De rasgar a fantasia

Poe o bloco na rua – Foto de Marcel Gautherot

Bem amigos, está chegando o carnaval. Você, brasileiro que não gosta da festa, já percebe a inevitável aproximação daqueles cinco dias (ou mais), de gente suada encostando em você, cerveja quente sendo vendida a preços absurdos e música ruim tomando todos os espaços. Porém, vou pedir um pouco da atenção desse seu coraçãozinho rabugento para esse fim de semana. Mesmo que você vá viajar pra um lugar bem longe da folia, porque não aproveitar um pouco do carnaval nas próximas 48 horas? Tenho duas dicas pra você sentir o gostinho nesse fim de semana, uma no ABC e outra em São Paulo.

Desfile do Bloco Pega o Lenço e Vai – Mauá

Você leu Mauá e já tá pensando “MAUÁ?”. Esse é um bloco de rua, do tipo que é só chegar e curtir o som. Sem comprar abadá, sem pagar nada. Ele é organizado pelo coletivo Terreiro de Mauá, que faz várias ações para valorizar e incentivar a cultura e a música negra na região. O mais legal desse bloco é o tema dele: Luísa Mahin e a Revolta dos Malês. Luísa foi uma escrava com uma das histórias mais sensacionais que eu já conheci. Vendida ainda criança, ela veio pro Brasil, teve um filho mestiço vendido pelo próprio ex-companheiro, abriu negócios próprios e em alguns momentos batalhou pela abolição da escravatura. Esse filho perdido é Luis Gama, poeta e advogado abolicionista. Você pode conhecer a história dos dois no excelente livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, mas esse é assunto pra outro post.

Pra quem é do ABC, vale prestigiar uma iniciativa tão linda na nossa própria região e, pra quem não é, vale pegar o trem e conhecer!

Infos: Sábado, às 15:00 - Centro Cultural Dona Leonor, Rua San Juan, 121 – Parque das Américas , Mauá (próximo a estação Guapituba da CPTM – linha Turquesa)

Skarnaval no Hangar

No já conhecido Hangar 110, sábado rola a décima edição do Skarnaval, festa que reúne várias bandas de ska (jura?), tudo num clima de folia. Duas bandas que tocaram no Carnaska semana passada dão as caras por lá: Sapobanjo e Ba-boom, além de Stop Four e Super Chaiz. Música boa e gente bonita.

Infos: https://www.facebook.com/events/233606570051404/

Bora farrear e bom fim de semana!

Já tem programa pra sábado?

Esse fim de semana rola o CarnaSka, evento que vai reunir um monte de banda legal e de graça. Sábado é no Centro Cultural da Juventude (Zona Norte de São Paulo) e domingo na pista de skate de São Bernardo do Campo.

Vai ter bandas bem legais, como os caras do Ba Boom, que recentemente divulgaram o excelente clipe de Amizade Prevalece (dá até pra fingir por uns instantes que o ABC é demais) e Sapobanjo.

Mas, o que eu queria apresentar pra vocês é a banda da foto aí em cima: The Slackers. Os americanos fazem desde a década de 1990 um som que passeia entre o ska e tem uma pegadinha de blues. Não conhece? Dá uma olhada e veja se anima:


The Slackers – Married Girl


E aqui, nesse lindo cover de Bob Dylan


 Você pode conferir mais informações sobre os eventos no facebook aqui (Sampa) e aqui (ABC).

O céu vai ficar pesado…

…culpa da Etta James, que morreu hoje, vítima de uma leucemia. Etta foi uma cantora de blues, ou melhor A cantora de blues e fez parte da histórica Chess Records, junto com Chuck Berry, Muddy Waters, Little Walter e Howlin’ Wolf. A Chess, iniciativa de dois judeus brancos, era uma gravadora que ficava em Washington, na década de 60, com a segregação racial vivendo seu auge. Música de negros, produzida por brancos, que quebrou de vez a barreira negro/branco com Chuck Berry. Graças a esses lindos que o rock como conhecemos existe.

Etta era uma Mulher com M maiúsculo. Com culhões. Sobreviveu a uma infância difícil, um vício em heroína, álcool e uma obesidade mórbida que a fez pesar quase 200kg.

Apesar de cantar muitas músicas que não eram composições próprias, ela tinha um jeito incrível de transmitir emoção através de sua voz forte. Dá até medo dela te bater, sério mesmo, sinta a energia:

Aqui, ela faz uma interpretação incrível de It’s a man’s man’s world, do James Brown e mostra que amigo, sem nós vocês não seriam nada mesmo:

E, pra finalizar, a minha música favorita dela, cantando um amor perdido. De arrepiar:

Agora imagina só uma jam session com ela, Amy Winehouse, Janis…

“I’d rather be a musician than a rockstar”

Há 10 anos, morria de câncer o Beatle mais legal: George Harrison. Você pode discutir que o Paul é mais músico e as composições do John são melhores, mas tentar chegar a uma conclusão sobre o melhor Beatle é quase a mesma coisa do que falar de futebol e religião.

George sempre foi o mais desencanadão do grupo. Foi graças as suas viagens malucas que em vários sons dos Beatles podemos ouvir uma cítara e barulhos de passarinhos. Nada me tira da cabeça, por exemplo, que foi ele que teve a idéia de por passarinhos cantando antes do começo de Across The Universe.

Depois dos Beatles, George teve uma longa carreira solo, cantando é claro suas composições feitas na época do fab four e também um monte de outras pérolas com letras do caralho, além de um jeito único de tocar guitarra. Não falo de ser virtuose, mas de transmitir uma emoção incrível em arranjos que reverberam até hoje.

Ou vai me dizer que você, leitora, não ia querer que alguém fizesse isso com você?

