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O melhor de poder ouvir uma história é que muitas vezes são histórias que contam outras histórias e mais outras histórias da história. Parece um começo confuso, ainda não dá pra saber quem é o vilão e quem é o mocinho. Todas as personagens são suspeitas e provavelmente estão escondendo um mistério. Esse é o caso de O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel) de Wes Anderson, afinal, nada melhor do que um hotel bem assombrado para começar o Era uma vez.

Sim, ele é cor de rosa, um verdadeiro glacê no pé da montanha, do qual a primeira vista é belo e intocável, mas te dá àquela vontade infantil de passar o dedo na borda para provar o gosto de neve com açúcar derretendo no céu da boca. Entretanto, por dentro ele esconde peculiaridades e personagens que só o imaginário em torno de hotéis mal assombrados ou não explicariam tal fascinação.

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O Grande Hotel Budapeste conta além de uma história do Hotel, ele conduz a narrativa e trajetória de seus funcionários, aqueles que são parte da espinha dorsal da grande estrutura. A história passa em torno do concierge Monsieur Gustave H. (Ralph Fiennes), e Zero (Tony Revolori) ou o Loby Boy do local. Uma amizade que foi firmada em uma cena, passando do “Quem é você garotinho?” para “Ele já foi contratado pelo supervisor”. Assim, Zero, o garoto dos recados se torna mais que um ajudante, vira olhos, ouvidos, nariz e boca de seu patrão para satisfazer hóspedes e manter fluindo a energia do ambiente do Hotel.

M. Gustave por outro lado, deixa bem claro que é o neurônio por trás de todas as sinapses para que o Grande Hotel Budapeste funcione perfeitamente. Com classe e elegância que só os melhores concierges franceses entenderiam. Ele discursa nos diários sermões antes das refeições dos funcionários enquanto mantém no cômodo 4×4 que dorme lá naquele cantinho escondido, os segredos bem guardados e profundos desejos das senhoras que ele consola na temporada de veraneio.

budapeste

M. Gustave é tão querido que além de ótimo concierge, oferece serviços particulares para senhoras ricas, viúvas, de alta classe e loiras. Mas por que loiras? Gosto não se discute. Por ser tão único, uma das viúvas ao falecer o deixou de herança o quadro Do menino com a maçã. Quadro esse em que o rosto pintado lembra tanto o rosto do presenteado. Quadro que se torna o pivô da corrida pelo valor sentimental X filhos invejosos da Madame.

Bom concierge é aquele que entende os devaneios, sonhos e corações partidos de suas Madames. M. Gustave não deixaria de roubar tal quadro sabendo que os filhos mesquinhos de Madame só pensariam na fortuna. Assim começa a aventura que parte do Grande Hotel Budapeste, para topos de montanhas, segredos escondidos entre bolos com glacê e companheiros de cela.

Durante o filme, torcemos para que a verdade prevaleça e M. Gustave saia da cadeia, afinal ele é mais que um concierge, ele faz parte da Sociedade das Chaves Cruzadas, pela moral dos hotéis e honra de seus hóspedes. Ele não perde a elegância de forma alguma, mantém perto aqueles que querem seu bem e que podem ajudá-lo a manter a memória de suas tão queridas amigas. Dessa forma que se prova a lealdade de Zero, pois começar como Loby Boy significa um grande passo para a carreira nos hotéis, desde que se una e apoie as pessoas certas ou como em seu caso, tenho um “padrinho” que o conduza para uma carreia de sucesso e amizade verdadeira.

O Grande Hotel Budapeste de longe é uma comédia, com cores vibrantes, ele espera que o espectador coma pelas bordas e saboreie em detalhes cada minúcia de seus personagens e pequenas histórias.

 

 

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