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Produzido a partir de verba oriunda da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, por meio do ProAC (Programa de Ação Cultural), o álbum de músicas autoriais promove resgate das ancestralidades e enaltece as culturas de matriz africana do Sudeste do país.

Lançado em 2019 “Luzeiro” reúne, em 44 minutos, 12 faixas que exploram a musicalidade obtida ao longo dos quase 15 anos do grupo.

COLABORAÇÃO | LEONARDO ESCOBAR

Arte | Flora Piquerobi

Apalavra “Paranapanema”, do Tupi Guarani, pode significar “rio tolo de pouca correnteza”, e é, também, o nome de uma cidade no município de São Paulo, cidade esta que abriga um dos rios mais importantes do interior da cidade cinza, de nome homônimo, que divide as terras do Paraná com as da maior capital do mundo. Porém, para além das correntezas interioranas, PARANAPANEMA é o nome de um grupo que, desde 2004, vem construindo um trabalho que exalta as tradições de matriz africana do sudeste, patrimônio cultural pouco conhecido e reconhecido, sobretudo pela população do estado de São Paulo, e um repertório que faz o elo entre as origens do samba paulista, as manifestações “de raízes” e o samba presente nos grandes centros urbanos.

“Luzeiro”, primeiro álbum de estúdio do grupo, foi aprovado e realizado por meio do edital de Promoção das Culturas Populares e Tradicionais do Programa de Ação Cultural – ProAC – da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do governo do estado de SP. O disco, que chegou às plataformas digitais em abril deste ano, também conta com a versão física, que pode ser adquirida clicando aqui.

Formado por Rosângela Macedo (voz), Luiz Fonseca Lobo (percussão/voz), Cesar Azevedo (percussão/voz), Nê Lucato (percussão) e Ricardo Perito (cavaquinho), o grupo Paranapanema convocou um time de bambas para a produção do disco, nomes da nova e da velha guardas como Kiko Dinucci, Osvaldinho da Cuíca, Akins Kintê, Samuel da Silva etc. Quem assina a direção musical, porém, é o pianista, percussionista e etnomusicólogo Paulo Dias, responsável por um extenso levantamento de tradições musicais populares brasileiras em diferentes comunidades, sobretudo as detentoras de tradições afro-brasileiras na Região Sudeste.

O projeto conta com composições autorais e traz a influência das vivencias de seus integrantes com as comunidades e com os mestres da cultura popular dos Jongos, do Batuque de Umbigada (Piracicaba, Tietê e Capivari), do Samba de Bumbo, do Samba de Terreiro (interior de SP) e dos Congados e ternos de Moçambique, e os mestres e compositores contemporâneos ligados ao samba e às linguagens musicais de São Paulo, durante a trajetória de quase 15 anos do grupo. Ao mesmo tempo, o disco dialoga com a música brasileira mais contemporânea, a singularidade das manifestações culturais de matriz africana do sudeste e a influência da diáspora africana na cultura do nosso país.

Ricardo Perito e Samuel da Silva nas gravações do álbum “Luzeiro” / Foto | PiÔ – produção cultural coletiva

O trabalho autoral surge como resultante entre o novo e o tradicional, entre as manifestações “de raízes” e o samba contemporâneo que circula na cosmopolita capital paulista; uma leitura artística cuja pretensão é ser a “ponte” entre as margens sócio-culturais mostrando que as tradições continuam vivas na atualidade e sendo transformadas com o tempo, e o quão grande é a necessidade de mantê-las e propagá-las. As doze composições do disco são de integrantes do grupo Paranapanema: Rosângela Macedo assina oito, Cesar Azevedo duas, e Luiz Fonseca Lobo e Nê Lucato, uma cada um.

Essa mistura característica do grupo se mostra logo na primeira faixa do disco, Classificados, trazendo a timbila, instrumento percussivo melódico oriundo de Moçambique, tocada por Gabriel Draetta, combinada com o samba de bumbo e os coros e vocalizes de Lenna Bahule, cantora e compositora moçambicana.

Foto | PiÔ – produção cultural coletiva

A presença nordestina em São Paulo se manifesta no som da rabeca de Filpo Ribeiro no samba Presente pra Iemanjá e no jongo Buliu com Fogo, dialogando com o tambor de mina do Maranhão com participação do percussionista maranhense Henrique Menezes. Aqui se percebe também com nitidez a influência da diáspora africana.

No bojo dos músicos convidados deste disco, aparece também Samuel da Silva e seu violão 7 cordas em Adeus, Doce de Pimenta, Festa de Benedito, Perdões e Presente pra Iemanjá. A penúltima faixa do disco, Fundo do Mar traz o toque do moçambique mineiro, com arranjo de violão e participação de Marquinho Mendonça. Em ritmo de samba enredo com a marcação invertida dos surdos de primeira e terceira, fazendo lembrar a bateria de Vila Isabel, Adeus anuncia que é “hora de se retirar” e de “um novo passo nessa caminhada”.

Ouça o álbum “Luzeiro” no Spotify

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