Manifesto Público: As Batalhas Resistem

Nosso país está passando por um momento delicado, de mudanças e reformas. Existe uma necessidade muito grande de nos unirmos para trocar informações e debater sobre nosso atual cenário, só então seremos capazes de construir um futuro melhor.

O primeiro passo para encontrar soluções para um problema é entender, de fato, qual é o problema, da onde surgiu, e de que maneira atinge a sociedade. Criar soluções criativas não é algo tão difícil para o brasileiro, mas se falta informação toda criação é limitada.

Foto por Don Juan Fotografia

A cultura dos manifestos corresponde a uma necessidade legítima dos artistas, e da sociedade no geral, de conquistar um espaço nos meios de comunicação responsáveis por fazer a ponte entre suas ideias e o grande público.

Nos últimos meses, diversos encontros culturais têm sofrido repressão policial com o objetivo de dispersar e enfraquecer movimentos legítimos e de extrema importância para a população.

Foto por Don Juan Fotografia

Acontece em São Caetano do Sul, com a Batalha da Galeria. Onde a repressão policial é constante, e por diversas vezes tanto público, quanto mcs são expulsos da praça de maneira extremamente violenta. A GCM age sob as ordens da prefeitura, que no caso dessa cidade é Auricchio, do PSDB.

Aconteceu em Rio Grande da Serra, onde a Batalha do Fundão foi boicotada e impedida de acontecer por um mandato do atual prefeito a cidade, Gabriel Maranhão, também do PSDB.

Foto por Gabriel Centurion

A Batalha da Matrix, em São Bernardo do Campo, vêm resistindo a esses ataques de repressão já há um tempo. E, na última terça-feira, dia 14, houve mais um episódio de violência policial contra os jovens que ali se reuniam. Dessa vez, nem sequer foi no horário da Batalha. Bombas de gás lacrimogênio e balas de borrachas são atiradas em jovens que estão na rua, com o simples objetivo de se manifestar, ou se expressar artisticamente.

Aconteceu até mesmo com o Slam da Resistência, batalha de poesia que acontece toda primeira segunda-feira do mês, na Praça Roosevelt, em São Paulo. Em sua primeira edição do ano, dia 6, os organizadores do Slam tiveram que conversar com a polícia tendo em mãos a constituição federal, para garantir que, dentre tantos outros, o direito de reunir-se pacificamente em locais abertos ao público fosse garantido.

Fotografia por Mídia Ninja – Marcelo Rocha

Vejamos, por mais de 20 anos (1964-1985), o Brasil caminhou debaixo de ordens, que não eram democráticas, através do regime militar. Não se tinha o direito de liberdade de expressão, e era totalmente proibida qualquer manifestação pública contra o regime.

Após o fim desse período de ditadura, foi estabelecida a Constituição Federal, em 1988. Ou seja, um conjunto de normas que define a política fundamental, princípios políticos, e estabelece a estrutura, procedimentos, poderes e direitos, de um governo.

Fotografia por Mídia Ninja – Marcelo Rocha

Segundo o artigo 5º da Constituição, todos são iguais perante a lei, e ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante. Esse mesmo artigo também nos garante que é livre a manifestação do pensamento, assim como é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação.

Portanto, esses ataques não apenas são desumanos, mas também, e principalmente, são contra a lei. Mas se, teoricamente, a polícia é responsável por manter a ordem e cumprir a lei, então quem é responsável por fiscalizar se eles mesmo não ferem a constituição?

Estaríamos nós, lentamente, voltando aos tempos de viver através de uma semiliberdade?  Devemos nos manter munidos de informação, para seguir na luta. As batalhas resistem! Resistência e resiliência são nossas armas de poder. Seguimos avante, sem dar um passo pra trás.

Meu nome de batismo é Thaís Aguiar, mas adoro quando me chamam de Tata. Sou cantora, da rua mesmo. A vida faz poesia, e eu escrevo-as. Gosto de inventar coisas. Inventei a AllaCoci, marca de comidas artesanais. A gente faz chocolate e distribui poesia. Às vezes também organizamos uns eventos, só porque gostamos de reunir pessoas.

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