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Ao final do ano de 1965, Maria da Graça era uma cantora em formação que se inspirava no canto de João Gilberto para cantar, colocando baldes na cabeça para perceber e controlar sua voz. Foi quando surgiu uma oportunidade até então impensada para ela: conhecer seu ídolo pessoalmente. Chegando à casa dele na Bahia, foi apresentada como “Gracinha, uma nova cantora”. Curioso, João pediu a ela que cantasse enquanto ele tocava violão. Ao final da primeira canção, João nada disse, nada expressou e pediu que ela cantasse outra. Assim foi até a sexta música. Quando terminou o canto, Gal já estava nervosa e ansiosa para saber o que João havia achado e, como se fosse possível, achava até que não tinha agradado o bruxo de Juazeiro. Foi quando João disse a ela “Você é a maior cantora do Brasil”. Opinião essa, não só de João, mas compartilhada por Caetano, Tom Jobim, para citar alguns. Mais de 40 anos depois desse entremez profético, como diria Helder, poeta lusitano, Gal Costa volta a São Paulo com seu Recanto.

DSCF1482 - CopiaRecanto, show homônimo do seu último disco (2012), não é nada menos do que uma síntese do cantar contemporâneo brasileiro, um emaranhado de belas composições gingadas a arranjos lindamente modernos e tecnológicos e, não menos importante, acompanhados pela maior voz do Brasil. Aquela que impressiona, aquela que faz chorar, sorrir, morrer de amores. Aquela que arrebata. Aquela que não se acredita ser humana. Aquela que exala a beleza de uma flor inexistente, como quando roça a voz naquele cabelo estonteante.

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No repertório, canções desde seu terceiro LP (Gal Costa, 1969) como Baby, Deus é Amor e Divino Maravilhoso, passando pelo arrebatador Fatal – Gal a todo Vapor (1972) com Vapor Barato, Da Maior Importância à época de Índia (1973), as arrasta-quarteirões Força Estranha, Meu bem, meu mal e Modinha para Gabriela, as belas e sentimentais Mãe e Folhetim, de Água Viva (1979) chegando até seu Recanto com Segunda, Cara do Mundo, Autotune Autoerótico, Neguinho, Miami Maculelê e Recanto Escuro.

DSCF1496 - CopiaPalavras minhas à parte, julgo não haver alguém melhor do que a própria Gal Costa para explicar tudo isso que tentei dizer, como mero devoto e amante que não se contém em elogios – Caetano seria uma boa opção, mas tão suspeito quanto eu. Abaixo, então, a entrevista que tive a honra de fazer com a maior intérprete do Brasil, a divina-maravilhosa Gal Costa.

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Como foi gravar um disco essencialmente com batidas eletrônicas, com funk e ritmos modernos? Houve alguma dificuldade ou adaptação?

Sempre gostei muito de coisas novas, de experimentar com novos sons e isso nunca me assustou. Gosto muito do inusitado, do diferente. Gosto do que é vanguarda. Esse aspecto eletrônico sempre esteve presente em minha vida e Recanto se beneficia muito disso.

Você estava confiante nesse trabalho? Esperava a grande repercussão que se deu?

Superconfiante. Meu público mais clássico, que possa ter achado o disco estranho, quando assiste ao show entende melhor o que significa o álbum. As coisas mais modernas se misturam com às músicas clássicas e de maneira harmônica. Eu acredito que seja um show popular.

Você, que já experimentou coisas tão novas na música em ritmos e composições, vide a época Tropicalista, como é lidar com essa música com cara nova?

O impacto, a densidade desse repertório, é que era o importante ser mantido o tempo todo. O disco foi um desafio, eu gosto disso. É um registro importante.

Você acha que o disco Recanto é uma maturação, uma continuidade do Tropicalismo?

Recanto é um conjunto de Gals juntas no mesmo palco. Tem a Gal transgressora, a Gal clássica, a Gal toda… É uma revisitação de tudo que eu já fui, do que eu sou agora e, por que não, de quem eu serei.
DSCF1509 - CopiaComo foi a escolha do repertório para esse show que vem desde 1969 até hoje? E como foi misturar essas músicas com mais de 40 anos de diferença em um mesmo palco?

Caetano escolheu todo o repertório e nós dois começamos a ensaiar. Ele escolheu todas as músicas e foi me mostrando e eu fui aprovando ou não. O trabalho não existiria sem ele.

Algumas canções continuaram tradicionais e outras diferentes, um pouco como “Divino Maravilhoso”. Nem todas a canções foram mexidas, “Baby” é mais suave e a primeira gravação foi assim.

Em um próximo trabalho, você planeja dar continuidade a experimentações dadas em Recanto ou pensa em fazer algo totalmente diferente?

Bom, eu almejo conquistar muitas coisas ainda. Acho que tenho uma carreira rica, cheia de nuances, mudanças. E eu também acho que essa coisa de dar saltos e mudar é maravilhoso.

Compositores favoritos?

Entre meus ídolos estão, sem dúvida o Caetano e João Gilberto.

O que você, Gal Costa, tira de Recanto?

Recanto é um disco de vanguarda, principalmente do estúdio, que me emociona muito, me instiga. É um show que me arrebata. É muito intenso e prazeroso. É uma entidade que me toma. É um disco que procurou deixar a música mais protagonista que qualquer coisa.

 

Fotos: Victor Bauab/SOUL ART

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