Entre o calor e as cores da década de 40 de Havana, havia um clube de música e dança em que toda la loca juventud cubana ensandecia os quadris com aquele chan-chan que só quem é cubano possui. Buena Vista Social Club era uma confraria de sucesso com seus quase dez anos de existência que fazia apresentações calorosas de artistas locais tocando um ritmo até então pouquíssimo conhecido, mas de um alto nível incontestável. Tão incontestável que Caetano Veloso chegou a dizer, no documentário Coração Vagabundo, que “a música cubana é uma das melhores músicas do mundo”. De fato, o encontro de ritmos latinos, melodias africanas e o cool jazz nunca foi tão bonito. No entanto, pela década de 50 o clube fechou arrancando a alma dos músicos e frequentadores sem piedade.

Quarenta anos depois do fechamento, o guitarrista e produtor musical americano, Ry Cooder, decidiu juntar todos aqueles brilhantes músicos para gravar um disco-celebração dos anos de Buena Vista. E foi assim que, em 1997, foi lançado o Buena Vista Social Club, disco que traz, aliás, uma das capas mais emblemáticas e bonitas do mundo musical. Um senhor andando pelas ruas de Havana, enquanto fuma um cigarrinho entre as casas e carros coloridos da cidade. Quer algo mais bonito e cubano do que isso? Sente-se o clima da música já pela capa.

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A reunião da vanguarda musical junto com aos maiores artistas cubanos se deu como um grupo harmonicamente sincopado mesmo nunca tendo existido concretamente antes disso – os artistas, em geral, tinham suas próprias carreiras, ou tocaram em épocas diferentes. Assim, integravam esse grupo o cantor e compositor Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, que além de cantar também era tresero, a cantora Omara Portuondo, o pianista Rubén González, Eliades Ochoa, violonista, Barbarito Torres que tocava alaúde cubano brilhantemente, Juan de Marcos González, Manuel “Puntillita” Licea, Orlando “Cachaito” López, Manuel “Guajiro” Mirabal, Amadito “Tito” Valdés, para citar alguns deles.

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Com suas congas, cencerros, bongos, timbales, claves, contrabaixos, piano, trombones, trompetes e saxofones, além da guitarra elétrica de Cooder, os músicos reacriaram toda a atmosfera mágina, mítica e calorosa à época do clube, onde celebravam composições clássicas de Francisco Repilado, compositor do hino-estandarte Chan Chan, Ibrahim Ferrer autor de Dos Gardenias, Candela e outros, e de todos os ditos mestres cubanos.

No ano seguinte, após o sucesso global que causou, a big band cubana apresentou uma série de shows ao redor do mundo até que caiu no palco antológico do Carnegie Hall, em Nova York. Com a cultura intrínseca e o olhos brilhantemente visionários que tem, o diretor alemão Wim Wenders documentou a vida desses artistas em Havana e também essa apresentação no ambicionado palco, resultando em um belissimamente irretocável documentário, de 1999, homônimo à banda e indicado ao Oscar (e você pode ver aqui).

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Mais de vinte anos se passaram até que Buena Vista Social Club, que continuava se apresentando por aí mesmo com a falta de alguns integrantes, se despede da vida de artista entre 2014 e 2015 com o Tour Adiós, que circulará ao redor da Terra como que em uma despedida apoteótica e merecida. No Brasil, para os interessados, ainda não há previsão sobre a apresentação da banda, mas o camino a la vereda não é longo, convenhamos.

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