contemporâneo que reproduziu fielmente a maior dificuldade que um herói enfrenta em sua jornada: lutar contra as dores da terceira idade.
Misticismo e masoquismo, na maioria das vezes, nos remete a loucuras de pessoas estranhas. Mas tratando-se de arte contemporânea e design gráfico, Stefan Sagmeister é o nome certo.
Nascido na Áustria, formou-se em design gráfico na Universidade de Artes de Viana. Hoje é Mestre e leciona para a turma de graduação da Escola de Artes Visuais de Nova Iorque.
Já fez trabalhos destinados à bandas de rock como Rolling Stones e Talking Heads, ao músico Lou Reed, e também para a empresa norte-mericana Adobe. O que mais chama atenção, além de sua feição não muito delicada, é o seu estilo trash look.
Além de visualizar seus trabalhos como referência, ao acessar o site, você estudande de design gráfico poderá tirar suas dúvidas de “como ser um designer”, “como montar um estúdio” e “como ter a melhor inspiração”.
Conheça o trabalho do nova-iorquino Eric Drooker. Cartunista e artista plástico de cunho libertário, Drooker faz de suas artes uma maneira distópica de expressar as ironias do cotidiado urbano pós-modernista.
Seus trabalhos podem ser encontrado em diversos flyers de bandas de hardcore/punk e xerox de fanzines anarquistas/diy. Recentemente, vi a banda anarcopunk colombiana Desarme utilizar uma arte de Drooker como tema central de uma camiseta.
Na próxima quinta-feira, 10 de dezembro de 2009. Vai rolar a abertura da exposição fotográfica Retalhos – custurando no tempo. Com imagens dos fotógrafos Claudio Takahashi, Ilana Bar, Mariana Harder, Sérgio Mascarenhas, Talita Rennó e Vinícius Juan; a exposição vai até o dia 19/12, das 9h as 12h e das 14h as 18h no Cine Galpão. (Endereço: Rua Scipião, 138 – Lapa.)
Além da exposição, a abertura do evento vai ter a participação da banda de música experimental Marco Nalesso & Big Bang Band, e as apresentações de Naila Pomme e Sara Mello.
Marco Nalesso & Big Bang Band é um projeto experimental formado em março de 2007 na cidade de Santo André (ABC Paulista). Influenciado por trilhas sonoras de filmes e autores literários de ficção científica, Nalesso vai do jazz à música instrumental ambiente, com o uso de samplers, a Bing Bang Band caminha tortuosamente pelo mais obscuro mundo da música experimental. Recomendo: myspace.com/mnalesso
Sábado a noite, após rever todos os filmes de seu box do Indiana Jones, você não está com saco para ir naquela balada chata no centro da cidade, e muito menos, ir no churras do seu amigo. Mas e agora, o que fazer para animar a noite?
Por acaso já ouviu falar do quarteto do pianista de jazz Dave Brubeck? Não? Então orgulhosamente apresento o clássico Time out de 1959. Na minha opinião o melhor álbum de jazz ao lado de Kind of blue de Miles Davis. Há algum tempo que percebi que até a equipe de produção do Fantástico e Globo Repórter gosta de usar músicas desse álbum como trilha para algumas matérias.
Brubeck não era muito interessado em aprender por métodos, simplesmente queria compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Evitava ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Na faculdade, Brubeck quase foi expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano.
Em 1951 fundou o The Dave Brubeck Quartet, com Joe Dodge, Bob Bates, Paul Desmond. A gravação de Take five, uma composição de Desmond, em 1959, transformou o quarteto num campeão de vendagens da época. O álbum continha somente composições inéditas, sendo que quase todas tinham uma métrica ímpar, entre elas estavam os clássicos Blue rondo à la turk e Take five. A propósito, entre Brubeck e Desmond, viria a se desenvolver com o passar dos anos, um entrosamento quase telepático.
Pronto, agora a noite está garantida, basta abrir uma garrafa de cerveja de trigo, apagar a luz, sentar no sofá e apreciar.
1. Blue Rondo à la Turk – 6:44
2. Strange Meadow Lark – 7:22
3. Take Five – 5:24
4. Three to Get Ready – 5:24
5. Kathy’s Waltz – 4:48
6. Everybody’s Jumpin’ – 4:23
7. Pick Up Sticks – 4:16
Universitário ou não, se você gosta de uma boa leitura e o dinheiro sempre falta, fique atento, pois entre os dias 25 e 27, das 9 às 21 horas, acontece a 11° edição da Festa do Livro da USP, em que publicações de diversas editoras, incluindo da Editora da USP (Edusp), são vendidas com desconto mínimo de 50%.
A feira acontece no prédio da Geografia e História, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, localizada na Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo.
O evento é aberto a toda a comunidade USP e também ao público externo.
A capacidade de abstração, criação e proceder de cada um de nós origina o que todos conhecemos por arte. Nosso poder de interpretação nos deixa a possibilidade de decodificar e compreender quem são os verdadeiros arquitetos do mundo dos sonhos, incorporado na arte.