Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit, 2014). Dirigido e roteirizado por Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne.

Com: Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, Catherine Salée, Baptiste Sornin, Pili Groyne, Simon Caudry, Christelle Cornil, Olivier Gourmet e Rania Mellouli.

Após um longo período afastada de seu emprego em consequência a uma forte depressão que a abateu, Sandra, que ainda sente fortes resquícios de sua doença diariamente de seu despertar até adormecer, tem a oportunidade de retornar ao serviço, porém, como nada nesta obra dos irmãos Dardenne é fácil, ela só terá seu emprego de volta, de fato, após passar por uma verdadeira provação pessoal: ou todos os funcionários receberão um bônus de mil euros ou Sandra tem seu emprego de volta. Pois, devido à precária situação econômica, não há verba para ambas as vantagens.

Dois Dias, Uma Noite (2014)
Ao descobrir que um colega de trabalho persuadiu os demais a votar contra o retorno de Sandra, para que então todos pudessem receber o bônus, a protagonista pede a seu chefe que uma nova votação seja feita, para que ela tenha a chance justa de ser readmitida e, assim, prosseguir com sua vida. Porém, com a ajuda de escassos amigos e de seu fiel e paciente marido, Sandra parte em uma verdadeira jornada, indo de casa em casa para pedir que reconsiderassem o voto negativo, para que ela possa, de fato, retornar a seu trabalho. Apesar de simples, o roteiro dos Dardenne é surpreendente por apresentar uma história atual por dois motivos: por tratar sobre a depressão e por falar de economia – e de escolhas, egoísmo e parcerias criadas nas relações de trabalho.

Dois Dias, Uma Noite (2014)

Conduzindo a narrativa com firmeza e deixando todo o peso de sua história nas costas de Sandra, é com extremo prazer que podemos assistir a mais uma memorável interpretação de Marion Cotillard, cuja implosão de sentimentos contradiz todas as vontades de Sandra e, nesse ioiô de sentimentos, compreendemos perfeitamente o que se passa em sua cabeça, graças ao talento de uma atriz que sabe transmitir somente o necessário em sua expressão corporal e, principalmente, em seus olhos. Pois queremos acolher sua personagem, por mais que suas atitudes soem egoístas em alguns casos – e é aí que está uma das grandes forças deste filme.

Em cada local, em cada sim ou não que recebe, em cada vontade de esconder sua cabeça debaixo da terra e simplesmente desaparecer, compreendemos a natureza humana em toda a sua força neste Dois Dias, Uma Noite, tempo necessário para nos aprofundarmos no universo terrível que a depressão cria, ao mesmo tempo em que a vida não para e, sim, ela pode ser bruta enquanto estivermos por baixo. E, mesmo assim, é o que está dentro de nós que faz a diferença em nossas atitudes – e o filme nos mostra isso com perfeição, sem jamais parecer piegas.

Vamos assistir?! Fiquem a vontade para comentar suas impressões sobre este filme.

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