O Maravilhoso Universo Colorido de Aline Paes

Aline Paes (também conhecida como “Linão“) é uma São Carlense com risada apaixonante (aquela risada que invade o ambiente, você e todos ao redor). Tive o prazer de esbarrar com essa menina num bar em Araraquara (SP) há alguns anos, me encantar com seu talento para traços e cores, e me apaixonar por sua personalidade. Gostaria de apresentar a vocês um pouco do maravilhoso universo colorido da desenhista que no auge dos 24 hipnotiza com seu trabalho. Deliciem-se com a entrevista e alguns de seus trabalhos. Encantem-se, apaixonem-se, amem. Amém!

Klimt, Gustav

Klimt, Gustav

SOUL ART: Aline, quando você descobriu a paixão por desenhar? 

Aline: Desde que me lembro. Aos 5 anos eu já trocava as bonecas por papel, lápis e diversos outros aparatos. Aos 7 eu fui estudar umas técnicas de pintura com materiais diversos (carvão/acrílica), mas acabei parando quando comecei a pirar nos quadrinhos (lá pros 10 anos), aí fui estudar quadrinhos, pela primeira vez. Não durou muito porque eu não curti o professor e o método, aí acabei “estudando” sozinha mesmo, ou com meu irmão (ele foi muito importante nesse processo, porque eu achava que ele desenhava bem demais, e queria “imitar”, ele me impulsionava sem saber). Aos 17 eu voltei para o estudo dos quadrinhos, na verdade eu queria mesmo era aprender anatomia certinho (mas eu era displicente, fui aprender apanhando muito, tempos depois, hehehe). Aos 19 eu já fazia uns trabalhos bem autorais, comecei a desenvolver um estilo que foi se modificando rapidamente, mas foi nessa época que eu percebi que era isso que eu queria fazer pro resto da vida, como trabalho mesmo.

Ilustração para a revista Rolling Stone, edição outubro de 2011

Ilustração para a revista Rolling Stone, edição outubro de 2011

SOUL ART: Depois da paixão, quando você percebeu que realmente tinha talento pra coisa?

Aline: Eu não sei. Sempre achei meu trabalho mediano, mas na adolescência meus amigos de escola já me torravam a paciência pra fazer os trabalhos deles de Artes, ou fazer uma caricatura, desenho de camiseta de formatura, coisa e tal. Depois que comecei pra valer, as pessoas começaram a dizer que gostavam mesmo do meu trabalho, mas é difícil esse lance, porque às vezes eu faço algo de que gosto muito, mas não é sempre, a maior parte do que eu faço, acho só “ok”. Não sei quando rolou essa percepção, porque tiver que correr muito pra conseguir fazer algo que achasse bom, então não foi só “talento” sabe, não foi fácil assim.

Desenho inspirado em obra de Manoel de Barros: "...que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.  Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós."

Desenho inspirado em obra de Manoel de Barros: “…que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”

SOUL ART: Você morou um ano em São Paulo, onde estudou desenho na Quanta Academia, como foi sua experiência?

Aline: Foi a melhor coisa que eu fiz. Aprendi em um ano o que não aprendi em 4 anos de faculdade e o resto da vida, hahaha. Não só na Quanta (onde estudei ilustração, com o Rodrigo Yokota, o Whip, que me influenciou muito com o vício dele por desenho), mas com as pessoas que conheci, o Montalvo (Machado) foi um cara que ensinou muito, imagino que ele nem saiba o quanto. Rolavam vários encontros (ainda rolam), Bistecão Ilustrado (no Sujinho da Consolação), Skecthjazz (em vários bares da cidade), Sketchcrawl, modelos vivos no CCSP e mais monte de coisas. São Paulo é o caos, mas pra mim não tem nada melhor que canalizar isso tudo para a criação. Milhões de referências, tá tudo aí, só absorver. Eu só funciono assim.

Estudo em Aquarela

Estudo em Aquarela

SOUL ART: Hoje você estuda na Unesp (Bauru). Qual sua relação com a Universidade enquanto artista?

Aline: Ah, eu acho complicada. Não me dou bem com a academia. Acho que se eu tivesse entrado mais nova, com uns 17 anos, certamente seria diferente. Mas certamente as discussões que rolam, dentro e fora da sala de aula, são absolutamente proveitosas, tenho (e tive, quando fazia Design) mestres de verdade, mas gosto mesmo é do que se desenvolve no extra classe.

Estudo ilustração infantil em guache

Estudo ilustração infantil em guache

SOUL ART: Como se dá seu processo de criação na hora de desenhar?

Aline: Olha, eu sento e desenho, hahaha, parece ridículo, mas é isso. Tem que ser rápido, é meio desesperador porque, se eu não corro pra botar a ideia no papel ela fica me corroendo, até dói. Mas isso em relação ao meu trabalho pessoal. Quando é trabalho (pago) eu tenho que me forçar, é difícil trabalhar com a ideia dos outros, haha, confesso que às vezes eu olho pro resultado final e sinto uma falta de verdade, mas acho que é normal, não dá pra ter o mesmo sentimento quando se trata de algo que não nasceu 100% de mim.

Dalí, Salvador

Dalí, Salvador

SOUL ART: Qual foi seu maior desafio como desenhista?

Aline: Nossa, é complicado, porque tudo é um grande desafio, uma perspectiva diferente, uma iluminação, uma nova paleta… Mas estou passando por um dos grandes agora, um livro em quadrinhos de 80 páginas que vou ter que correr pra terminar, mas é maravilhoso esse lance de desafio, a gente descobre que consegue fazer coisas que nem imaginava fazer.

Hermeto

Hermeto

SOUL ART: Você é uma garota arteira. Além do desenho, em quais outras artes se arrisca?

Aline: Bom, a música me absorve de uma forma muito louca, eu vivo isso, mesmo que não trabalhe como musicista e nem seja uma instrumentista de fato. Me arrisco no baixo e desenvolvi um gosto grande pela escaleta. Cheguei a estudar teoria musical em dois momentos distintos, mas todas aquelas fusas me deixaram meio confusa, acabei largando. Violão e guitarra também, mas o baixo me pegou de vez, era isso mesmo. Gosto muito de dançar também, mas isso fica para as festas (particulares ou não). Tenho vontade de me arriscar no contemporâneo, acho absurdo, mas não dá pra se dedicar a mil coisas ao mesmo tempo, né?

Aline Paes

Aline Paes

Vinda da Morada do Sol para a Pauliceia Desvairada, a caipirinha Isabella Rudge tem alma de criança arteira e gosta de se arriscar em coisas como: redação, fotografia, papel+canetascoloridas+aquarela, colagens, costura, culinária etc. Durante o dia, trabalha atrás do balcão do petshop de seu padrinho; à noite, veste sua fantasia de super-heroína pra dar conta de tudo que passa por sua imaginação, organizar a casa e cuidar do gato alaranjado.

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