O céu vai ficar pesado…

…culpa da Etta James, que morreu hoje, vítima de uma leucemia. Etta foi uma cantora de blues, ou melhor A cantora de blues e fez parte da histórica Chess Records, junto com Chuck Berry, Muddy Waters, Little Walter e Howlin’ Wolf. A Chess, iniciativa de dois judeus brancos, era uma gravadora que ficava em Washington, na década de 60, com a segregação racial vivendo seu auge. Música de negros, produzida por brancos, que quebrou de vez a barreira negro/branco com Chuck Berry. Graças a esses lindos que o rock como conhecemos existe.

Etta era uma Mulher com M maiúsculo. Com culhões. Sobreviveu a uma infância difícil, um vício em heroína, álcool e uma obesidade mórbida que a fez pesar quase 200kg.

Apesar de cantar muitas músicas que não eram composições próprias, ela tinha um jeito incrível de transmitir emoção através de sua voz forte. Dá até medo dela te bater, sério mesmo, sinta a energia:

Aqui, ela faz uma interpretação incrível de It’s a man’s man’s world, do James Brown e mostra que amigo, sem nós vocês não seriam nada mesmo:

E, pra finalizar, a minha música favorita dela, cantando um amor perdido. De arrepiar:

Agora imagina só uma jam session com ela, Amy Winehouse, Janis…

Arte & Transformação

Será que realmente a arte pode transformar a vida de uma pessoa?

O documentário Arte & Transformação, produzido pela equipe da SOUL ART, está aqui para levantar a bandeira do debate artístico e cultural. Ou seja, questiona os conceitos de arte, levando as pessoas a refletirem sobre a importância das artes na formação cultural e social. Tem como objetivo compartilhar as ideias dos entrevistados com o cidadão comum, com pessoas interessadas em artes e com um público geral que não tem acesso a determinado tipo de informação. O foco principal é incentivar as pessoas a irem atrás das artes, mostrando o quão importante elas são e o papel fundamental como modificadora social; e também, divulgar o trabalho de artistas independentes, em suas áreas específicas.

Todas as entrevistas foram realizadas entre agosto e novembro de 2011, e o time de entrevistados foi formado por: Criolo (Cantor), Evandro Not (Grafiteiro), Rui Amaral (Professor de artes, grafiteiro e artista plástico), Thais Beltrame (Artista plástica), Mauro Ferrari (Grafiteiro), Marco Rabello (Artista plástico), Tikka (Grafiteira e artista plástica), Marcelo Cabral (Músico e produtor musical) e Thiago França (Músico).

Incrivelmente alto e extremamente perto

Vocês vão ouvir falar muito de Extremely Loud & Incredibly Close neste ano, pois o romance de Jonathan Safran Foer (a mesma mente boa que nos trouxe Everything’s Illuminated) publicado em 2005, vai estrear nas telas comercias do cinema fazendo uma penca de gente chorar com a história fofa e triste de Oskar Shchell, um garoto estrainho de 9 anos que perde o pai no 11 de setembro e percorre Nova York a fim de desvendar um segredo. Certamente, o livro deve aparecer traduzido por aqui também, com aquelas capas maravilhosas só que ao contrário de cartaz de cinema.
Ao contrário da adaptação de seu romance anterior Everything’s Illuminated, que ganhou o nome de Uma Vida Iluminada por aqui, a adaptação de Extremely Loud & Incredibly close não parece muito atraente para aqueles que leram o livro (como eu) e o viam perfeitamente em uma produção simples e independente, sem grandes astros e, definitivamente, sem Bono Vox como trilha sonora. No entanto, o diretor, Stephen Daldry é o mesmo de “As Horas” e “Billy Elliot”, dois queridos da minha lista de filmes para assistir na vida. Bom, fica aqui o trailer do filme que promete ser sucesso em 2012:

De qualquer forma, recomendo o livro original, é extremamente fácil de ler, cheio de “leitura interativa”, frases incrivelmente bem construídas, e a história secundária sobre os avós do garotinho é, em minha opinião, muito mais valiosa do que a procura do menino pelos segredos de seu pai morto. Para melhorar – *spoiler* – o livro termina com um flip book de 14 páginas. Uma belezinha!

