“O Encouraçado Potemkin” (1925)

Sergei Eisenstein

Sergei Eisenstein

Aproveitando o gancho da aula de história do cinema do 4° semestre de Produção Editorial, vou dar início a seção “Cinema” deste blog. Na verdade, esta seção deveria chamar-se “Clássicos do cinema”; ou até quem sabe: “História da Rússia e toda sua contribuição para o cinema mundial”, mas como o soulart.org é bem amplo, vamos começar com pequenas doses de grande efeito cultural:

Filmado em apenas dois meses, “O encouraçado Potemkin” (Bronenosets Potyomkin) de Sergei Eisenstein, foi montado em 1925 com um extraordinário apuro técnico, cenas cujo rítmo supera, com folga, qualquer clip pós-moderno da geração MTV.

Sob encomenda para comemorar os 20 anos da Revolução Russa; parte de um fato histórico de 1905 – rebelião de marinheiros de navio de guerra – para criar uma obra universal que fala contra a injustiça e sobre o poder coletivo que há nas revoluções populares.

É dividido em cinco partes que se ocupam em provocar uma situação de espaço-tempo onde todos os pormenores apresentam um significado a ser apreendido pelo espectador. De forma a transcrever ideias complexas e ideologias profundas, Eisenstein chegou ao uso de técnicas de montagem inspiradas nos ideogramas orientais. Se determinado ideograma significa “telhado” e outro, “esposa”, a união dos dois é lida como lar. Desta forma, é o choque entre duas imagens aparentemente díspares que cria o impacto, o sentido a que se quer chegar.

A clássica cena na escadaria de Odessa é a quarta parte do filme. As cenas iniciais banhadas em luz e alegria são substituídas pelas imagens chocantes de repressão violenta pela guarda do Czar. A própria escada já traz, em si, um símbolo da cruel hierárquica social e política, da diferença entre as classes. A cena da mãe assassinada, cujo carrinho de bebê desce degraus abaixo, é sempre citada como uma das mais famosas da história do cinema.

Eisenstein foi precursor no uso de efeitos especiais, usou contrastes e relações de corte e montagem que ainda hoje servem como base para a realização de filmes experimentais. Comprem, aluguem, emprestem, baixem… façam como preferir, mas não deixem de assistir!

Criador da SOUL ART, produtor audiovisual da FECAP, fotógrafo, diretor de arte, músico e vegetariano. Pratica a arte de enxergar poesias escondidas entre os pequenos detalhes da vida, com uma pitada de adrenalina, e tem certeza que sua vida faz parte de um filme metalinguístico.

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