Pôsteres filosóficos

Como resumir complexas teorias filosóficas em um layout gráfico utilizando somente de formas geométricas básicas e no máximo três tons de cores? Pois é, árduo trabalho que o designer catalão Genis Carreras realizou em sua série intitulada Philosophy Posters.

Para enriquecer ainda mais essa publicação, entrei em contato com Adriano Correia — formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP — e o desafiei a fazer o caminho inverso: resumir as imagens em poucas linhas.

O resultado foi esse:

Uma posição “absolutista” é aquela que não admite alternativa. Trata-se muito frequentemente de um xingamento e não de uma posição filosófica que alguém defenda de fato. Porém, na Idade Moderna, absolutismo é sinônimo de monarquismo ou realismo, em que se tem um monarca ou um rei absolutos, inquestionáveis.

Tudo é incerto (ou pouco certo) e qualquer verdade é subjetiva, diz respeito a um indivíduo ou grupo.

Toda percepção é moldada pelo sujeito, o mundo exterior ou não existe, ou é inacessível tal como é.

Não há liberdade, tudo é cognoscível, o mundo e o homem funcionam como mecanismos.

Não somos determinados por um destino ou pela natureza, nossas escolhas são próprias de nossa vontade, indeterminada e independente das circunstâncias externas.

Ética do prazer. Do grego “hedon”, doce.

Na formulação nietzscheana, destruição dos valores de uma moral de escravos, como a ética cristã, e construção de valores próprios, típicos de uma moral de senhores.

Todo conhecimento parte dos sentidos e da experiência.

Do grego “holos”, todo. Descrição da natureza como “todos” interativos, que são mais que a mera soma de partículas elementares.

Há várias facetas, porém fundamentalmente consiste em se resumir o complexo ao (mais) simples, a mente ao cérebro, o homem ao corpo.

Movimento cultural renascentista que põe o homem no centro do universo (antropocentrismo) e vê o ser humano como fundamentalmente capaz de realizar o que for, sem depender de qualquer ser superior.

Crença fossilizada ou ponto doutrinário impassível de dúvida.

Tematização da falta de sentido da vida e das coisas.

Toda a realidade é produto da imaginação de um único sujeito. Subjetivismo supremo.

Há várias formulações. Basicamente a realidade se dá em uma tensão fundamental entre dois elementos, ou ainda a realidade se divide em duas instâncias (exemplo: dualismo cartesiano, em que a realidade está cindida entre res cogitans e res extensa).

A razão é autossuficiente e, se usada corretamente, é livre de erro.

Versão racionalista do teísmo, crença em Deus independentemente de uma religião ou verdade revelada. Não se tem um livro sagrado.

Ausência de crença em um deus ou crença de que Deus não existe.

Filosofia que engloba uma série de doutrinas, basicamente uma versão materialista do historicismo hegeliano. Quando a filosofia se faz (temporariamente ou não) uma ciência primariamente social e em que toda a realidade é de algum modo submetida à economia.

Posição filosófica que tem mais de uma forma histórica. Comtismo, positivismo lógico, etc. Basicamente a noção de algo positivo é a de algo dado. Doutrina cientificista.

Posição ética em que a maximização da utilidade é vista como o principal meio de se alcançar a felicidade individual ou geral.

Fenômeno histórico-político em que uma autoridade ou várias autoridades se impõem sobre a sociedade de modo ditatorial.

Posição epistemológica que consiste em uma atitude ética de suspensão do juízo (epokhé). O cético não diz que é impossível ter certeza, ele apenas suspende seu juízo quanto a essa possibilidade.

Há várias formulações. Ser realista em relação a algo é ter a posição filosófica de que algo existe de modo extramental, independente do sujeito do conhecimento.

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