capa original

“When I was a girl, my life was music that was always getting louder. Everything moved me. A dog following a stranger. That made me feel so much. A calendar that showed the wrong month. I could have cried over it. I did. Where the smoke from a chimney ended. How a overturned bottle rested at the edge of a tablle.
I spent my life learning to feel less.
Everyday I felt less.
Is thar grwoing old? Or is it something worse?
You cannot protect yourself from sadness without protecting yourself from hapiness.”

Tem para vender na Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1377547

O Garoto da Bicicleta (2011), de Jean-Pierre e Luc Dardenne

O tema é puro melodrama. Garoto mandado pelo pai a um orfanato se revolta contra tudo e todos e o procura desesperadamente. No percurso, esbarra numa cabeleireira que aceita “adotá-lo” nos fins de semana. Se fosse um filme americano: longas conversas sobre sentimentos, abraços efusivos, eu-te-amo à exaustão, retorno do pai, redenção e constituição de uma nova família. Nada disso os irmãos Dardennes aceitam. Cada plano se volta contra a possibilidade do drama fácil. O menino é duro, agressivo, grosseiro, irrascível, mente sem piedade. Toda personalidade se traduz no seu modo de portar na bicicleta, movimentos bruscos, velozes, pura violência. E os diretores, Jean-Pierre e Luc Dardenne dirigem o filme com uma câmera tensa, com movimentos duros, para esse menino que parece fugir da câmera que o persegue. No plano da edição, ela se faz por retalhos, em cortes bruscos, tudo sem admitir trilha musical, canções. A cada canto do roteiro, esbarra-se no desamor, e tudo é ríspido, rascante; até mesmo a aceitação da cabeleireira e sua afetividade sem calor. A cada quadro um perigo para o menino indisciplinado, pequeno demônio de ingratidão a quem, quase, o abandono e a insensibilidade do pai parece merecimento. Sua tentativa de suprir a carência aderindo a um bandido local, põe a todos nós de sobreaviso. A sequencia de treinamento para o crime e a terrível queda da árvore — num espaço onde costumeiramente havia pregos e cacos de vidros — nos estarrece, pois de repente nós também somos ele.

No filme, tudo dói e nos emociona pela dureza dessa narrativa sem concessão para sentimentalismos. Tal secura de viver nos permite, raras vezes, perceber a força dos atores — por justamente parecerem não atuar, — com exceção de um único momento, no choro sentido de Cécile. Filme pequeno, forte, duro, ele nos arrebenta emocionalmente de um modo incomum. E torcemos no fim, e enfim, para que o garoto seja feliz.

As partidas de Rimbaud

PARTIDA
Farto de ver. A visão que se reecontra em toda parte.
Farto de ter. O ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre.
Farto de saber. As paradas da vida. – Ó Ruídos e Visões!
Partir para afetos e rumores novos.

O francês Arthur Rimbaud, nascido em 1854, sempre foi um homem de partidas, criando ao seu redor muitas histórias verídicas e outras fantasiosas até a sua morte com apenas 37 anos num hospital em Marseille. Rimbaud abandonou a poesia aos 19 anos e, na vida adulta, procurou se estabelecer com trabalhos fixos. Ele se alistou como soldado no Exército Colonial Holandês na Indonésia, voltou para a França, foi para o Chipre trabalhar de capataz numa empresa de construção, depois passou alguns anos no Iêmen e, na Etiópia, onde foi mercador e vendia, entre outras coisas, café e armas. Foi também um grande colecionador de mulheres por onde passou.

Por esse período notável de aventuras, já seria uma grande personagem para qualquer escritor ou diretor de cinema. Mas Rimbaud foi um adolescente prodígio, um dos pilares da poesia e prosa poética, e que influenciou um sem número de poetas no século XX, como também os movimentos de contracultura, chegando a ser transformado num ícone popular, com grafites com sua imagem espalhados por cidades no mundo.

