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O cantor e compositor Thiago Pethit já está em evidência no cenário paulistano há algum tempo, mas falar dele se faz ainda mais necessário devido à sua relação com a atual fase da cidade. A região central de São Paulo passa por um período de redescoberta. Apesar de seu cenário cultural estar em crescimento, a área ainda é marcada pela decadência. A sensação é de estar em um lugar pouco habitado e perigoso, o que aumenta a vontade de desbravá-lo.

Assim é Estrela Decadente (2012), último álbum de Pethit. Tudo em sua voz é mais instigante, como uma névoa que envolve alguma rua do centro e convida os mais curiosos a entrar. Suas principais influências para este trabalho são figuras desajustadas da história mundial, como Baudelaire, James Dean, ou os personagens que circulavam na Factory de Andy Warhol. Tipos que hoje em dia são encontrados pelos bares da Praça Roosevelt.

O tom é mais agressivo, e, desta forma, Estrela Decadente se distancia dos trabalhos anteriores, o álbum Berlim, Texas, de 2010, e o EP Em outro lugar, de 2008. Embora o amor ainda seja um tema recorrente, a sonoridade rock’n’roll e a ironia são usadas para escancarar questões mais polêmicas, como a sexualidade.

A forte personalidade de Pethit foi mais uma vez demostrada em São Paulo. Dia 18 de maio ele se apresentou na Virada Cultural paulistana. Vestido com macacão surrado e jaqueta de couro, o músico fez um espetáculo baseado nas canções de seu último álbum e empolgou a plateia formada em frente ao edifício Copan.

Quando cantou Dandy Darling, a dedicou a Marcos Feliciano: “Pastor Feliciano, escute bem o que eu digo, gaste seu tempo comigo, tire toda minha roupa, borre o batom da minha boca, venha se perder por aqui.” Foi ovacionado. Feliciano, o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, é acusado de homofobia e racismo.

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Thiago Pethit diz o que pensa, como poucos fazem na cena atual. Trabalha de maneira independente, usa a internet para se comunicar com o público e, assim, torna possível a união entre música e originalidade. Uma estrela decadente, caída no centro de São Paulo, ocupando a rua com seu estilo, a sujando com suas ideias. Um retrato da cidade em cores, dores e sabores.

 

Foto 1: Gianfranco Briceño
Foto2: Caroline Bittencourt

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