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Muito se discute que pouca coisa pode ser ainda inventada na maneira de se contar uma história, mas um filme português vem para mostrar ao mundo que a criação narrativa pode sim reservar boas surpresas. É o que acontece com o filme Tabu de um diretor português de apenas 40 anos, Miguel Gomes. Digo “apenas” porque o diretor realiza uma obra que figurará provavelmente em várias listas, não somente nas melhores do ano, mas das últimas décadas, o que a grande maioria dos diretores jamais consegue numa carreira: fazer um clássico.

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O filme é dividido em duas partes. A primeira começa com a história de um caçador na África que carrega um grande amor no coração e acaba deixando sua vida dentro da boca de um crocodilo. Mas logo percebemos que é um filme, assistido num cinema por Pilar, uma mulher solitária, perdida relacionamento sem amor e que trabalha numa ONG católica, sendo vizinha de Aurora, uma senhora que perde muito dinheiro no jogo e que é ajudada pela empregada cabo-verdiana, Santa, que percebe o quanto dona Aurora se torna cada vez mais doente. A senhora lamenta constantemente sobre a filha distante, aproximando-se de Pilar para ajudá-la em sua solidão e maltratando Santa que apesar de fiel, sofre preconceito de Aurora, e por diversas vezes percebemos um conflito de classes, remanescente de outra era. Mas Santa é forte, e controla as manias e grosserias de dona Aurora que acaba sendo internada.

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A segunda parte do filme vamos para os anos 60, na África, numa colônia portuguesa que está passando por diversos conflitos. Neste cenário, contado por um narrador chamado Ventura, peça-chave para desvendar o passado de Aurora, já que eles se conheceram ao pé do monte Tabu, onde se apaixonaram intensamente, mesmo Aurora sendo casada e carregando um filho no ventre.

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A segunda parte do filme para mim é a mais poética e filosófica, não de uma maneira pesada, Miguel Gomes nos coloca na intimidade interior das personagens, deslocadas num outro território cheio de aventuras e perigos, distante da rigidez da pátria que vivia um regime autoritário na época.

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A história é permeada pela culpa e a lembrança de um passado inconsequente que se revelou modificador na vida de todos os envolvidos nesta trama contada de maneira tão incomum. O diretor trabalha bem com as elipses, de maneira delicada o presente quase passivo e o passado selvagem se fundem pela memória. A fotografia é belíssima, o filme em preto e branco nos traz a lembrança (proposital do diretor) de um filme homônimo de 1931 do diretor alemão F.W Murnau, também dividido em duas partes: Paraíso Perdido e Paraíso. Aurora também é o título em português para o primeiro filme de Murnau “Sunrise – A song for two humans”. Miguel Gomes consegue transformar uma história de amor e sua tragédia, em um novo fôlego para o cinema, e isso é uma proeza, com certeza.

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O filme não tem estreia prevista para o Brasil, mas assim que tiver uma data o Soulart informará, por enquanto, fique com o trailer do filme!

Ficha técnica de Tabu:

Portugal , 2012 – 118 minutos
Drama

Direção:
Miguel Gomes

Roteiro:
Miguel Gomes, Mariana Ricardo

Elenco:
Teresa Madruga, Laura Soveral, Ana Moreira, Carloto Cotta, Henrique Espírito Santo, Isabel Cardoso, Ivo Müller, Manuel Mesquita .

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