Rimbaud escreveu entre os 15 e 19 anos, para o espanto dos poetas e da sociedade francesa da época. Sua poesia é invariavelmente comparada à sua personalidade explosiva. Ele gostava de se vestir de maneira extravagante, conservando uma longa cabeleira. Foi de suma importância o reconhecimento de alguns poetas simbolistas, como Malarmé, Valéry e Verlaine, para alavancar o mito de Rimbaud.

À esquerda Paul Verlaine e Rimbaud ao centro

Após uma troca de cartas com Verlaine para expor seu trabalho ao poeta, iniciou-se uma profunda admiração do mais velho sobre o mais novo, deu-se num romance entre os dois, trazendo muitos problemas para ambos, já que Verlaine era casado e com um filho. Eles viveram sob pobreza por várias cidades européias. Verlaine, alcoólatra, num acesso de loucura disparou contra Rimbaud, que foi ferido no joelho, caso que só piorou sua saúde durante os anos seguintes. Verlaine foi preso por dois anos.

Além dos poemas espalhados durante seus anos de poeta, ele tem duas obras principais: “Uma temporada no inferno”, em prosa poética, onde Rimbaud procura suas origens em terras distantes e pelo conhecimento, marco do simbolismo e, em “As iluminações”, com 42 poemas em versos livres, o que foi um escândalo para os franceses tradicionalistas por natureza.

Rimbaud em Áden, no Iêmen, em 1880 e o adolescente

Talvez o melhor tradutor de Rimbaud para o português tenha sido o grande Augusto de Campos, para ele:

“Rimbaud é, sem dúvida, um dos grandes inovadores da linguagem poética, na raíz da Modernidade… desestabiliza a semântica poética com as associações insólitas de sua imaginação e a violência do seu vocabulário, corrói os limites entre prosa e poesia, consciente e inconsciente, e prepara as investidas da parataxe que caracterizarão o discurso poético moderno.”

Rimbaud, o inquieto, o anárquico, o bon amant, o boêmio, o gênio, transformou cada partida para uma nova experiência num poema eterno.

Minha boêmia
(Fantasia)

Lá ia eu, de mãos nos bolsos descosidos;
Meu paletó também tornava-se ideal;
Sob o céu, Musa, eu fui teu súdito leal,
Puxa vida! a sonhar amores destemidos!

O meu único par de calças tinha furos.
– Pequeno Polegar do sonho ao meu redor
Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior.
– Os meus astros no céu rangem frêmitos puros.

Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho,
Nas noites de setembro, onde senti qual vinho
O orvalho a rorejar-me a fronte em comoção;

Onde, rimando em meio a imensidões fantásticas,
Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas
E tangia um dos pés junto ao meu coração!

“I’d rather be a musician than a rockstar”

Há 10 anos, morria de câncer o Beatle mais legal: George Harrison. Você pode discutir que o Paul é mais músico e as composições do John são melhores, mas tentar chegar a uma conclusão sobre o melhor Beatle é quase a mesma coisa do que falar de futebol e religião.

George sempre foi o mais desencanadão do grupo. Foi graças as suas viagens malucas que em vários sons dos Beatles podemos ouvir uma cítara e barulhos de passarinhos. Nada me tira da cabeça, por exemplo, que foi ele que teve a idéia de por passarinhos cantando antes do começo de Across The Universe.

Depois dos Beatles, George teve uma longa carreira solo, cantando é claro suas composições feitas na época do fab four e também um monte de outras pérolas com letras do caralho, além de um jeito único de tocar guitarra. Não falo de ser virtuose, mas de transmitir uma emoção incrível em arranjos que reverberam até hoje.

Ou vai me dizer que você, leitora, não ia querer que alguém fizesse isso com você?

Não importa se o cara fez essa música pra mina que depois ia ser surrupiada pelo Eric Clapton, se até o Frank Sinatra disse que ela é a melhor música de amor de todos os tempos, quem somos nós, reles mortais, pra discordar?

