Uma Nova Canção por Arnaldo Tifu

Era sábado e eu tinha uma cerveja marcada na padaria do centro de Santo André, por volta das 15 horas. Sabe aquelas tardes bonitas de verão, com sol quente, brisa fresca na cara e tudo o que temos direito? Então, era um dia desses. Cheguei 10 minutos atrasado e Arnaldo Tifu já estava me esperando com uma garrafa gelada na mesa. A conversa começou animada, planos e projetos turbilhando como um carro sem freios descendo uma ladeira. Arnaldo me falou que alguns amigos iriam comparecer e participar do encontro. Eles vieram, profissionais, cada um com sua especialidade, uma equipe. E assim a conversa foi elevada a outros patamares ao ponto de só me lembar do Arnaldo dizendo que, mais tarde iria fazer uma sessão de fotos em um prédio abandonado, ali perto. Por sorte, tenho o costume de carregar a minha câmera comigo, na mochila, para estar pronto sempre que precisar. Quando chegamos na locação, acredito que o mesmo sentimento bateu em todos com a mesma intensidade. Imaginar que aquelas ruínas um dia foi um hospital causou uma sensação definida como um misto de curiosidade e tensão. Os cliques das câmeras eram frenéticos, contrastando com as paredes queimadas e pixadas e os entulhos pelo chão. Alguns corredores mais escuros, outras salas menores iluminadas por raios de sol que insistiam em penetrar pelas frestas que se formavam entre as rachaduras, foi algo bonito. Por mais estranho que pareça, enxerguei poesia naquela situação. O ponto mais exótico e iluminado do prédio era o corredor, totalmente destelhado, com a lage exposta, no segundo andar do edifício. Diego Coelho “Mék”, o fotógrafo, estava quase terminando a sua sessão. Chegou o momento, saquei a câmera, olhei para todos e falei: “vamos gravar?”. Sem praticamente nenhum ensaio, conseguimos registrar um momento de inspiração em que o Mc Arnaldo Tifu com transparência e sinceridade nos apresentava uma nova canção.

“Um cigarro queimando a ponta dos dedos

No meu samba-enredo cantei meus segredos,

o meu sonho, o meu mundo, a minha fé, os meus medos.

Nas conquistas eu vi como o sol nasce cedo.

Hoje cedo nas ruas mais uma canção

Mais um gole, uma dose que vem o perdão

Minhas mãos calejadas e a construção

Os pés firmes na estradas mantém a direção

Um poema escrito à mão que eu fiz

Diretriz é ouvir o que o sábio lhe diz

que na vida todo mundo quer ser feliz

e quem não quer, me diz?

Cada pássaro canta uma nova canção

Todo canto ecoa um novo refrão

Todo outono as pétalas caem no chão

Toda flor sem amor morre cedo demais

Toda dor só é dor porque lhe falta a paz

Vi um filho clamando o Seu nome, ó Pai

Vi a lua chegando, enquanto o sol cai…”

Letra: Arnaldo Tifu • Fotos: Diego Mék • Direção: Gabriel Alexandre

Aqui Jaz

Inspirador, a palavra que melhor se encaixa para definir o trabalho do escritor de grafitti Franco Fasoli, vulgo Jaz. Assim como a maioria dos artistas urbanos, Jaz começou a desenvolver o seu traço nas ruas e atualmente o seu nome é reconhecido como um dos maiores grafiteiros da Argentina. Está sempre em busca de novas técnicas e novos materiais para desenvolver os seus murais e com um estilo único é reconhecido mundialmente.

No belo vídeo produzido pela equipe mexicana Mamutt Creatividad, nosso hermano comenta um pouco sobre a relação de sua arte com a convivência no espaço público e temos a oportunidade de ver o artista em ação em pleno território mexicano.

 Muy bien, hombre!

Pôsteres filosóficos

Como resumir complexas teorias filosóficas em um layout gráfico utilizando somente de formas geométricas básicas e no máximo três tons de cores? Pois é, árduo trabalho que o designer catalão Genis Carreras realizou em sua série intitulada Philosophy Posters.

Para enriquecer ainda mais essa publicação, entrei em contato com Adriano Correia — formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP — e o desafiei a fazer o caminho inverso: resumir as imagens em poucas linhas.

O resultado foi esse:

Uma posição “absolutista” é aquela que não admite alternativa. Trata-se muito frequentemente de um xingamento e não de uma posição filosófica que alguém defenda de fato. Porém, na Idade Moderna, absolutismo é sinônimo de monarquismo ou realismo, em que se tem um monarca ou um rei absolutos, inquestionáveis.

Tudo é incerto (ou pouco certo) e qualquer verdade é subjetiva, diz respeito a um indivíduo ou grupo.

Toda percepção é moldada pelo sujeito, o mundo exterior ou não existe, ou é inacessível tal como é.

Não há liberdade, tudo é cognoscível, o mundo e o homem funcionam como mecanismos.

Não somos determinados por um destino ou pela natureza, nossas escolhas são próprias de nossa vontade, indeterminada e independente das circunstâncias externas.

Ética do prazer. Do grego “hedon”, doce.

Na formulação nietzscheana, destruição dos valores de uma moral de escravos, como a ética cristã, e construção de valores próprios, típicos de uma moral de senhores.

Todo conhecimento parte dos sentidos e da experiência.

Do grego “holos”, todo. Descrição da natureza como “todos” interativos, que são mais que a mera soma de partículas elementares.

Há várias facetas, porém fundamentalmente consiste em se resumir o complexo ao (mais) simples, a mente ao cérebro, o homem ao corpo.

