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Até que ponto entrar em estúdio após um disco aclamado é favorável? Tudo depende de quem estamos falando. O cenário é o ano de 1972 para 1973, na Jamaica, com os Rolling Stones vindo da avalanche que foi o Exile on Main Street. E o que fazer depois de criar um disco cheio de momentos, recortes e experimentações? Continuar experimentando.

Climas. É disso que os discos dos Stones são feitos. Goats Head Soup chegou num momento de cobrança, e entregou o que a crítica da época queria, mas jamais esperava: os mesmos Stones, mas diferentes. Seguindo legado do disco anterior, o blues guia, o rock dá o chão e isso é suficiente para experimentar ritmos, estilos e instrumentos, o que faz sobressair a tristeza carregada, que não se via nas composições anteriores.

Se essa tristeza, quase que disfarçada por guitarras tão para frente, é influenciada pelo ambiente em que estavam ou pelo momento em que a banda vivia, tudo é uma possibilidade. O fato é que alguém estava por perto para registar isso, e esse alguém se chama David Bailey. A sua fotografia é icônica, assim como é a cara do pop rock moderno. Amigo próximo dos Stones, Bailey acompanhou mudanças infindas dos ícones de natureza inquieta. Um prato cheio para um fotógrafo e um amigo perfeito para uma banda.

O momento é de experimentar, sair do lugar e incomodar. O olhar é icônico, marcante e poderoso. A mistura é inesperada e displicente a ponto de passar como apenas mais um retrato. Mas não passa. Fica alí, incomodando, dando um novo sentido a uma face tantas vezes já vista, mas confundindo o rosto tão certo que conhecemos. Nada aleatório. Goats Head Soup trata-se dos mesmos Stones, do mesmo feeling, mas com uma pitada de algo que está fora do lugar. Resultado de quem não está apenas fazendo um registro, mas de quem entende a essência, busca a sinergia e vive o processo criativo não apenas naquela atividade específica que lhe compete.

Basta ver a obra como um todo para entender que tudo se trata do momento. É tudo o mood. É só ouvir a música para conceber a forma.

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