A obra de Björk compila um amplo repertório artístico hipersensitivo. São diversos espaços explorados, sonoridades criadas e um repertório único, que embora, às vezes, disperso, constrói uma unidade sobre si mesma. A obra dela possui identidade própria e ilimitada.

Cada disco lançado pela artista é acompanhado de um ambiente que transcende a sua musicalidade. São figurinos, cenários, cores, formas e conceitos que traduzem o seu universo musical à sua forma extremamente peculiar. Entrar em contato com seus álbuns é conhecer um mundo novo, mas com cara, forma e figura.

Seu atual disco, Bastards, é o momento em que a peculiaridade de seu trabalho se assimila  ao de Andrew Thomas Huang. É como se ele estivesse pronto e esperando para ser usado. Andrew é um artista detentor de um trabalho totalmente singular. Assim como a islandesa, ele possui a sua linguagem particular. Sua poética própria entrelaça todos os trabalhos que se pode ver em seu site, e a densidade, subjetividade e abstração de seu olhar parecem fazer mais sentido quando se juntam à música da Björk.

São cenas, notas, cores, timbres e tantos outros elementos que meio a nuances surrealistas fazem todo o sentido. É nessas iminências que estes dois trabalhos nem chegam a conversar, mas sim a replicar uma só mensagem através de dois (e até mais) formatos artísticos distintos.

Além da capa de Bastards, Andrew também dirigiu o clipe do single Mutual Core. Para quem já conhecia seu curta-metragem Solipsist, entende perfeitamente como Björk o conheceu e por que o escolheu.

Trabalhos únicos, plurais e tão singulares ao mesmo tempo, que nos tiram da zona de conforto e nos levam a lugares particulares.

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