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Composto por 3 músicos e 1 intérprete, o grupo recentemente montado busca se reinventar, dando voz a um samba bem pensado que vai do clássico ao contemporâneo, provando a versatilidade não só do ritmo, como também a deles mesmos.

Formado por Marco Santos, Fabio Mandika, André Hamilton e China Cunha, o 4 in Banda aposta no formato reduzido, mas sem perder a complexidade da música. 

FOTOS | Yuri De Lucca Dinalli 

Ao nos depararmos, vez ou outra, com aquelas rodas de samba suntuosas, cheias, com cavaco, pandeiro, surdo, violão, metais etc, é fácil deduzir, arbitrariamente até, que este é o formato ideal para a execução do samba. As diversas sonoridades quem enchem os ouvidos em conluio com o ritmo do movimento dos componentes da roda nos dá a percepção de algo potente e forte. Mas nem só de bandas com um numeroso volume de integrantes vive a música! O 4 in Banda, por exemplo, aposta num formato bem distante do usual: 3 músicos e 1 cantor, apenas. Composto por Marco Santos (voz), Fabio Mandika (violão 7 cordas), André Hamilton (piano) e China Cunha (percussão), o grupo tem, para além do formato, uma filosofia bem diferente, que se embasa justamente em não se definir como um “grupo fechado”, mas sim, como um encontro de amigos onde a liberdade de ideias é levada é a principal pauta.

 

SOUL ART: Como surgiu o 4 in Banda?

O intérprete Marco Santos

MARCO SANTOS

Na realidade, a gente tinha um aglomerado de pessoas que faziam os shows do Melodia Sentimental, o [o disco] Plural, os projetos todos. Foi o André Hamilton foi quem deu a ideia. Daí, desses encontros e desencontros, ficou naquela coisa de fazer [o espetáculo] Noel sem ensaiar, ou ensaiar na véspera, mas não como era a ideia de André, de fazer ensaios mensais, 1 ou 2 vezes, pelo menos. Enfim… o universo, quando você se propõe a fazer alguma coisa, vai se rearranjando e levando pessoas, trazendo outras, promovendo reencontros. No final do ano passado, a gente decidiu tocar um projeto mais reduzido. André disse que não abdicava de tocar com o Mandika e eu, por minha vez, disse que não abdicava do China. Então fechou. Na hora de vender um show, eu não queria colocar só o meu nome, e o pessoal da casa queria o nome da banda, daí colocamos o nome em votação e, a partir de nomes inusitados, ficou o “4 in Banda”, que agradou a todos.

ANDRÉ HAMILTON

Eu tinha uma banda de Bossa Nova instrumental. A gente se chamava “4 in Bossa”. O projeto se desfragmentou e, passados muitos anos, eu peguei essa deixa, esse gancho, e aproveitei o nome.

SA: E vocês já se conhecem de outros projetos, não é isso?

MARCO SANTOS

O André conheceu a gente no Melodia Sentimental, por exemplo. A gente tinha outro pianista, e aconteceu dele não mais querer continuar o trabalho com a gente. Faltavam 15 dias pro show. Eu liguei pro Charlie Dief e ele me indicou o André Hamilton. Quando eu liguei pra ele e nós conversamos, na hora a ideia bateu, eu gostei muito dele. Começamos a fazer o ensaio, e foi quando o André fez o Noel com a gente a primeira vez. Eu acho legal mudar os músicos às vezes pra ir dando outro suingue, explorando outras coisas. Tanto é que o nosso pacto, quando a gente sentou pra fechar esse projeto, foi assim: É 4 in Banda, mas quando um não puder, não tem problema nenhum em chamar alguém pra substituir. O único que não tem como não ir, sou eu (risos).

SA: Vocês tem uma proposta estética bem definida?

Fabio Mandika, violonista 7 cordas

FABIO MANDIKA

Eu acho que o bacana desse projeto é que todo mundo tem uma carreira solta, então, quer dizer, todo mundo trabalha em outros projetos e tem contato com inúmeros tipos de músicas e artistas diferentes. Então essa união é mais pra gente misturar as influências de cada um, trazendo a vivencia de outros projetos e fazendo uma coisa do nosso gosto.

