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Isso não vai ficar bom. É a décima vez que eu tento escrever o artigo sobre a influência da alta do dólar na extração e exportação de minérios. Ossos do ofício, que aliás eu nem gostaria de ter. Queria mesmo era outro lugar, outra vida e uma cama espaçosa pra enrolar pra levantar enquanto a gente ainda digere ontem e planeja hoje. Mas quem não quer isso? Eu sou uma utopia e é sexta-feira, meu bem. Penso nisso muito mais do que gostaria enquanto disfarço essa ressaca insuportável com a segunda lata de Coca-Cola do dia que mal começou.

Meus dedos hesitam em falar sobre tributação enquanto Dark Side of The Moon toca de novo e quando eu dou por mim já estou escrevendo sobre a gente dançando em outro planeta. Durante a milagrosa fuga promovida pelo meu cérebro desta avenida cheia de prédios caríssimos e gente cinza, a gente é tão feliz. Não tem mais ou menos e nem só um pouquinho. No espaço se abre um panorama bem mais favorável para nós. As supernovas e as atmosferas desconhecidas são muito mais amigáveis do que os boletos de banco e a rota de colisão que nossos dois planetas invariavelmente seguem todo dia. A metrópole pode ser – e é – muito mais sufocante do que qualquer vácuo no espaço sideral. E qualquer coisa parece tão infinitamente mais interessante do que aqui.

Você diz que eu viajo demais. Que faço drama. É verdade. Mas eu só sei viver assim. Talvez por isso seja melhor eu criar de vez um planeta pra colocar todos os fantasmas que insistem em assustar a gente e fingir aqui que não tem nada, que tudo vai bem. É sexta-feira e não importa a droga, você vai chegar lá. Tudo é etéreo e a gente também vai passar, amor. É a especialidade da nossa geração. Não se preocupe com o amor. Esse projeto de planeta inóspito e safado passa bem longe da nossa órbita. Hoje os céus vão invejar a nossa euforia.

“E aí, é pra hoje ou vamos esperar o dólar abaixar pra essa matéria perder o sentido?”. Meu editor, sempre um fofo, me lembra que a terra e o dever chamam. Eu entrego o texto mequetrefe que esse gordo careca já se acostumou a ler. Vai servir.

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