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O cinema brasileiro tem passado por uma infeliz crise. Mais uma, aliás. Desde que a ANCINE sofreu retaliações, no ano passado, há promessas consecutivas de cortes de verbas e censura de conteúdo, como se a produção audiovisual fizesse parte de um esquema institucional de propaganda política. Desta forma, a expressão artística mais uma vez está fadada a passar por um longo processo de adaptação, o que significa recomeçar de outra forma, o que pode prejudicar tudo o que foi construído desde sua retomada, no início dos anos 90.

De lá para cá, houve um longo processo de independência, o que gerou a produção de filmes tão diferentes quanto o cinema pode proporcionar. Afinal, arte é assim mesmo, uma expressão livre com significados, estética e técnica variados, que pode ou não agradar, o que não significa que esteja errado. Mas a infeliz crise que se instaura não parece compreender a sétima arte como uma expressão livre de rótulos, e sim o beabá de cunho conservador, puritano; um retrocesso ao que foi conquistado nos últimos quase vinte anos.

Mas há, em sua essência, um quê de resistência no cinema brasileiro. Ele nasceu lá atrás, ainda nos anos 50, quando “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, ganhou o mundo e mostrou um país desconhecido, que fugia, já naquela época, do eixo Rio-São Paulo. Ele mostrava o sertão e todo o seu longo histórico de resistência. Pois, naquela época, tanto a Atlântida Cinematográfica quanto a Vera Cruz traziam técnica e verba para que o nosso cinema se transformasse em algo mais sofisticado. Mas a identidade visual nordestina proporcionava um novo país, ironicamente em um território com cultura tão antiga quando a terra dura e seca pisada por lá.

O visual árido, as vestes repletas de significados, as expressões marcadas pelo sol. Características comuns em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, sendo este o cineasta que mais proporcionou histórias nordestinas para o mundo compreender que ali há, sim, resistência. Não porque a região se difere, como um conjunto de estados que querem se separar do restante do país — ao contrário, eles resistem porque querem ser brasileiros por essência e o fazem com mais sucesso do que o sul regado a estrangeirismos poderia compreender. 

O cinema nordestino não é gênero, mas riqueza de detalhes. Ele não se faz para vender, todavia para abraçar. Ele conta suas infinitas histórias com humor ou tragédia, tanto faz; o que é comum mesmo é o calor dominando olhos semicerrados enquanto a Baleia corre para lá e para cá, repleta de significados. Por isso, quando os anos 50 e 60 proporcionaram obras marcantes para essa regionalidade audiovisual, havia diversas crises pelas quais o cinema brasileiro já tentava transgredir. Assim vieram as baratas chanchadas, seguidas pelo cinema marginal, o que deu consequência às pornochanchadas e a primeira morte da produção audiovisual brasileira. Hoje é fácil compreender as diversas fases, que se transformaram em história, mas naquela época não.

Imagine um tempo em que a produção já era transgressora por si só. Havia as grandes produtoras, além dos estúdios internacionais que vez ou outra davam pitacos por aqui. Paralelamente, “Rio 40 Graus” conversava com “Os Cangaceiros”, o que pode parecer que os filmes poderiam oferecer suas respectivas regionalidades sem, com isso, sofrer censura ou preconceito. Mas o mesmo não aconteceu nos anos que se passaram. Desta forma, os anos 80 marcaram o fim de uma longa era de produções diversificadas, de diretores que deixaram suas assinaturas na história.

Até o início dos anos 90, quando “Carlota Joaquina” marcou a retomada da produção audiovisual no Brasil, muito se viveu. O cinema marginal, as situações sociais das décadas de 60 e 70 e as questões políticas que acometeram toda a cultura nacional por conta da Ditadura Militar. Os canais de televisão ganhavam mais e mais popularidades, assim como as novelas, mas o que parece ter ganhado uma cobertura de bronze foram as histórias nordestinas. Elas permaneceram em livros, cordéis e no sangue grosso de quem estava pronto para continuar a contar suas histórias. O nordeste, mais uma vez, resistiu.

O cinema novo trouxe oportunidade. O final dos anos 90 apresentou ao mundo “O Auto da Compadecida”, os filmes começaram a ganhar quantidade e qualidade narrativa e o Brasil finalmente estava se tornando um interessante pólo industrial, como foi provado na primeira década de 2000. Hoje, porém, a terceira década começa com a perspectiva de que os filmes recomeçarão. Mais uma vez. A política passou dos limites ao interferir em verbas e conteúdo, como ocorreu há pouco mais de cinquenta anos. E o fomento pode vir, desta forma, apenas da iniciativa privada, que aqui não está preparada para lidar com isso.

E o que o nordeste tem a ver com tudo isso? Como disse, resistência. Como direi, “Bacurau”. Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles criaram uma obra tão repleta de significados quanto toda a história aqui contada o fez. Dos anos 50 e o cangaço, dos anos 60 e 70 e o marginal, dos anos 80 e o humor pornográfico. Está tudo ali, até mesmo o regionalismo tomado com preconceito pelo restante do mundo, como se tratasse de uma terra à parte, como se não fosse o mesmo sol. Do político sem vergonha às tentativas de acalmar a população, da água preciosa ao psicotrópico poderoso; do amor livre ao sangue grosso que protege cultura e terra, não importa se é contra um disco voador ou para um grupo saído do crossover de Jogos Vorazes e Black Mirror. Bacurau tem tudo isso e mais: é um pássaro bravo, que cuida dos seus e os protege; que resiste.

 

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