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Bar

Substantivo masculino

  1. Estabelecimento público popular composto de um balcão e bancos altos, onde são vendidas e servidas bebidas e refeições ligeiras; botequim.

— Foto | Boteco da Dona Tati / Por | Gabriel Alexandre

Há mais coisa entre os bares e as pessoas, Horácio, do que sonha a nossa vã língua portuguesa.

Sendo os bares os herdeiros diretos das tavernas babilônicas, contam os ingleses que a origem da palavra “Bar” tem a ver com a “barra” que era utilizada no balcão destes mais antigos estabelecimentos para que os clientes não tivessem contato direto com os funcionários. Pioneiros, o primeiro bar da história dos bares fica na Inglaterra e data de meados de 1500. Estrangeirismos a parte, os bares chegaram ao nosso Brasil-brasileiro junto com a Família Real Portuguesa e eram, inicialmente, ambientes frequentados pela alta classe. Predestinados – lógico! – a serem da massa, não demorou muito para que os primeiros botequins (ou bodegas) surgissem como espaço de convívio comum, abrangendo as figuras populares.

Fato é que, além de carnaval e futebol, os bares são, de certo, paixão nacional! Até porque, carnaval e futebol, veja bem, tem tudo a ver com o quê? Com bar! Aliás, tudo o que há de mais sensato e atrativo na vida humana pode ser encontrado num bar. Não bota uma fé? Dá teu jeito, vá a um bar e veja com seus próprios olhos. Os bares são, desde os mais primórdios tempos, muito mais do que lugares que servem bebidas alcoólicas ou petiscos rápidos, como nos diz nosso ingênuo dicionário. Palco de encontros amigáveis, sarjeta para os desiludidos, púlpito para os mais fervorosos debates, aconchego dos poetas, músicos e compositores, trabalho, diversão, conforto… o muito ainda é pouco para explicar a atmosfera deste templo sagrado das delícias mundanas.

Então, por essas e todas as outras, como disse o mestre Gonzaguinha, “mesa de bar é onde se toma um porre de liberdade”. E é pensando justamente no quão libertos somos nós em ambientes tão agradáveis como estes, que iniciamos a série “Bares da Cidade”, visando contar a história dos bares mais queridos da noite paulistana, apresentando tudo o que estes divinos lugares podem oferecer a nós, meros mortais. Da cozinha ao balcão, dos clientes aos garçons, dos petiscos aos drinques, vamos enaltecer esta cultura litúrgica e tão brasileira de levar a vida. Trabalhando, sempre, a conexão entre as palavras e as imagens da poesia notívaga, mensalmente visitaremos um bar situado em São Paulo, apresentando seus serviços e relacionando sua história e funcionamento à música popular, fiel e indubitável companheira das noites de boêmia.

Bodega, taverna, botequim, boteco, baiuca, tendinha, chafarica, futrica, locanda, tasca, venda… chame como quiser! Todos os caminhos levam a um mesmo destino e a uma mesma prática comum; apinhar-se entre as quatro quinas duma mesa, amigar-se à figura de um garçom, relaxar com as pernas esticadas em dois de paus e degustar das mais suculentas e irresistíveis maravilhas da baixa gastronomia luso-tupiniquim.

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