Cinema em 10 anos é muito tempo, não é mesmo?

O tempo faz questão de nos lembrar o quanto nossas experiências são válidas e o quanto cada momento de nossas vidas é fundamental para nosso crescimento pessoal. Apesar do papo aparentemente de autoajuda, você, caro leitor, sabe que tenho razão neste aspecto. Vejamos, o cinema em 10 anos…

Em dez anos o Brasil passou por transformações políticas e econômicas que o levaram de uma posição a outra de forma quase inacreditável, como um bom filme de ficção o faria. Só faltaram os zumbis! Ou não…

Para tornar meu argumento mais evidente, vou te lembrar do momento cinematográfico que vivíamos lá em 2008: para começar, a primeira resenha que fiz para a SOUL ART, Linha de Passe, com a visão do veterano cineasta Walter Salles e de Daniela Thomas sobre a vida na periferia paulistana, com foco em uma mãe de Cidade Tiradentes e a criação solitária de seus quatro filhos, enquanto o quinto estava gerado em seu ventre.

O cinema nacional dava seus primeiros passos para o amadurecimento narrativo

Ganhando cada vez mais personalidade própria, destoando-se claramente das produções norte-americanas, mas assemelhando-se às produções europeias, com o cinema de autor em destaque, sobretudo a cinematografia francesa, espanhola e italiana.

Enquanto isso, o já lendário Eduardo Coutinho lançava seu Jogo de Cena, documentário sobre 23 pontos de vista femininos acerca de suas próprias vidas; Estômago, inesquecível em sua concepção e roteiro, dava um fôlego às produções sobre a vida em presídio com o toque ficcional que faz toda a diferença para dar personalidade às obras naturalmente cruas do cinema nacional.

Jogo de Cena – Foto: Divulgação IMDB

As mudanças no cinema, desde 2008?

Quando 2008 terminou, nosso cinema ainda contou com A Casa de Alice e, sim, com o internacional Ensaio Sobre a Cegueira, ponto de vista de Fernando Meirelles sobre a obra de Saramagoque aliás foi aprovado pelo próprio.

Quanto filme bom! 2008 foi, de fato, um ano bastante produtivo para o cinema, o que levou o espectador a iniciar um longo processo de identificação com as obras que cineastas brasileiros tiraram do papel justamente por acreditarem no potencial de suas narrativas, nas mensagens que queriam e precisavam passar.

E, em um ano cujo estímulo às produções ainda estava em alta, o Brasil passou a ser novamente admirado pelos cinéfilos mundo afora, pois a qualidade narrativa passou a ganhar apreciação técnica, algo que, ainda naquela época, não era comum.

Por outro lado, tivemos outras obras que marcaram a cinematografia mundial, ganhando espaço em coleções de DVDs e debates sobre temas tão importantes quanto fundamentais para quebrar diversos tabus.

O cinema de quadrinhos, ainda engatinhando em sua atual forma, ganhou Batman: O Cavaleiro das Trevas, considerado por muitos a obra máxima dessa categoria e, por tantos outros, um grande estudo de personagem;

O Cavaleiro das Trevas – Foto: Divulgação Ei Nerd

…a Pixar, que nos acostumou a obras com belas temáticas, nos dava sua versão do futuro distópico em Wall-E;

Foto: Wall-E Poster de Divulgação Disney

Homem de Ferro abria as portas para o que se tornou o Universo Cinematográfico da Marvel;

Foto: O Homem de Ferro – Divulgação Marvel

Cloverfield – Monstro, apresentava o poder de J.J. Abrams como produtor e abria uma inesperada franquia;

Foto: Cloverfield – O Monstro (O Filme)

Woody Allen nos encandecia com seu Vicky Cristina Barcelona;

Foto: Vicky e Christina (Cena do Filme)

Spielberg retornava com o morno Indiana Jones: O Reino da Caveira de Cristal;

Foto: Indiana Jones : O Reino da Caveira de Cristal (Poster Divulgação)

David Fincher nos brindava com a bela adaptação O Curioso Caso de Benjamin Button;

O Curioso Caso de Benjamin Button

o Abba foi revivido em Mamma Mia!;

…e o mundo chorava com Marley & Eu, Sete Vidas e O Menino do Pijama Listrado.

O cinema norte-americano entrava em uma nova fase,

cuja competição com as séries televisivas se tornava cada vez mais acirrada, necessitando de transformações e adaptações de gostos de uma nova geração que dominava o mundo do entretenimento: efeitos visuais, experimentos narrativos, criação de formas de prender o público de cinema em suas salas, não em casa. A TV ganhava nova vida, mas o cinema estava prestes a passar por um longo processo de reinvenção: Avatar estrearia no ano seguinte.

A geração das redes sociais também engatinhava: a atenção do ser humano da sociedade capitalista mudaria seu foco, culminando em ainda mais desafios para a indústria cinematográfica. Quem diria que uma forma de entretenimento tão rentável quanto o cinema precisaria se reinventar tantas vezes! Quem diria que um dos caminhos que mais daria certo seriam as obras cujas narrativas se aproximavam do conceito de arte de maneira mais honesta do que a tentativa da simples arrecadação.

Cinema em 10 anos, muita coisa mudou no Brasil!

Ganhamos formas inéditas, pois o público buscava por algo diferente além das produções televisivas e diárias; o cinema mundial se reinventava dominando novas tecnologias e criando formas de prender o espectador por sua narrativa. O mundo do entretenimento estava passando pelo processo inicial das redes sociais como forma massiva de comunicação.

O que mudou? Muito! Hoje o cinema nacional sofre com as perdas de incentivo e tememos que isso seja um retrocesso. O ponto positivo? Os cineastas brasileiros estão mais ativos e inventivos do que nunca! Por outro lado, as redes sociais trouxeram novos talentos, com vídeos surgindo a todo momento e criando um novo padrão de tempo dentro de um filme. Sim, o mundo mudou a esse ponto, pois as pessoas não querem mais esperar; apreciar se tornou raridade e a arte, subjetiva em sua natureza, se transformou na selfie no início dos trailers.

Trailers. Taí uma coisa que não mudou em 10 anos… Curtiu nossa viagem pelos últimos 10 anos no Cinema? Comenta aqui, e conta pra gente qual o seu filme favorito nesses últimos 10 anos?

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