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De repente, em pleno domingo tedioso, abre-se uma clareira bem a nossa frente: é Marcelo Camelo, sua banda e suas samambaias.

Tenho, particularmente, algo muito forte com shows e ver Marcelo Camelo, junto a banda Hurtmold e ao trio dos metais: Bubu, Tiquinho e Jaziel, adentrando ao teatro do Sesc Vila Mariana me arrepiou. Foi quando se ouviu os primeiros acordes seguidos por vocais tão limpos quanto uma brisa. Estava começando um verdadeiro SHOW.

Todos sabemos que Camelo já conta com uma longa carreira preludiada com a banda Los Hermanos – ao lado de Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina – mas em 2008 lançou seu primeiro álbum solo Sou – ou, como a arte poema de Rodrigo Linares nos possibilita ler, Nós – e, mais recentemente, em 2011, lançou Toque Dela. Foi justamente essa mistura de Los Hermanos e sua carreira solo que nos foi apresentada.

Depois de ter saído da banda, Marcelo logo segregou amigos músicos para seu projeto solo. Amigo na bateria, amigo na guitarra, amigo no trompete. Tudo isso, em um clima intimista, fez o público se sentir em uma homogênea felicidade.

 

Nossos ouvidos, assim como nossos sorrisos, foram contemplados com clássicos e neoclássicos da melhor música contemporânea produzida no Brasil. Hinos de uma geração que idolatra os grandes Hermanos, como Pois é foram apresentados. Além de Morena, uma bela e deliciosa canção em que os músicos dos metais (trompete e trombone) foram até a plateia roçar suas melodias. Um ponto nostálgico, por assim dizer, foi quando Camelo convidou Rodrigo Barba (baterista dos Los Hermanos) – que estava assistindo ao show – para tocar com ele. Não é preciso dizer que, como dizem, eles arrebentaram.

 

Saindo da nostalgia Hermanos, Camelo também mostrou canções da sua nova (ou nem tanto assim) fase solo. Os neoclássicos Téo e a Gaivota, Doce Solidão e Liberdade nos vieram de forma tão bela e inesperada. E claro, Janta – música sua para a “mulher”, como foi apresentada por ele, Mallu Magalhães – não faltou, assim como a presença dela. O amor terno entre os dois transborda como dificilmente se vê pelas ruas empoeiradas.

Ao final do espetáculo, o sentimento já era de festa, de comemoração. A quê? Nada mais do que ao amor, julgo eu. Todos os amigos, juntos no palco cantando e dançando ao som de Copacabana, foi coisa linda de se ver. Foi então, não mais que de repente, que Camelo nos disse: “Venham todos ao palco cantar com a gente!”. A energia desse momento foi tão forte quanto indizível, como diria Décio Pignatari.

Contudo, nada explica, tampouco os arrepios, o que foi assistir a esse show, estar e participar desse espetáculo épico. Marcelo Camelo chegava a mim como um dos grandes músicos atuais e esse show apenas legitimou meu pensamento. Marcelo, você é foda!

 

No entanto, deixo aqui um protesto: fãs fundamentalistas, parem de viver com os olhos de câmera. Vivam com os olhos da alma. E desliguem os flashs, por favor.

 

Fotos por Renata Bonfá

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