O design de Alberto Carballido

Foto: Diego L. Rodriguez

Querendo ou não, o tempo todo somos bombardeados de informações gráficas. Estamos sujeitos a essa overdose de letras, cores, linhas e curvas que indiretamente ficam registrados em nosso subconsciente, provando que a organização destas informações é cada vez mais necessária para facilitar e alinhar as nossas necessidades com os nossos costumes. Aí entra o papel do design e do designer. Faça um teste, conte quantos cartazes estão presentes em seu dia e repare na particularidade e influência que cada um deles exercem em sua vida.

Foto: Diego L. Rodriguez

E por falar em design, tivemos o prazer de entrevistar o designer madrilenho Alberto Carballido que nos contou um pouco sobre o seu trabalho, o processo criativo na hora de desenvolver um layout e suas principais influências. Ah, ele contou também que está desenvolvendo novas oficinas e conferências, e que planeja vir para São Paulo expor o seu trabalho. Será que em breve teremos uma instalação dele por aqui?

Olá Alberto, como foi o seu primeiro contato com o mundo das artes?

Venho de uma família de trabalhadores, meu pai trabalhou em uma gráfica e quando ele entrava pela porta eu sentia o cheiro do papel, mas não tenho nenhuma influência artística por parte de minha família. O primeiro contato com as artes que consta em minha memória foi com o design gráfico, eu tinha uns 13 ou 14 anos e desenhava umas letras góticas para camisetas de um grupo de amigos. Usava um esquadro, régua, compasso e uma caneta Rotring 0,3.

Quais são as suas principais referências artísticas?

Acredito sinceramente que a inspiração e as referências estão ali fora, em cada passo, em cada olhar. Bebo muito do design escandinavo, da escola Suiça e do modo de interpretação das formas da Bauhaus. Adoro tipografia e lettering de um modo geral. Qualquer suporte onde o homem se expressa com a forma das palavras é uma grande referência estética.

Qual é a sua formação?

Me formei em design gráfico e editorial mas me considero uma pessoa muito autodidata. Acredito em nossa vocação, acho que temos que fugir dos livros, das imagens prontas, e que temos que nos atrever a desenvolver os nossos próprios projetos, é a melhor formação caso não tenhamos a oportunidade de fazer de uma maneira acadêmica. Se quer algo, tem que fazer com as suas mãos, não importa quem está lhe ensinando.

Como funciona o processo criativo na hora de desenvolver um trabalho?

Não sou uma pessoa metódica na hora de começar a desenvolver um projeto. Mas sempre parto de uma ideia muito conceitual, algo simples que desenho em qualquer lugar. Uma vez que me coloco em frente ao computador, sou bastante meticuloso com o uso da tipografia, por ser a primeira coisa que defino, quais tipos vou usar e então começo a desenhar uma estrutura física e imagino como penso em encaixar as ideias. Ainda acredito naqueles dias em que tudo funciona a partir do nada e em que você não consegue fazer nada, apesar de estar pensado naquilo o tempo todo. Você tem que ir e deixar fluir.

Veja mais no site do designer: albertocarballido.com

Criador da SOUL ART, produtor audiovisual da FECAP, fotógrafo, diretor de arte, músico e vegetariano. Pratica a arte de enxergar poesias escondidas entre os pequenos detalhes da vida, com uma pitada de adrenalina, e tem certeza que sua vida faz parte de um filme metalinguístico.

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