Youth2015. Dirigido e roteirizado por Paolo Sorrentino. Elenco: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano, Jane Fonda, Alex MacQueen, Paloma Faith, Ed Stoppard, Luna Zimic Mijovic, Chloe Pirrie, Mark Gessner, Sonia Gessner e Diego Maradona.

A vida em um hotel de luxo pode ter minúcias que vão além da experiência dos mais velhos e da energia dos mais novos – aliás, é este o contraste que permeia neste A Juventude.

Fred Ballinger é um renomado maestro e compositor, cujas canções ecoaram pelo mundo emocionando milhões de pessoas, mesmo que a maioria se lembre de algumas delas, sobretudo Simple Song #3. Octogenário, Fred vive em um luxuoso hotel, em local afastado na Europa, enquanto apenas vive seus dias de retiro com desdém a todo o seu passado, recusando até mesmo o convite da rainha da Inglaterra para reger sua canção mais famosa em um evento especial da coroa britânica.

Enquanto isso, vemos os entremeios dos pacatos dias de Fred ao acompanharmos outras figuras igualmente peculiares e que encontraram naquele cenário uma tentativa de paz de espírito e inspiração profissional; a filha de Fred, Lena, sua assistente pessoal que acaba de ter sua separação anunciada e, então, passa a sofrer, enquanto seu ex-marido anuncia a união com uma cantora pop, muito mais nova; este, aliás, é filho de Mick Boyle, roteirista veterano e respeitado no mundo cinematográfico, unido a uma equipe para confeccionar o roteiro daquele que pretende ser seu último filme; um jovem ator, marcado por ter vivido um personagem no cinema e que, hoje, busca livrar-se do estigma ao estudar um novo personagem; e até mesmo o jogador de futebol Maradona, enfrentando o peso dos anos e as consequências sofridas em seu corpo.

Aliás, esta fabulesca metáfora sobre o que a juventude é para os mais experientes tem, nas mãos de Paolo Sorrentino, a ambiguidade de um roteiro que abraça tanto a experiência quanto as consequências daqueles que a busca, independente de qual seja a idade. E a juventude, aqui, permeia o imaginário daqueles que já a perderam, como a pedra que entra em seus sapatos e resistem a sair: a lembrança incômoda do que poderia ser mudado que acaba se adaptando ao formato dos próprios calçados.

Por isso, se em alguns casos os personagens ameaçam o próprio sentido de suas vidas, em outros todos parecem estar lentamente à procura do próximo capítulo de suas vivências; e a tridimensionalidade disso está além da bela fotografia conduzida no suntuoso cenário em que nos é apresentado; são as minimalistas interpretações que transformam A Juventude em um daqueles filmes que fica na cabeça por um bom tempo.

A costumeira sutileza de Michael Caine aqui dá destaque a seus olhares; Harvey Keitel como o empolgado roteirista que não enxerga sentido em sua vida após o cinema; Rachel Weisz como a filha de Fred que busca sentido em sua vida pós-casamento; Paul Dano e seu carisma como o jovem ator em busca de aperfeiçoamento pessoal e profissional; e, fugindo ao minimalismo, a espetacular Jane Fonda.

A Juventude é, sobretudo, a exploração incomum ao que a vida é em sua essência, quando exportamos nossas criações para sermos seres emocionais e, por isso, sujeitos aos recomeços sem glamour que as oportunidades ousam oferecer.