Não é de agora que acompanho o trabalho de Marco Nalesso & A Fundação, banda de música experimental fundada na cidade de Santo André, ABC Paulista. Tenho ótimas lembranças de shows e performances em exposições artísticas, eventos culturais, festas em casa de amigos e baladas. Todas essas lembranças confirmam como é nítida a evolução da banda, que cumpre nobremente o que se propõe a fazer: experimentar vertentes musicais e realizar uma troca com quem está ouvindo ou assistindo uma apresentação. Afinal, música é para se sentir. Principalmente quando falamos de música instrumental, que pela ausência de uma letra ou poesia, nos deixa a possibilidade de guiarmos o som para o que realmente estamos sentindo no momento. Ou seja, há uma troca sincera.

Recentemente, disponibilizaram para download no site da banda o novo álbum Três Vezes Grande, e na sequência, um clipe estava esfumaçando as redes sociais e sites especializados em música independente. A faixa escolhida para o vídeo foi Macumba/Toró, e claro, não tinha como não entrevistar os envolvidos pela produção.

Com vocês, o resultado dessa experimentação audiovisual e uma explicação de como tudo aconteceu:

Direção: Eduardo Ribeiro, Felipe Fel e Luciano Maekawa / Fotos de Making Of: Gabi Pessoa

Porque Macumba/Toró foi a música escolhida para o primeiro clipe?

Eduardo Ribeiro: A ideia toda partiu de uma proposta que eu e o Fel tínhamos de fazer 5 vídeos curtos, de um minuto mais ou menos, para cada uma das músicas do disco. Era uma ideia conceitual de mostrar alguma sensação, uma impressão ou sentimento que é sugerido ao se escutar as músicas. Cada um tem suas próprias impressões, e isso é um trabalho difícil. Quando apresentei a ideia pra banda eles curtiram, mas daí, como nunca paramos de propor coisas novas, surgiu o assunto de fazer apenas um vídeo e esse ser o clipe. Macumba, particularmente, era pra mim a mais bonita entre as 5 ideias e também minha música favorita do disco, e acho que isso pesou um pouco, pelo menos de minha parte, pra insistir na ideia de que fosse essa…rs Ela é uma música cheia de climas, de mudanças, e com certeza isso já sugeriria um trabalho lindo.

O que é Macumba/Toró e o que representa para a banda?

Rafael Cab (Bateria): Pra mim Macumba/Toró é praticamente uma onomatopeia, são palavras para registrar o som e os sentimentos que ela carrega. Uma crescente percepção da minha sensibilidade em relação ao que está acontecendo no momento em que ela é tocada.

Marco Nalesso (Guitarra e Efeitos): Para cada um da banda tem um significado, é tipo um estado de espírito. Hoje pode significar algo, mas amanhã pode significar outro. É a ida ao espaço, é a busca ao infinito. É a força bruta, é o toró de sentimentos que cada um tem dentro de si mesmo.

Yuri (Percussão) e Eduardo Ribeiro (Direção de Arte)

Como foi o processo criativo e a produção do clipe?

Eduardo Ribeiro: Cara, falar de processo criativo com a gente é entrar em um assunto à parte. A gente se envolve em tudo, porque acreditamos nas pessoas, e não só nas suas especialidades. Todos dão ideias, todos compartilham, cada um com sua bagagem e suas referências. A minha ideia inicial, por exemplo, era apenas uma mulher olhando para a câmera e expressando sentimentos fortemente só através do olhar, em certos momentos ela aparecia dançando e daí tudo isso era uma troca: o que ela expressava influenciava na dança e vice-versa. Essa ideia foi sendo ampliada junto de todo mundo. E quando eu digo todo mundo, falo de todos que estão ali na ficha técnica, sem restrições. No dia da filmagem o Yuri me chega com aquela máscara maravilhosamente horrível, e a coisa já tomou outro rumo. O Bieto chegou com os cabides, a estrutura toda, as fitas. Todos sabiam o que queriam, mas ninguém sabia onde aquilo ia parar, e acho que isso é o mais prazeroso desse processo todo: as descobertas. Sejam elas de nós mesmos, do trabalho, o conhecimento do outro. Tudo é uma troca muito intensa.

Rafael Cab: Pra mim foi engrandecedor, senti que depois desse trabalho dei um passo a frente em relação aos trabalhos envolvendo o grupo todo, justamente por essas trocas e pela intensidade como elas acontecem, todo mundo envolvido nesse trabalho é muito experiente, capaz, provocador. Foi um desafio pra mim, aprendi muito com todos.

Rafael Cab (Bateria)

Quais serão os próximos passos da banda?

Rafael Cab: Trabalhar o disco Três Vezes Grande, que acabou de sair, estudar, produzir novos materiais e trabalhar mais e mais, estamos no apetite!

Marco Nalesso: Transformar metais em ouro (rs). Como diria Joe Coleman, acredito que, ao tentar transformar metais grosseiros em ouro, os alquimistas queriam transformar sofrimento em arte. Estamos fazendo a tuor do disco Três Vezes Grande e correndo atrás de editais, patrocínios, shows, e todo tipo de arte que podemos nos encaixar. Estamos ensaiando novas músicas e em breve gravaremos um EP com sons que ficaram de fora da gravação do disco.

Não posso esquecer de agradecer a todos que fizeram parte desse trabalho: Luciana Araujo, Carol Navarro, Rafael Cab, Luciano Japa, Roberto Bieto, Eduardo Ribeiro, Yuri Braga, Felipe Fel e Gabi Pessoa.

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