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Em parceria com a soteropolitana Paulo Darzé Galeria, a mostra apresenta um conjunto de trabalhos, em sua maioria da década de 1980, fruto dos destroços do incêndio que atingiu o Mercado Modelo de Salvador em 1984.
Artista que implantou o modernismo na Bahia, e um dos mais significativos da história da arte brasileira, Mario Cravo Júnior nos trás um recorte específico na unicidade do tema: esculturas exclusivamente de cabeças, reunidas pacientemente ao longo de vários anos por Paulo e Thais Darzé, onde nos defrontamos com um conjunto precioso de peças.
 
 
Aproximar o conjunto das “Cabeças” executadas pelo artista com o contexto temporal, que deu origem às esculturas e ao título da exposição, Cabeça de Tempo, nos leva à reflexão de que o novo devora o antigo, e muitas vezes não nos damos conta do processo de apagamento que ocorre. Através dessas obras, Cravo denuncia o que o tempo faz em terras que não cultuam o passado.
A presença iconográfica da arte afro-brasileira é uma recorrente na obra de Mario Cravo Júnior, consequência do convívio social e de seu meio. Aqui presenciamos um artista cuja verdade africana chega a ser desconcertante. Estas obras, onde muitas delas representam Exus, têm a mesma penetração inquietante que possui uma estatuária africana.
Mario Cravo Júnior pode ser visto como instrumento socializador e catalizador que através do conjunto de sua obra é possível estender a compreensão sobre as questões identitárias, e ao mesmo tempo, elucidar formalmente as especificidades brasileiras com a universalidade apregoada pelos movimentos de vanguarda. Estas cabeças cumprem um rito de passagem de uma emancipação de uma arte genuinamente baiana e brasileira.

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