I´m Not There2007. Dirigido por Todd Haynes. Roteiro de Todd Haynes e Oren Moverman. Elenco: Marcus Carl Franklin, Christian Bale, Cate Blanchett, Richard Gere, Heath Ledger, Ben Whishaw, Charlotte Gainsbourg, David Cross, Bruce Greenwood, Julianne Moore, Michelle Williams, Benz Antoine, Tim Post, Kim Roberts, Yolonda Ross, Kristen Hager e Kris Kristofferson.

“Não importa que tipo de nomes asquerosos as pessoas inventem para a música. Mas ‘música folk’ é uma expressão que eu não posso mais usar. Estou falando de música tradicional, quero dizer, música matemática, baseada em hexágonos. Mas essas músicas sobre rosas brotando na cabeça das pessoas, amantes que são gansos e cisnes que viram anjos, elas não vão morrer. Isso não é música folk. É música política. Já está morta!”

Bob Dylan é interpretado por Cate Blanchett, como Jude; Marcus Carl Franklin, como Woody; Richard Gere, como Billy; Heath Ledger, como Robbie; Ben Wishaw, como Arthur; e Christian Bale, em duas fases da carreira do cantor, como Jack e Pastor John. Note, então, que a complexidade do filme vai além da simples cinebiografia de um cantor, mas sim em sete cinebiografias que se completam e se cruzam vez ou outra pelas personas em tela ou pelas temáticas que Dylan adotou em sua carreira – e o longa aborda cerca de quinze anos da vida dele, o que torna a obra ainda mais complexa, e o ícone ainda maior.

Enquanto acompanhamos Woody, compreendemos a origem de Dylan em suas nuances relacionadas ao folk, compreendemos que sua empolgação ainda ingênua de início de carreira se dava pelo brilhantismo anacrônico de suas letras – o tirando do eixo mais popular e tornando-o um poeta precoce; por outro lado, o contraponto pop veio com Robbie, em sua fase cinematográfica e familiar, quando passou por algumas etapas de sua linha do tempo composicional e tornou-se alguém inacreditavelmente retrógrado – em certo ponto, é acusado de chauvinismo.

Então partimos, em ordem cronológica definida, para Billy, um misantropo que perdeu a fé nos bons costumes humanitários ao mesmo tempo em que sua reclusão, composta pela companhia de sua cadela e um cavalo, o fazem refletir sobre o que é justiça; e assistimos a pequenos cortes que nos induzem às fortes opiniões de Arthur, em depoimento sobre suas verdades acerca da vida, política, guerra e fama.

Mas acredito ser em Jude, na fase alucinógena do cantor, e em Jack, quando este se tornava polêmico por compor temas tão profundos quanto a religião pode aceitar, que as personas desta obra mais se destacam. E aproveito para reiterar o brilhantismo de Christian Bale e Cate Blanchett em suas respectivas composições, sobressaindo-se como um bônus diante das demais apresentadas em tela – e Bale ainda vive a fase religiosa, o que o garante ainda mais nuances de interpretação.

Além de toda a temática acerca das fases e dos pequenos detalhes que marcaram a vida de Dylan em suas compreensões de mundo e reflexos em suas músicas, acompanhamos o brilhante trabalho de Haynes ao dirigir e escrever, ao lado de Oren Moverman, um roteiro impecável, que transita por diversas vidas dentro de uma só mente, ilustradas pelas composições de Dylan e pela fotografia memorável de Edward Lachman – o resultado é uma obra a ser apreciada constantemente.

Se perca em Não Estou Lá e transite com a liberdade que somente Bob Dylan conquistou em sua longa e brilhante carreira. É um filme que, aos pés de um dos maiores artistas contemporâneos, torna-se relevante por seu conteúdo histórico, dramático, filosófico, religioso, político…

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