Pra finalizar, uma das mais conhecidas de sua carreira solo, mas que na verdade foi gravada na época do Beatles ainda. A fita foi a seguinte: logo que saiu da banda, Jorginho (é assim que eu o chamo), pegou tudo seu que não foi aproveitado nesse tempo e lançou. É o caso dessa belezoca aqui.

Jorginho, o mundo é um lugar bem mais lindo só porque você existiu aqui.

*Ah, vale lembrar que o Martin Scorsese fez um documentário especial pro George, Living in The Material World, lançado esse ano.

ROA, seu animal!

Cada vez mais o artista belga ROA espalha seus animais em murais pelo mundo. Se você um dia se deparar com um bichinho desses por aí, já sabe quem foi.

Espanha

Bélgica

Rússia

Inglaterra

Itália

EUA

México

Austrália

Gâmbia

Animal, né?

Os 3 (2011) de Nando Olival

Três jovens chegados à São Paulo se encontram numa festa e compartilham conjuntamente um banheiro. Dali surge uma amizade, e o convite para dividirem um apartamento juntos. A menina sugira um pacto de não envolvimento entre os três. De tão unidos são conhecidos na faculdade (cursam juntos o mesmo curso, coisa que não entendi) como Os 3. Breve a aspirante à atriz se envolve com um deles, diante do outro (aspirante a escritor/poeta) que a “ama” (original) de modo platônico. Um trabalho escolar sugere uma espécie de reallity show por internet, onde audiência pode comprar os produtos apresentados no programa envolvendos moradores de uma casa. Para não se separarem (papais não poderão pagar suas despesas), aceitam serem os personagens do programa. Como a audiência aumenta quando estão bêbados, fazendo festa e dançando juntos, passam a alimentar a expectativa do público simulando um triângulo que de fato não se faz. Ficção e realidade misturam-se na trama que constroem (encenam para as câmeras), mas acabam, de certo modo, escravos do falso esquema inventado.


Gostei do filme. Triângulo amoroso bonitinho, adolescente e com estética de comercial. Se tivessa assistindo em casa, ia me entediar, deixar pra ver depois e esquecer para nunca mais. Peguei o hábito de fazer isso. Mas o cinema e seu escuro impõe sua atenção. E vamos enfrentando diálogos bobinhos, com fotografia bonita de comercial. Tudo sem energia, mas divertindo. Descobri (refleti) que triângulo amoroso é uma espécie de “gênero”, como são as novelas de “gêmeas”. Os 3 é um filme singular: fraco e moralmente convencional, daqueles filminhos herdeiros de tevê e com mínimo de expressividade. Para começo de conversa, o triangulo amoroso nunca realmente se faz, pois um deles (o mais adolescente) vive apenas um amor platônico pela mocinha. Sei que deveria pôr aqui os nomes dos personagens, mas não os sei. Eles não tem uma “personalidade” que permitisse realmente distingui-los (engraçado pois isso está no próprio filme, na fala de uma quarta personagem que se “hospeda” na casa). São esteriótipos de uma modernidade urbana e algum modo ingênua. Mas o que me espantou, é que a trama não sendo de um todo inverossímil, é tão mal alinhavada que descremos das ações e reações da trama e personagens. Péssimo é perceber o potencial de caminhos perdidos, já que a premissa (mal aproveitada como foi) poderia dar vazão a muitos caminhos originais e interessante. Incrível é que Nando Olival dirige um film eque nem tenta ser entretenimento com aspiração a “reflexão”. E ele tinha codirigido Domésticas. Os 3 é só e tão somente um filme fofo, bonitinho, divertido. E por que seus criadores não querem mais que isso, fica entre a publicidade e o puro entretenimento.

Adorei a menina protagonista: ela tem carisma, é doce e apaixonante. Os meninos bonitinhos estão lá apenas para o teatrinho de um amor que não convence. Os 3 é daqueles filmes que acho que deveriam existir: inócuo mas divertido. Mas fico pensando comigo: para que gastar tanto dinheiro fazendo um filme para cinema em película (por que não vídeo) tão sem contundência.

