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O ano era 1976. Após desencantar-se com a Cultura Racional, energia motriz de Tim Maia Racional Volume 1 e Volume 2, o mestre mergulhava de nariz novamente nos prazeres da vida. Neste disco, Tim Maia e a Vitória Régia trazem a melhor mistura do groove com o samba soul, especialidade da casa.

Dance enquanto é tempo, primeira faixa do disco, ilustra bem o clima que está por vir. “Vê se deixa essa tristeza, bicho/ Pega a dama e vem dançar/ Até eu que estava nessa, bicho/ Decidi vou me soltar”. Seguindo a linha positivista, É preciso amar encanta como balada lisérgica, aquecendo os bons ouvidos e os bons pensamentos para as canções que estão a caminho.

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Enquanto isso, do outro lado do mar do Rio de Janeiro, alguns países do continente africano passavam por um período conturbado de segregação racial e violência. Após dizer que em Guiné Bissau, Moçambique e Angola estava tudo numa boa, Tim canta seu apoio a seus irmãos de cor, pedindo luta e resistência (“Sei que és do som/Não és de matar/Mas não vás deixar pra lá”). Rodésia (antigo nome da nação hoje chamada de Zimbábue) traz Tim tocando flauta e uma sonoridade inspirada da banda Vitória Régia.

A quarta pérola do disco é um funk de primeira com resquícios dos ingredientes racionais. Márcio Leonardo e Telmo, que dão nome à faixa, são respectivamente Léo Maia e Carmelo Maia, filhos do Síndico. A tal SEROMA (iniciais de Sebastião Rodrigues Maia), onde seus filhos “vieram pra brincar”, era o selo de Tim.

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Na sequência, duas pedradas! Sentimental traz todo o peso emocional de Tim Maia, abrindo suas defesas em um groove com o selo Vitória Régia de qualidade. Nobody Can Live Forever pode ser considerada a sombra do hino Imunização Racional. Toda a sua frustração com a seita Racional e as crenças religiosas está expressa nestes versos que dizem que ninguém pode viver pra sempre, e que, em sua opinião, essa conversa de céu e inferno é uma grande besteira.

Em Me enganei, Tim canta a decepção de um amor que se acaba e o fim de sonhos e planos criados em cima de um outro alguém. A faixa seguinte é um aperitivo para o sensacional disco de 1978, o “What’s going on” de Tim Maia. Manhã de sol florida, cheia de coisas maravilhosas é uma das maiores declarações de amor à vida que eu já ouvi. Com um arranjo que atinge o fundo da alma, Tim consegue traduzir fielmente o clima de esperança e alegria que se sente quando se está apaixonado pelo lado bom da vida.

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A nona faixa do disco é o “gospel ao contrário” Brother, Father, Sister and Mother, onde Tim pede para seus irmãos acordarem e pararem de perder seu tempo em igrejas e com crenças do tipo. A próxima música é simplesmente genial! Batata-Frita, o Ladrão de Bicicletas é um groove aparentemente non-sense que nos leva em uma viagem até os anos 70. Para maior entendimento da mensagem, vale ressaltar que a “bicicleta” citada na música é um tipo famoso de LSD.

Na última faixa deste disco, que é um dos meus três preferidos de Tim, The Dance is Over encerra o espetáculo. Como diz o refrão, a dança acabou e é hora de enfrentar a realidade. Um samba soul de respeito, com distorções de guitarra e tudo que se tem direito, finalizando uma das grandes obras do Síndico.

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FICHA TÉCNICA

Tim Maia – 1976 – Polydor

00:00 – Dance enquanto é tempo
01:56 – É Preciso Amar
05:14 – Rodésia
08:14 – Márcio Leonardo e Telmo
10:18 – Sentimental
12:22 – Nobody Can Live Forever

15:20 – Me Enganei
17:37 – Manhã De Sol Florida Cheia De Coisas Maravilhosas
20:59 – Brother, Father, Sister And Mother
24:19 – Batata Frita, O Ladrão De Bicicleta
26:57 – The Dance Is Over

Produção executiva: Seroma
Arranjos: Tim Maia, Miguel Cidras e Arthur Verocai
Engenheiro de som: Ary Carvalhaes
Mixagem: Tim Maia e Ary Carvalhaes
Corte: Luigi Hoffer
Capa: Aldo Luiz e Jorge Vianna
Fotos: Orlando Abrunhosa

Tim Maia: Bateria, percussão, guitarra, flauta e vocais
Reginaldo Francisco: Teclados e vocais
Carlos Simões: Baixo
Antonio Pedro: Baixo “funky machine”, percussão e vocais
Paulinho Batera: Percussão e bateria
Paulinho Roquete: Guitarra ritmo
José Mauricio: Guitarra ritmo
Paulo Ricardo: Guitarra solo, percussão e vocais
Antônio Claudio, Luiz Mendes Jr. e Gastão Lamounier: Vocais

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