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Otermo blockbuster parece ter surgido na década de 70, quando Spielberg e Lucas levaram o mundo a duas aventuras inesquecíveis: Tubarão (1975) e Guerra nas Estrelas (ou Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança), de 1977. De fato, ambos foram responsáveis por atrair o público em massa para o que se considera, hoje, filmes de verão. E a popularidade aliada a alta bilheteria culminou no apelido blockbuster.

Mas tal apelido, que hoje é um gênero cinematográfico, começou muito tempo antes do terror oceânico ou aventura sideral. Aliás, o termo ganhou espaço durante a Segunda Guerra Mundial, quando cidades europeias eram bombardeadas entre inimigos bélicos. Aviões passavam rasteiros liberando bombas e destruindo quarteirões. Você pode conhecer um pouco mais acerca desta curiosidade neste link.

— Cena do filme “E o vento levou” | Reprodução/Internet

Desde então, alguns críticos passaram a apelidar filmes de grandes orçamentos como blockbusters. Desta forma, obras como E o Vento Levou (1939), O Mágico de Oz (1939) e até mesmo O Nascimento de Uma Nação (1915) ganharam tal denominação, sobretudo daqueles que escreviam e disseminavam informações acerca dos tão aguardados longas-metragens.

Se pararmos para analisar, mesmo que momentaneamente, grandes bilheterias já eram feitos consideráveis dos estúdios muito antes da década de 70. O que Spielberg e Lucas fizeram foi enxergar uma oportunidade de fechar suas obras em um nicho, o qual acabaria se tornando o responsável pela atual existência do cinema. Pois, neste final da segunda década dos anos 2000, sabemos que são filmes de grande porte e apelo popular que garantem o orçamento dos estúdios, o que significa que, por conta destas obras, o restante consegue ser produzido. Até mesmo o que se chama de cinema independente, pois, apesar de o orçamento baixo, o reconhecimento só é gerado através de sua distribuição, o que significa dinheiro em marketing.

NOS TEMPOS DA BRILHANTINA

Os anos 40, 50 e 60 trouxeram ao mundo grandes blockbusters, hoje considerados clássicos da sétima arte: Como Era Verde o Meu Vale (1941), Soberba (1942), O Grande Ditador (1940), Juventude Transviada (1955), O Dia em que a Terra Parou (1951), Ben-Hur (1959), A Noviça Rebelde (1965), 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1969) e Lawrence da Arábia (1962). Filmes que se tornaram parte da história de quem ama cinema, mas, sobretudo, de quem os acompanhou em seus respectivos lançamentos, seja pela bilheteria de cada um ou pelo esmero técnico e narrativo.

Naquela época, as bilheterias eram formadas através do boca-a-boca, tipo de divulgação que até hoje faz grande efeito. São as pessoas que assistem a um filme as melhores formas de disseminar uma informação positiva ou não a respeito dele. Ao mesmo tempo, naquelas décadas ir ao cinema ainda era um grande feito: ternos pomposos e vestidos suntuosos faziam parte do retrato de longas filas de espera. Era um pouco parecido com o que era ir ao teatro, no Brasil, até os anos 80 e 90. Um evento formal, eu diria.

— Cena do filme “2001: uma odisseia no espaço” | Reprodução/Internet

Por isso, assistir a um filme não se tratava apenas de entretenimento barato. Não era. E o tempo despendido a este ritual ganhava espaço até mesmo em manchetes. Contudo, as grandes produções de Hollywood ganhavam espaço pelo esmero técnico e narrativo: as histórias ainda tinham grande tonalidade do que era ser original, apresentando ao público emocionantes viagens às vidas de donzelas e guerreiros. Idas virtudes, não é mesmo?

O CINEMA DE HOJE

Hoje, por outro lado, o cinema blockbuster é sinônimo de efeitos visuais e ritmo quase frenético. Talvez o último grande representante do “cinema de antigamente” tenha sido Titanic (1997), ou talvez eu esteja sendo nostálgico demais. A grande diferença está em como os filmes são feitos e para quê. Se hoje o cinema leva multidões por um personagem fantasioso, hoje, também, o hábito de assistir a um filme mudou drasticamente; smartphones são ferramentas para assistir a um filme.

O ato de desfrutar de uma obra cinematográfica não exige mais pompa. O transporte público, muitas vezes, serve de poltrona para quem quer e precisa se distrair a caminho do trabalho, com amendoim e pipoca fazendo as vezes de pipoca. A mudança de hábito mudou o rumo desta forma de arte, transformando-a em um bipolar meio de se entreter: a pura diversão e a pura estética, que muitas vezes não se conversam.

Portanto, enquanto outrora o cinema era um programa elegante para se fazer, com o tempo isso se adaptou às mudanças de comportamento do consumidor, que passou a enxergá-lo como entretenimento despojado. Desta forma, o que passou a ser produzido no lugar de histórias épicas e repletas de drama, que se tornaram um nicho não tão admirado assim, foi um novo jeito de continuar arrastando multidões às salas gigantes e escuras. Uma forma que, ironicamente, se tornou mandatória para o que era produzido por amor hoje ser produzido por prazer.

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