Movimento cultural renascentista que põe o homem no centro do universo (antropocentrismo) e vê o ser humano como fundamentalmente capaz de realizar o que for, sem depender de qualquer ser superior.

Crença fossilizada ou ponto doutrinário impassível de dúvida.

Tematização da falta de sentido da vida e das coisas.

Toda a realidade é produto da imaginação de um único sujeito. Subjetivismo supremo.

Há várias formulações. Basicamente a realidade se dá em uma tensão fundamental entre dois elementos, ou ainda a realidade se divide em duas instâncias (exemplo: dualismo cartesiano, em que a realidade está cindida entre res cogitans e res extensa).

A razão é autossuficiente e, se usada corretamente, é livre de erro.

Versão racionalista do teísmo, crença em Deus independentemente de uma religião ou verdade revelada. Não se tem um livro sagrado.

Ausência de crença em um deus ou crença de que Deus não existe.

Filosofia que engloba uma série de doutrinas, basicamente uma versão materialista do historicismo hegeliano. Quando a filosofia se faz (temporariamente ou não) uma ciência primariamente social e em que toda a realidade é de algum modo submetida à economia.

Posição filosófica que tem mais de uma forma histórica. Comtismo, positivismo lógico, etc. Basicamente a noção de algo positivo é a de algo dado. Doutrina cientificista.

Posição ética em que a maximização da utilidade é vista como o principal meio de se alcançar a felicidade individual ou geral.

Fenômeno histórico-político em que uma autoridade ou várias autoridades se impõem sobre a sociedade de modo ditatorial.

Posição epistemológica que consiste em uma atitude ética de suspensão do juízo (epokhé). O cético não diz que é impossível ter certeza, ele apenas suspende seu juízo quanto a essa possibilidade.

Há várias formulações. Ser realista em relação a algo é ter a posição filosófica de que algo existe de modo extramental, independente do sujeito do conhecimento.

Arte & Transformação

Será que realmente a arte pode transformar a vida de uma pessoa?

O documentário Arte & Transformação, produzido pela equipe da SOUL ART, está aqui para levantar a bandeira do debate artístico e cultural. Ou seja, questiona os conceitos de arte, levando as pessoas a refletirem sobre a importância das artes na formação cultural e social. Tem como objetivo compartilhar as ideias dos entrevistados com o cidadão comum, com pessoas interessadas em artes e com um público geral que não tem acesso a determinado tipo de informação. O foco principal é incentivar as pessoas a irem atrás das artes, mostrando o quão importante elas são e o papel fundamental como modificadora social; e também, divulgar o trabalho de artistas independentes, em suas áreas específicas.

Todas as entrevistas foram realizadas entre agosto e novembro de 2011, e o time de entrevistados foi formado por: Criolo (Cantor), Evandro Not (Grafiteiro), Rui Amaral (Professor de artes, grafiteiro e artista plástico), Thais Beltrame (Artista plástica), Mauro Ferrari (Grafiteiro), Marco Rabello (Artista plástico), Tikka (Grafiteira e artista plástica), Marcelo Cabral (Músico e produtor musical) e Thiago França (Músico).

ROA, seu animal!

Cada vez mais o artista belga ROA espalha seus animais em murais pelo mundo. Se você um dia se deparar com um bichinho desses por aí, já sabe quem foi.

Espanha

Bélgica

Rússia

Inglaterra

Itália

EUA

México

Austrália

Gâmbia

Animal, né?

Promoção: SOUL ART, SOU VIP!

Quer entrar de graça junto com um acompanhante no show do Black Alien em Santo André no dia 11/11/11?

Para participar basta seguir o twitter da SOUL ART - twitter.com/_SOULART e dar um RT na frase:

RT pra SOUL ART me levar de graça no show do BLACK ALIEN em Santo André – http://soulart.org

O encerramento e sorteio da promoção será realizado no dia 10/11/11 às 22hr.
O vencedor será anunciado via twitter.

Boa sorte!

Sobre a morte de Sabotage…

“Quando o Sabotage morreu, recebi ainda no hospital várias ligações da imprensa – a globo ligou perguntando quem era Sabotage pois eles não sabiam e queria dar a notícia (e ouviram um sonoro “vão tomar no meio dos seus cús”). Saiu em todos os grandes jornais, mas somente no caderno policial, como se a tragédia não tivesse sido com um grande artista. Durante o enterro, emissoras de TV tiveram seus carros virados pela multidão e foram obrigados a fazer a inoportuna cobertura por helicóptero. Revistas que nunca tinham feito entrevistas com ele o colocaram na capa. Confesso que todos esses absurdos potencializaram meu desgosto pelo jornalismo inescrupuloso que impera no Brasil e sempre achei que essas abordagens sem relevância são como um câncer para a produção cultural brasileira.” 

Daniel Ganjaman (músico e produtor musical)

Flanger – Midnight Sound (2000)

Se eu não tivesse a mania de treinar os ouvidos para sonoridades consideradas agressivas em termos de harmonia e bla bla bla de teoria musical, poderia facilmente dizer que Flanger faz um tipo de música que psicopatas gostam de escutar no carro antes do jantar.

Pode até ser, mas acho que combina mais com aquele dia que você chega em casa totalmente cansado, liga o som e se entrega para o sofá enquanto a música involuntariamente se torna a trilha perfeita para os seus pensamentos mais íntimos.

Ou então, se um dia alguém for DJ de uma festa (do cabide) no elevador, poderia usar facilmente este álbum em sua seleção. Afinal, Flanger é ambient, meio electro, jazzy & sexy.

O álbum Midnight Sound é espacial e combina com uma garrafa de vinho e pouca luz. Quer testar? Prove aqui!