CAPA EP

No final de 2014, trabalhei no bar da Japa Rolling Club, em Santo André (ABC Paulista). O momento mais feliz da noite era quando subia no andar de cima para buscar as garrafas vazias de cerveja e assim, tinha a oportunidade de ver brevemente as bandas e djs que se apresentavam. Em uma noite dessas, regada a muita cerveja, bons amigos e fumaça, um som diferente me chamou a atenção. Era o Afrodélicofuzz de Kubata.

Kubata, que na língua angolana Kimbundu, significa casa, é uma banda instrumental formada em Santo André no final de 2012. No último mês lançaram virtualmente o EP com quatro composições baseadas no afrobeat com a incorporação de elementos do minimalismo, noise e fuzz.

Interessou?! Aperta o play e confira a ideia que trocamos com os caras.

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Qual a mensagem que vocês querem transmitir através da obra de vocês?

Willian Aleixo: Quando se trata de música instrumental, o fato de não ter uma voz com palavras direcionando uma ideia x ou y, deixa a coisa abstrata. Achamos interessante deixar em aberto pra cada um ter sua concepção, porém me identifico com a prática do silêncio e relaciono a música como uma espécie de meditação. Uma parcela da sonoridade do Kubata naturalmente tem uma influência oriental nas escalas usadas em temas e em certos “toques” da percussão, isso acaba criando um ambiente ritualístico que remete a dança no sentido de celebração, e a reflexão interior contemplando o lado espiritual. Sem esquecer que fazer arte, independente de qual área, e tentar viver dela, é sempre um ato de Resistência e Expressão.

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Fotografia por Ricardo Kafka

Os integrantes do Kubata tem longa estrada no cenário musical independente do ABC e também são conhecidos por tocarem em outras bandas. Apresenta estes doidos e os respectivos projetos de cada um deles pra galera conhecer!

Kubata é: Luiz Galvão (guitarra), Thiago Buda (baixo), Fábio Prior (percussão), Leo Portella (guitarra), Flavio Lazzarin (bateria), André Marchiori (percussão) e Willian Aleixo (teclas). Bandas paralelas: Projetonave, Nômade Orquestra, Giallos, Otis Trio, Ba Kimbuta & Makomba, Samuca e a Selva, Marcopablo e os BC’s, Bufalo, André Marchiori (solo), CultiveDub, Circuito de Improvisão Livre.

Quais são as influências de vocês?

Baden Powell, Howlin’ Wolf, Sonic Youth, Ennio Morricone, Fela Kuti, John Coltrane, Sepultura entre outros.

Como foi o processo criativo deste EP pesadíssimo que acabaram de lançar?

Tentamos manter um ou dois ensaios semanais devido a agenda dos integrantes com os demais projetos e trabalhos. O processo é natural, chegamos no “barraco”, assim chamamos nosso QG que é o 74 Club, montamos os equipos e começamos tocar, as vezes um trás um riff, o outro uma levada, mas tudo é feito em coletivo. O fruto dessas sessões nos levou ao estúdio Flap C4 em Outubro de 2013 aos cuidados de Cesar Pierre e Luis Lopes pra registrar duas músicas, eram elas, Zóio D’água e Carteado, que foram lançadas em cassete com 25 cópias limitadas. Um ano depois em outubro de 2014, o Leonardo Marques do Ekord convidou a banda pra gravar no deck rolo, era uma experiência, gravamos ao vivo Anseio e Mosquito. Gostamos do resultado e foi aí que nasceu a ideia do EP. Juntamos as 4 faixas, o Flavio Lazzarin, nosso batera, assinou a arte. A novidade é que além de ser lançado virtualmente com freedownload, vamos ter cd’s disponíveis pra venda.

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Fotografia por Ricardo Kafka

O ABC é conhecido por ser um polo cultural onde a cada dia novos artistas vem surgindo e se destacando. Afinal, existe algo de diferente na água do ABC?

Thiago Buda: Diria que pelo fato de ser despretensioso e ter essa cultura de bandas que estão juntas há mais de 10 anos, isso acaba criando um cenário sólido.

Após o lançamento do EP, o que podemos esperar daqui pra frente?

Estamos trabalhando no nosso disco que provavelmente sai entre o fim de 2015 e o começo de 2016.

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Fotografia por Ricardo Kafka

E pra finalizar, qual a boa?

A boa é que temos algumas datas de show do lançamento do EP, são elas: 18/09 – Tupinikim, 26/09 – Casa Amarela, 03/10 – 74 Club, 17/10 – Serralheria.

Kubata no Tupinikim

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