A ideia é trazer coisas novas pra experimentar, ter essa liberdade independentemente de qualquer outra coisa.

 

ANDRÉ HAMILTON 

Todo mundo se junta e traz as suas influências.

FABIO MANDIKA

É uma democracia. A gente monta, tem uma ideia de arranjo, mas é no ensaio que a gente se organiza. Às vezes uma música tá de um jeito e a gente dá um nova roupagem, vai construindo uma coisa do nosso contato. Às vezes, no show, a gente também constrói (risos).

China Cunha, percussão geral

CHINA CUNHA

Treino é treino e jogo é jogo!

MARCO SANTOS 

O que eu acho legal é isso. É uma química que flui. A gente se entende. Tem um casamento legal. Como eles falaram, não é que somos um grupo fechado. Não é isso. Tanto é que o pessoal do antigo projeto faz parte. O Paulo tá sempre com a gente, o Danilo Correa, o Wellington, o Chocolate, o Osni, Giovani Felizate, Tainha, Pézão, Orlei… um monte de gente.

SA: Trabalhar neste formato reduzido é mais fácil ou mais difícil?

MARCO SANTOS

Eu acho que é mais fácil. O China, por exemplo, eu sempre falo que é um polvo. É um multi-percussionista! Isso é muito legal. O piano do André e o violão do Mandika preenchem muita coisa. Eu acho que a formação tá legal. Obviamente, é mais fácil de vender e se organizar num grupo menor, do que quando você está com 15, 20 pessoas. Eu falo por mim, desde que comecei nessa caminhada da música, eu acho que posso ter mil defeitos, mas uma das coisas que eu sempre faço é perguntar pra todo mundo o que cada um acha. Tem que ter liberdade de opinião.

O pianista André Hamilton

ANDRÉ HAMILTON

É um pouco desafiador pra gente, como músico, e pro Marco, como intérprete, ter que se reinventar por conta de estar numa formação menor. Então, isso muda a nossas maneira de pensar, a nossa dinâmica de tocar. Cada um de nós tem que preencher mais, como se estivesse tocando mais de um instrumento. Tem que se desdobrar em mais de um mesmo, pra dar corpo àquilo que está sendo tocado. Isso muda a maneira da gente tocar. E, claro, com relação ao repertório também. A gente procura mesclar as músicas do mundo neste universo que é o samba.

CHINA CUNHA

Até pegando a deixa… é interessante, quando a gente tá ensaiando, daí chega o maestro e vai dando sugestões de instrumentos de percussão que caberiam em determinada parte da música. Isso, quanto ele vai falando, é um gatilho pra cabeça ir processando. Eu tenho que acionar a bomba e jogar lá no meio.

ANDRÉ HAMILTON

É tudo um laboratório até chegar no som que é mais agradável. É interessante pensar, claro, como músico, mas pensar nas pessoas que vão ouvir. A gente tem que pensar, em primeiro lugar, no público.

Fazer arranjos que fiquem confortáveis pra quem está ouvindo. Isso, pra gente, é muito válido. Menos é mais.

FABIO MANDIKA

A música, e eu falo isso com frequência, a gente tem que tratar ela com muito carinho e muito respeito. É uma responsabilidade grande. Eu sou o cara que gosta de apresentar as coisas bem apresentadas. Mesmo que, por conta do tempo, a gente não tenha condições de ensaiar muito, mas o máximo possível que a gente possa fazer pra deixar aquilo interessante, vale o esforço. Às vezes eu demoro 40 minutos pra escolher um acorde. Isso é válido, essa dedicação. É o carinho que a gente deixa em cada apresentação, em cada canção, em cada show e em cada disco. Às vezes eu vou dirigir um show e, claro, não é proibido errar, mas é importante deixar uma boa impressão naquele momento. A gente vive de nostalgia, só vai ver o bom momento que viveu depois que ele passou. Então, que você se sinta a vontade, curta aquele momento, que aquela energia seja construtiva pra quem tá tocando e quem tá absorvendo.

ASSISTA A UMA DAS APRESENTAÇÕES DO 4 IN BANDA

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