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Carlos Calado escreveu em 1995 em seu livro A divina comédia dos Mutantes que se Arnaldo Baptista tivesse morrido seria cultuado como um mito, da mesma forma que Jim Morrison ou Raul Seixas, mas ele está vivo e isso perturba. No palco do SESC Vila Mariana na última quinta-feira (29/08) havia uma pessoa que, apesar dos percalços de sua vida, como as consequências do frequente uso de LSD no passado ou a queda do terceiro andar de um hospital, continua a fazer música de qualidade. Arnaldo Baptista está vivo.
O músico se apresentou com seu piano no show intitulado Sarau o Benedito, nome dado em consequência dos improvisos e escolha das músicas, tocadas intuitivamente a partir de um set pré-estabelecido de 70 canções. As projeções de suas obras como artista plástico, no fundo do palco, completaram o ar poético da noite.
arnaldo 2As apresentações solo ao piano começaram em 1973, quando Arnaldo deixou os Mutantes – banda formada com seu irmão Sérgio Dias e sua ex-mulher, Rita Lee – e gravou Lóki?, seu primeiro álbum solo. As faixas deste disco são reveladoras, uma espécie de confissão para se libertar do abatimento causado pelo uso de drogas e pela separação dos Mutantes e de Rita Lee. Por esse motivo, as faixas Cê Tá Pensando Que Eu Sou Lóki? e Te Amo Podes Crer, ambas deste álbum, foram muito aclamadas neste show do SESC.Outro ponto alto se deu com Rocket Man, de Elton John. A escolha dessa canção traduz a admiração pelo artista pop britânico, principal inspiração para o álbum Lóki?. Outros artistas internacionais homenageados foram os Beatles – a maior influência no início da carreira dos Mutantes – com Yesterday; e os Stones, com Honky Tonk Woman.


Walking In The Sky e Miau – músicas do próximo álbum do Arnaldo, o Esphera – também foram tocadas. Neste novo trabalho são abordados temas atuais. A faixa I Don’t Care trata do aquecimento solar e prova que o artista continua antenado e produzindo músicas originais.

O resultado foi uma plateia composta por pessoas de todas as idades que vibravam e se emocionavam a cada música. Arnaldo Baptista – referência do rock nacional e internacional – continua a cativar por sua personalidade e força criativa. No final do espetáculo Arnaldo saiu do palco batendo os braços como se fossem asas. Agora ele já sabe voar.

 

Fotos e vídeos: Bruno Capelas/Pergunte ao Pop

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