Há quem diga que é por falta de uma boa obra, há quem observe que o Brasil não sabe fazer política em Hollywood. O que temos em comum? A falta de indicações do Brasil ao Oscar desde que Cidade de Deus conquistou tardiamente quatro indicações, dentre elas a de diretor para Fernando Meirelles.

A maior e mais relevante premiação cinematográfica do mundo não se constrói apenas com glamour, mas sobretudo com a política e publicidade que produtores fazem no decorrer do ano, principalmente no final dele, para ter suas obras pleiteadas indicadas ao careca dourado tão cobiçado. Isso significa demandar de milhões de dólares e muito tempo para fazer, após o lançamento do filme, sua poltrona de ouro diante dos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, algo feito pelos irmãos Weinstein (quem diria) na época em que o filme de Meirelles se tornou elegível ao prêmio.

Mais do que as regras que o Oscar tem, portanto, é fundamental encontrar uma grande distribuidora para fazer o lobby diante dos votantes, o que o Brasil tem se mostrado não se importar ou não saber fazer. Tendo isso como dúvida ou certeza, é evidente que o Brasil poderia estar em destaque na premiação nos últimos dezoito anos com uma obra mais interessante do que a outra.

De que isso adiantaria, já que o Oscar se faz com política e publicidade? Significaria evidência para o país, tornando-o interessante ao público de diferentes nações como polo cinematográfico, tanto por suas obras quanto pelas paisagens e cultura riquíssimos que o Brasil possui; além, é claro, de oferecer mão-de-obra qualificada para filmes em todos os cantos do mundo, culminando no sentido cultural e útil da globalização.

Além disso, ter o Brasil indicado ao Oscar também resultaria em maiores resultados de bilheteria de produções nacionais, ampliando a possibilidade de novas obras serem feitas através da simples questão da demanda e da procura. Tudo isso, é claro, geraria mais empregos e a cultura nacional só teria a ganhar. Basta ver o que tem acontecido com os filmes argentinos e chilenos, isso apenas para citar vizinhos da América do Sul, com a evidência de suas obras em diversos cantos do mundo, inclusive para nós.

Mas para tudo isso acontecer, essa gigantesca e hipotética bola de neve teria de começar por algum lugar. Solução: investimentos publicitários em distribuição de obras que ultrapassem o clichê de comédia romântica ou besteirol; mais roteiros ganhando oportunidade com o estímulo da Rouanet, ao invés dos constantes boicotes sofridos nos últimos dois anos.

Talvez com isso não teríamos talentos obrigados a deixar o país e investir em suas carreiras em mercados internacionais, como é o caso do mais bem-sucedido cineasta brasileiro da história, Carlos Saldanha, criador de A Era do Gelo e Robôs, dentre outros, que neste Oscar 2018 esteve com uma indicação por O Touro Ferdinando; ou Rodrigo Teixeira, outro indicado ao Oscar, desta vez de melhor filme, produtor que trilhou interessantíssimas obras nacionais e que, nos últimos anos, fez o fantástico A Bruxa e agora o já inesquecível Me Chame pelo Seu Nome.

Infelizmente a migração não é uma porta aberta para todos, mas nós sabemos que os bons gatos pingados que possuem essa sorte estão fazendo por merecer, seja nos Estados Unidos ou na Europa e Ásia, seja por amor ao cinema ou pela paixão à arte – nenhum deles desistiu e, dessa forma, forçam a abertura do caminho aos próximos de um jeito muito mais difícil. Ah, se houvesse estímulo…

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