Quando suecos encontram um russo

Eu tenho essa mania de ver tudo quanto é vídeo musical que o youtube me sugere, como se fosse meu próprio Lúcio Ribeiro falando na minha orelha. Acontece que essa tática nunca me deixou na mão e, há alguns anos, me apresentou mais uma das muitas melhores bandas (suecas) do mundo: The Tiny. Mas este post não está aqui para falar da banda em si, mas de um vídeo amador que não poderia ser mais profissional. Um bom samaritano juntou partes do Entuziazm de Dziga Vertov (aquele de Man with a Movie Camera) com a bela melodia de Everything is Free Now, dos suecos. Confere aí!

Incrivelmente alto e extremamente perto

Vocês vão ouvir falar muito de Extremely Loud & Incredibly Close neste ano, pois o romance de Jonathan Safran Foer (a mesma mente boa que nos trouxe Everything’s Illuminated) publicado em 2005, vai estrear nas telas comercias do cinema fazendo uma penca de gente chorar com a história fofa e triste de Oskar Shchell, um garoto estrainho de 9 anos que perde o pai no 11 de setembro e percorre Nova York a fim de desvendar um segredo. Certamente, o livro deve aparecer traduzido por aqui também, com aquelas capas maravilhosas só que ao contrário de cartaz de cinema.
Ao contrário da adaptação de seu romance anterior Everything’s Illuminated, que ganhou o nome de Uma Vida Iluminada por aqui, a adaptação de Extremely Loud & Incredibly close não parece muito atraente para aqueles que leram o livro (como eu) e o viam perfeitamente em uma produção simples e independente, sem grandes astros e, definitivamente, sem Bono Vox como trilha sonora. No entanto, o diretor, Stephen Daldry é o mesmo de “As Horas” e “Billy Elliot”, dois queridos da minha lista de filmes para assistir na vida. Bom, fica aqui o trailer do filme que promete ser sucesso em 2012:

De qualquer forma, recomendo o livro original, é extremamente fácil de ler, cheio de “leitura interativa”, frases incrivelmente bem construídas, e a história secundária sobre os avós do garotinho é, em minha opinião, muito mais valiosa do que a procura do menino pelos segredos de seu pai morto. Para melhorar – *spoiler* – o livro termina com um flip book de 14 páginas. Uma belezinha!

capa original

“When I was a girl, my life was music that was always getting louder. Everything moved me. A dog following a stranger. That made me feel so much. A calendar that showed the wrong month. I could have cried over it. I did. Where the smoke from a chimney ended. How a overturned bottle rested at the edge of a tablle.
I spent my life learning to feel less.
Everyday I felt less.
Is thar grwoing old? Or is it something worse?
You cannot protect yourself from sadness without protecting yourself from hapiness.”

Tem para vender na Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=1377547

Uma música para o seu longo dia

Uma de minhas músicas preferidas tem 11 minutos e 53 segundos, e eu não tiraria nem um segundinho sequer. “The past is a grotesque animal” do Of Montreal é quase um livro de tão boa. Então, fui caçar na minha listinha do winamp (sim, sem i tunes para mim) quais outras músicas que não acabam e que eu bem que gostaria que não acabassem mesmo. Ficam aí as dicas para os dias longos.


(11:53)


M83 – Beauties Can Die
(14:37) tem como ser mais bonita?


(9:27)


(só 6:02)

:)

35a Mostra Internacional de Cinema

Já está disponível a programação completa da Mostra deste ano com filmes imperdíveis! No topo da minha lista está o “The Future”, da Miranda July, citado no post The cool kids.  Mas serão cerca de 250 títulos para cansar de comer pipoca!

Minha maior dica é se concentrar naqueles títulos que você sabe que não chegará nas telas tupiniquins  em breve ou, quem sabe, nunca. Deixe os mais famosinhos e premiados para “caso dê tempo”, pois eles certamente entrarão na programação normal e, alguns, até em cinemas comerciais.

A mostra também traz uma exposição no MIS com trabalhos (pinturas, ilustrações, instalações e colagens) do cineasta Sergei Paradjanov, que também ganha um retrospectiva durante a programação. Vale dar um pulo!

Como sempre, os ingressos são vendidos nos cinemas que participam e, para quem quiser comprar pacotes,  existe a Central da Mostra no Conjunto Nacional. Lá também são vendidos livros com a programação e demais souvenirs.

Aproveitem!

Atrizes que cantam: Zooey Deschanel

Você certamente se lembra dela partindo o pobre coração do garoto que curtia Smiths em 500 days of summer (500 dias com ela). Você também se lembra da cena que virou meme em vários blogs, não é?

expectativas X realidade

Pois bem, eu diria que Zooey é expectativa + realidade. Você olha para ela e espera algo de qualidade diferenciada, e é exatamente isso que recebe. A moça se juntou ao brilhante músico M.Ward e nasceu o She & Him. Em seu segundo álbum (Volume Two), a dupla não inventa e segue o que já deu certo no primeiro (pirulito para quem acertar o título desse), uma mistura de música dos anos 50 com country, pop e rock deliciosa de se ouvir e até dançar.