Não importa se o cara fez essa música pra mina que depois ia ser surrupiada pelo Eric Clapton, se até o Frank Sinatra disse que ela é a melhor música de amor de todos os tempos, quem somos nós, reles mortais, pra discordar?

Pra finalizar, uma das mais conhecidas de sua carreira solo, mas que na verdade foi gravada na época do Beatles ainda. A fita foi a seguinte: logo que saiu da banda, Jorginho (é assim que eu o chamo), pegou tudo seu que não foi aproveitado nesse tempo e lançou. É o caso dessa belezoca aqui.

Jorginho, o mundo é um lugar bem mais lindo só porque você existiu aqui.

*Ah, vale lembrar que o Martin Scorsese fez um documentário especial pro George, Living in The Material World, lançado esse ano.

Prepara o capacete!

Tá chegando o dia do show e o resultado da promo sai hoje às 22h00 (o quê? Não sabe do que eu tô falando? Entra nesse link que você pode ganhar da gente dois vips pro show de sexta).

Pra te aquecer, vim compartilhar aqui essa maravilha que é uma mixtape que os caras do Gramofone Virtual descolaram, dá pra baixar e curtir essas pedras do Black Alien, que tem umas raridades e a clássica que com certeza rola sexta, O  Timoneiro!

Baixe já e vá preparando seus ouvidos pra sexta! Vai ser pesado!

Tracklist:
01 – Em volta a mesa (Speed Freaks)
02 – Versos após Versos (Arthur Moura)
03 – Jamaican from Japan
04 – Zagreb (Arthur Moura)
05 – Check dis sound (Intro Speed Freaks Demotape)
06 – Give me Ganja (Bulletproof)
07 – This Not the End (Filha da Puta) (Speed Freaks)
08 – Manha de Carnaval (Arthur Moura)
09 – Hit Hard Hip Hop (Black Alien)
10 – Timoneiro (Black Alien & Speed Freaks)
11 – Baleric
12 – Viva o Speed (Speed Freaks)
13 – Brothership 94 (Black Alien and Speed)
14 – Bônus (Agora Atenção)

Black Alien em Santo André!

Gustavo Ribeiro, vulgo Black Alien, lançou um som novo com a colaboração de Junior Dread e Stereodubs. Não tinha como dar errado, se liga:

Falando em Black Alien, o cara está prestes a lançar um álbum solo novo, sete anos depois do primeiro e histórico Babylon By Gus vol 1: O Ano do Macaco. (Aliás, falando em Babylon by Gus, minha música favorita desse é essa aqui). Chamado de “Mr. Niterói: A Lírica Bereta”, ele vem acompanhado de um documentário homônimo, feito pelo mesmo diretor do doc Black Alien: O Filho Pródigo. Ó o trailer:

Tá, já coloquei uma porrada de vídeos, mas deixei o melhor pro final. Sabe qual é o melhor? Que o cara tá vindo pra Santo André! Dia 11 rola um show no Mezzanine, pelo Projeto Control. Depois de um monte de gente que manda bem, tipo Criolo, Marechal e De Leve,  tá na hora do Black Alien, como diz o Sombra nesse vídeo feito (tã-dã) pela equipe SOUL ART:

Estamos avisando com antecedência pra ninguém ficar de fora!

Você não vai moscar, né?

Feel Good Song

Sexta-feira. Não importa se você vai sair, vai ficar em casa, vai beber, vai sair pra jantar. O dia tá lindo e faltam menos de 4 horas pra você estar livre (ou não), leve e solto pro fim de semana. Portanto, pare de ouvir músicas da fossa e abra seu coração pra essas maravilhas alto-astral.

Grouplove – Chloe

Eu não conhecia esse grupo, é um pouco hipster demais pra mim. Mas uma amiga me mandou essa faixa super animadinha e o melhor de tudo: tem o meu nome! Cadê seu deus agora Michelle, Julia, Layla?


 

Easy Stars All Stars – With a Little Help from My Friends

Esses lindos merecem um post só deles, mas essa regravação dos Beatles também merece um lugar no seu coração hoje.

Cachorro Grande – Agora Eu Tô Bem Louco

Tá, vocês podem não gostar. Mas se você é do time que não vai ficar sóbrio hoje, não tem como não dar uma animadinha de leve.

Beastie Boys – (You Gotta) Fight For Your Right (To Party)

Clássica, clássica e clássica. Clipe animal!


E você? Qual sua feel-good song? Bom fim de semana e batalhe mesmo pelo direito tão nobre de ir à desforra!

Hoje

Bom, tava pensando aqui em como ia estrear no blog. Quis falar de rap e de histórias, afinal, é tipos o começo de uma história (sem ser piegas) escrever em um lugar novo, pra um público novo e num blog que está praticamente nascendo de novo.

Pra brindar isso e essa terça-feira com cara de São Paulo mesmo, um dos melhores caras que eu ouvi esse ano e um excelente contador de histórias – Rodrigo Ogi.

Se liga nesse som, “Por que, meu Deus?”. É uma história clássica no rap – um assalto à banco. Só que aqui o Ogi conta também a história do polícia que tava na cena, tão difícil quanto a do assaltante e contada de um jeito simples e envolvente.

Ele tá com seu primeiro CD solo, chamado “Crônicas da Cidade Cinza”. Lá conta várias histórias, adivinha só de onde? A arte da capa é feita pelos Gêmeos e nas faixas Ogi fala da vida dos motoboys, dos desempregados, dos policiais, dos grafiteiros e de todo mundo que divide um espaço que nem existe aqui em São Paulo. A abertura do CD é essa linda poesia do Plínio Marcos seguida de um som que tem o dedo do Stereodubs.

“Crônicas” pode ser ouvido na íntegra na fanpage do cara que, se eu fosse você, curtia.