A sétima arte está conosco há mais de 100 anos e, desde seu início, se transformou em uma interessante maneira de protestar ou subverter a sociedade em seus formatos mais convencionais. É através do cinema que a arte se expressa para milhões de pessoas de maneira democrática, atingindo os olhos e ouvidos e transformando a experiência em algo único e, como é de se esperar, memorável.

É por isso que nós, como espectadores, transformamos nossos hábitos e opiniões, muitas vezes, através do que vivenciamos em experiências cinematográficas. Nada melhor, então, do que vivenciarmos verdadeiros ícones que mudaram a arte, seja em seus papéis ou em seus grandes feitos. E, em uma época na qual finalmente o feminismo tem os passos da igualdade minimamente reconhecidos, listamos as 5 mulheres que mudaram a história do cinema e, em consequência, nossas vidas.

Hattie McDaniel, a primeira lutadora a se expor

Infelizmente a sétima arte possui, dentre suas grandes obras e artistas geniais, o preconceito encrustado em olhares pelos quais não deveria passar nada além de arte. Hattie McDaniel, coadjuvante que roubou cada cena de …E o Vento Levou, foi a primeira pessoa afrodescendente a vencer o Oscar. Isso em uma época na qual os negros não podiam sequer sentar-se junto aos brancos em lugares públicos.

Hattie é o melhor (e primeiro) exemplo de que a arte e a política, quando misturados, podem gerar efeitos desastrosos. Sua vitória abriu espaço para que o Oscar, prêmio de visualização mundial e que reflete seus hábitos em outros países, passasse a teoricamente enxergar os negros da mesma forma com a qual os brancos encontravam papéis. Por ser mulher, seu feito é ainda mais grandioso.

Pena que o seu papel era estereotipado e que levou mais de sessenta anos para outra mulher negra levar o prêmio. Coisas de Oscar… (e de política, preconceito, estereótipo, racismo…).

Katharine Hepburn, fora do quadrado e pioneira em comportamento e estilo

Esta é a atriz considerada a melhor de todos os tempos, em Hollywood. Mas a importância de Katharine Hepburn é muito maior do que seu talento imensurável, que lhe rendeu centenas de prêmios e reconhecimento por seu talento camaleônico.

Katharine Hepburn não se encaixava nos padrões do cinema e da donzela em perigo, comum em sua época de juventude, quando desafiava a mídia e os estúdios se relacionando com quem bem entendesse e vestindo calças – sim, isso era inaceitável para a época e para uma atriz.

Quando se tornou uma atriz já consagrada e mais madura, ela continuou desafiando os padrões ao encontrar excelentes papéis em uma época na qual as mulheres eram consideradas velhas demais para brilhar no cinema quando estavam com mais de trinta e cinco anos. Katharine atuou até o final de sua vida, colecionando mais e mais prêmios e abrindo portas e desbravando trilhas para as próximas gerações.

Sophia Loren, a musa internacional que muito batalhou

Proveniente de uma família pobre e italiana, Sophia Loren mostrou ao mundo que a diversidade física é muito bem-vinda na sétima arte em uma época na qual ser atriz em Hollywood significava ter cabelos loiros ou forma corporal dentro dos padrões de magreza; além disso, o padrão de beleza era estabelecido por atrizes como Marilyn Monroe, e pouco respeitado quando o idioma nativo não era o inglês.

Sophia Loren abriu as portas para outros padrões físicos e de personalidade, dominando seus filmes com a presença de quem sabia medir muito bem seu talento em cena junto ao olhar felino penetrante; a atriz abriu espaço, inclusive, para que o cinema conservador do início dos anos 60 voltasse os olhos para as mulheres latinas, asiáticas, africanas, oceânicas…

LONDON, ENGLAND – APRIL 12: Meryl Streep attends the World film premiere of “Florence Foster Jenkins” at Odeon Leicester Square on April 12, 2016 in London, England. (Photo by Anthony Harvey/Getty Images)

Meryl Streep e os padrões inalcançáveis do talento

Considerada por muitos a melhor atriz em atividade, sobretudo do cinema hollywoodiano, Meryl Streep conquistou suas pencas de indicações ao Oscar com o suor de quem chegou ao topo artístico sem apelar para a beleza, o que, como muitos dizem, é seu maior mérito. Não que ela não seja bela, ao contrário, é musa inspiradora de pelo menos três gerações, mas seus padrões não condiziam com o que Hollywood pregava, em seu início de carreira, e o seu talento rapidamente sobrepôs o preconceito dos homens que mandavam nos estúdios e que estavam ali para, apenas, exercer sua misoginia.

Quando Meryl Streep fez o seu teste para a versão de 1976 de King Kong, o diretor do longa, falando em italiano, não sabia que ela era fluente neste idioma, chamando-a de feia e inapropriada para o papel. De fato, Meryl não conseguiu (ele ficou com a Jessica Lange), mas isso foi um divisor de águas na carreira da atriz, levando-a aos grandes papéis nos próximos anos, como em Julia, O Franco-Atirador, Kramer vs. Kramer e A Escolha de Sofia.

Kathryn Bigelow, quebrando os tabus e barreiras

Esta é uma verdadeira batalhadora, pois Kathryn Bigelow desbravou a indústria do cinema dirigindo seus filmes após se tornar mais conhecida como ex-esposa de James Cameron, o que a transformou em um belo exemplo de alguém que quebrou tabus: seus filmes são grandiosos e a excelência em sua direção a transformou na primeira mulher a ganhar o Oscar de direção, o que significa que, em uma premiação dominada por homens brancos de meia idade, ela foi a quarta mulher indicada e primeira a quebrar barreiras, abrindo muitas portas às profissionais que, até então, não encontravam espaço para criar e dirigir no cinema.

Hoje Kathryn Bigelow é celebrada como um dos grandes talentos em atividade, além de não permitir que rótulo algum ocupe seu nome. Seus filmes continuam excelentes e é bem provável que sua contribuição à história do Oscar tenha permitido abrir os olhos dos mais conservadores e ultrapassados votantes da Academia, culminando na indicação de Greta Gerwig em 2018.

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