 


 

Zooey tabém faz vídeos caseiros. Eis um cover de uma música country dos anos 50.

 

E o ano está quase acabando, o natal chegando e Zooey não se esqueceu de você! Está aí um disco com músicas de fim de ano. (Fica a dica para meu presente de natal).

Atrizes que cantam: Scarlett Johansson

Já vou avisando que aqui vai uma série de posts  ”mulherzinha”, mas para os machos seguidores, mulherzinhas pra lá de desejáveis.

Muitas atrizes soltam a voz, inventam bandas e interpretam groupies e rock stars, mas aqui vão três que me pegaram de surpresa (boa): Scarlett Johansson, Zooey Deschanel e Charlotte Gainsbourg.

Sou bem suspeita para falar da Scarlett Johansson, ainda mais depois do devasso movimento #johanssoning (quem nunca?), mas a loira andou soltando a voz nos últimos anos. Primeiro, com o disco de covers do Tom Waits  ”Anywhere I Lay my Head”, produzido por David Bowie, que também dá seus pitacos nos vocais das músicas. Confesso que não é de agradar a todos os ouvintes e pode deixar muito fã de Tom Waits indignado, mas não é de se jogar fora. A voz rouca e apática da atriz faz você querer ouvir mais.  ”Falling Down” é a única música do álbum que ganhou clipe. É um rockinho até que bem agradável, vai!

Mas apesar das críticas, Scarlett não parou por aí. Juntou-se ao compositor Pete Yorn e, em 2009, a dupla lançou seu primeiro álbum: “Break up”. Baladinhas dançantes inspiradas em Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot. É para ficar curioso. Experimenta aí!


(Sim, sim, é a música de alguma propaganda. Também não me lembro qual.)

A moça é bonita, boa atriz, tem até uma voz boa, é do rock, mas como todo mundo tem defeito, checa só o carisma da pessoa no palco. (morri de sono e de vergonha alheia).


Depois, tem mais: Zooey Deschanel e seu She & Him.

The cool kids

Primeiro, conheci a Miranda, alta, de pele absurdamente clara, cabelos negros e aqueles olhos gigantes e azuis. Aí, ela abriu a boca e disse: “Se você realmente me ama, então vamos fazer um pacto bem aqui e agora.” Tá, não delira, Renata. A verdade é que a Miranda é também conhecida como Miranda July, artista plástica, produtora, cineasta, curadora, escritora, roteirista, atriz, cozinheira… Sabe esse tipo de gente que começou e nunca mais parou? Pois esta é a Miranda. A frase delirante acima é a abertura de seu primeiro longametragem chamado: “Me and you and everyone we know” (“Eu, você e todos nós”, em tupi), e do que se trata esse filme, afinal? De tudo e de nada, bem típico dos filmes independentes aka ‘indies’, que de alguma forma conseguem mudar minimamente sua vida. O enredo gira em torno do possível relacionamento entre Christine (Miranda July), que em minha opinião interpreta a si mesma; e Richard (John Hawkes), um vendedor de sapatos. Bom, depois, conheci as outras versões da moça, também escritora com o brilhante: “No one belongs here more than you” (“É claro que você sabe do que estou falando”, em tupi-grego), e para completar vem dezenas de projetos artísticos, curtas, intervenções e muitos “etc” que vale a pena googlar.  Fica aqui um exemplo:

Sem falar de seu novo longa “The Future“, que foi exibido no Sundance e anda rodando os festivais do mundo. Se nós tivermos sorte, ele pode aparecer na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, agora em outubro de 2011. Vou contar com a sorte.

Mas o melhor é que a bonita faz parte daquela galerinha que você (eu) gostaria de fazer parte. Sabe o grupo legal da escola? Pois foi através dela que conheci Matt McCormick, outro cineasta digno de uma googlada, com quem já trabalhou em projetos paralelos. E não é que chegou em minhas mãos uma cópia de seu novo filme “Some days are better than others“!? Pois é, Matt deu um pulo em nossa cidade no ano passado e exibiu seu longa na Academia Internacional de Cinema. Eu acabei ganhando como presente e não tive coragem de vazar. Tem coisa que é preciso respeitar.

Spike Jonze e Miranda July em set de "I'm Here"

E para completar o cool kids, a cereja do bolo: Spike Jonze, que também é amigo da Miranda, e surgiram uns boatos de que iriam começar a trabalhar juntos na época em que Spike gravava o belíssimo curta “I’m Here” (que ainda vai render um post inteiro para ele). Ainda não vi resultados dos boatos, mas só de saber que todos esses seres, que começaram e nunca mais pararam, estão juntos já dá uma vontade ridícula de produzir alguma coisa, não é?