10 anos de Babylon By Gus: A nova aurora do Black Alien é agora

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

Quem viu o show comemorativo de dez anos do Babylon By Gus na semana passada em São Paulo sabe que vale a pena perder umas horinhas de sono pra contar o que aconteceu por lá. E, se não viu, um gostinho de leve pra você sentir o drama:

“Há 13 anos, nos Estados Unidos, caíram as torres gêmeas e três anos depois uma torre aqui no Brasil começou a ser construída. Essa torre se chama Babylon By Gus, anunciou o MC Rodrigo Brandão antes de chamar ao palco seu amigo há 23 anos Black Alien, seu parceiro e Alexandre BasaDJ Castro para dar início aos trabalhos com Mr. Niterói. Porra, eu tinha 14 anos quando o Gustavo lançou esse álbum e até hoje ele influencia tanta gente… Da quebrada ao colégio particular, do rolê de carro ao goró na rua. O público mostrava bem isso: todo tipo de galera, além de presenças ilustres como Kamau, Fióti e Sombra, colou no Cine Joia pra assistir a uma inédita execução na íntegra do disco clássico do rap nacional.

Fotografia Por Hudson Rodrigues

© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

Com uma cara saudável, o protagonista da noite cantou acompanhando pela plateia o tempo todo. Depois de Como eu te quero, um cara que tava do meu lado com a namorada vira pra mim e diz: “pedi minha mina em casamento com essa música”. Os dois estavam em sintonia com o clima que Black Alien ditou pra noite: muito amor. Em diversos momentos, o Filho Pródigo honrou o apelido e distribuiu mensagens sobre espiritualidade ao público. Deu até água pra plateia, dizendo que queria chegar a ser avô e bisavô. “Eu tive que parar pra tratar da barriga, do fígado, do pulmão e do cérebro, pra fazer um disco a altura do que vocês merecem, e eu mereço também”, justificou entre uma música e outra. Valeu a pena.

©2014 Thiago Nascimento.

© Thiago Nascimento / SOUL ART 2014

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

Depois de From Hell Do Céu, uma pausa estratégica e um retorno pro palco cheio de novidades. Na inédita “Terra”, que abriu o bis, Black Alien pede desculpas pela demora do novo album e fala sobre informação, fé e melodia — que parecem mesmo ser os motes principais do aguardado vol. II de Babylon By Gus. Depois, já rouco, apresentou ainda mais três músicas ainda desconhecidas do público, Identidade — gravada entre 2009 e 2010, período em que foi assassinado Speedfreaks, amigo e parceiro de longa data, onde o rapper mostra um lado mais obscuro e próximo de seus antigos trabalhos –, Homem de Família, com um título bem autoexplicativo, quase uma continuação madura de Como eu te quero e outra com levada romântica, Somos o Mundo. Completaram a session final duas pedradas das antigas: Sua Cara Em Contra Mão, com Speed e Na Noite se Resolve, parceria com BID no lindo álbum Bambas & Biritas, de 2004.

©2014 Thiago Nascimento.

© Thiago Nascimento / SOUL ART 2014

SABOTA

© Pedro Favero / SOUL ART 2014

No fim das mais de duas horas de apresentação, subiu ao palco Wanderson Sabotinha, herdeiro de Sabotage, outro parceiro de Black Alien covardemente assassinado. Os dois entoaram junto com a fiel plateia Um Bom Lugar, um final apoteótico pra uma noite emocionante pra quem, como eu, cresceu conhecendo os truques por trás dos batuques e os vilões por trás dos violões graças a Gustavo de Nikiti, um sobrevivente que parece estar só começando. “Vão em paz, cuidado com a polícia e cuidado com vocês mesmos, principalmente” — é assim a despedida. Amém!

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

Nasceu há 23 anos num hospital sem luz e com o cordão umbilical enrolado no pescoço, o que talvez diga muito sobre a sua vida. Ela bem que tentou fugir da Comunicação, mas hey! aqui está ela se dividindo entre os lados do balcão do jornalismo. Pode ser encontrada facilmente em bares e dificilmente em lojas ou rodas de mulheres. Acha que arte e cultura tinham que ser tão abundantes e acessíveis quanto braços suados e pessoas apressadas nos metrôs da vida.

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