St. Vincent e a beleza de ser original

Alguns artistas, de época em época, chegam para renovar a cena musical com tamanha personalidade que é inevitável que não se desperte a curiosidade que culminará com a aceitação daquilo apresentado como novo. É o caso de Annie Clark, multi-instrumentista e compositora americana de 29 anos, nascida em Dallas e conhecida pelo nome artístico St. Vincent.

Annie começou a tocar guitarra ainda criança e na adolescência foi roadie na banda do seu tio, Tuck & Patii, excelente instrumentista que veio a influenciar a jovem e há alguns registros pela internet de Tuck Andress, onde podemos perceber sua técnica se comparada à da sobrinha. Annie Clark estudou música na Berklee College of Music e em uma entrevista falou:

“Eu acho que com a escola de música e escola de arte, ou na escola, sob qualquer forma, tem que haver algum sistema de classificação e medição. As coisas que eles podem ensinar-lhe são quantificáveis. Enquanto tudo o que é bom e tem o seu lugar, em algum ponto você tem que aprender tudo que puder e depois esquecer tudo o que você aprendeu, a fim de realmente começar a fazer música ”.

Nota-se o quanto a formação para ela era importante mas, de alguma forma, sendo uma artista com uma intenção de ser original, logicamente teria que seguir seu caminho como artista que não pensa em limites ou se conforma com o que aprendeu. Nessa época Annie e outros estudantes lançaram um EP. Anos depois ela se juntava a turnês com artistas como Polyphonic Spree e Sufjan Stevens.

Em 2006 iniciou  a produção de seu primeiro EP solo, Paris Is Burning. Foi o ponto de partida de sua característica como compositora para os álbuns oficiais que lançaria conseqüentemente.

Seu primeiro álbum de estúdio foi Marry Me (2007), onde Annie mostrava seus dotes de compositora que a caracterizam e selecionando músicos para acompanhá-la, como o baterista Brian Teasley do Man or Astro-man? e The Polyphonic Spree, o trompetista, também Polyphonic, Louis Schwardron e, Garson Mike, pianista que tocou com David Bowie. Um belo álbum de estreia, cheio de lirismo nas composições e arranjos de instrumentos variando entre a ternura e a loucura. Pianos, violinos, coral de vozes fazem deste álbum uma agradável surpresa. Para se ouvir no repeat.

O segundo álbum, Actor (2009), traz uma Annie mais visceral mas, não menos bela. O álbum teve ótima repercussão na mídia musical alternativa. Com letras instropectivas e composições menos usuais, ela nos leva para seu mundo que no fim nos satisfaz, pois percebe-se o quanto ela vai dominando seu instrumento pincipal, a guitarra, que se desenvolveria de maneira gigantesca em seu próximo álbum.

Strange Mercy (2011) é uma overdose de genialidade. Annie faz de sua guitarra mais do que um instrumento para tocar, há ali uma carga de emoção e sentimentos que a própria definiu à época da composição do álbum, ter passado por momentos complicados na vida. Causa estranheza num primeiro momento, principalmente se o ouvinte já conhece os álbuns anteriores. Melancólico, raivoso, não perdoa o ouvinte, caçando-o, mas para o seu deleite.

A artista em seus shows tem se mostrado absurdamente profissional. Annie se entrega no palco para o delírio da plateia com sua performance visceral, encantando com sua voz em contraponto com a vasta gama de possibilidades sonoras que ela alcança com a guitarra. Tem-se impressão que os outros músicos que a acompanham e que ela escolhe conforme novo trabalho, que são muito competentes, estão degraus abaixo e, como uma deusa grega, além do poder de sua criatividade, banha-nos aos olhos com sua beleza. Zeus que não fique com ciúmes, pois Annie toca mais do que ele. Inspiradora, não há como definir seu estilo.

Abaixo dois momentos de performances ao vivo:

- Tocando Marrow em 2009:

- E uma apresentação mais recente, produzida por sua gravadora 4AD, onde ela toca na seqüência Chloe In The Afternoon, Surgeon, Strange Mercy, Year Of The Tiger; do novo álbum: