Para os fãs e admiradores da vida vampiresca, a 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo passará junto com uma orquestra composta por 80 músicos, ao ar livre no Parque do Ibirapuera, o clássico do ano de 1922: Nosferatu, Eine Symphonie de Garuens, ou Nosferatu, uma sinfonia do horror de Friedrich Wilhelm Murnau.

A figura tradicional presente em nosso imaginário sobre os sugadores de sangue belos e sedutores nem sempre foi assim. Normalmente quando falamos de vampiros, lembrados automaticamente de Drácula, de Bram Stoker ou mais recentemente de Edward Cullen, de Stephenie Meyer, porém, estamos falando de um ser que vem se metamorfoseando ao longo dos séculos e nem sempre teve dentes pontudos, uma aparência elegante ou carros bonitos.

Nosferatu representa justamente essa transformação do mito vampiresco. Para quem leu o livro de Stoker sabe que o Conde Drácula era perturbadoramente desejável, mas quem já viu o vampiro de Murnau, sabe que a tendência é gritar e sair correndo. Nosferatu, ou o Conde Orlock, representado no filme pelo ator Max Schreck, foi transformado numa figura monstruosa, é careca e suas unhas das mãos parecem armas de tão compridas, que combinam com seus dentes extremamente alongados (e não o tradicional canino pontudo), andando lentamente de aparência cansada, aparecendo na surdida atrás de uma porta, num canto da sala ou simplesmente atrás de você. O vampiro criado por Murnau perturba todo o protocólogo da moda e da beleza tradicional vampiresca.

Sim, ele vive num castelo na Transilvânia, mas sem os milhares de empregados e as três esposas bonitas. E ao contrário do que dizem que os vampiros não têm sentimentos, Nosferatu já incorporava uma espécie de adoração, ou possivelmente um amor por uma bela dama (a noiva do mocinho da história) que primeiramente ele conheceu em foto, e posteriormente se deleita em seus braços. Sim, ele ama, de uma forma um tanto quando diferente, talvez seja mais um amor pelo sangue de sua presa, do que amor romântico.

Não revelarei o final da história, já que a adaptação de Murnau para o cinema é boa ao livro de Stoker, mas a linguagem é outra. Talvez Murnau tenha moldado um personagem para que tudo nele seja repugnante, para que pensemos numa putrefação viva de um corpo, mas, por outro lado, o cineasta perturba ao nos mostrar as expressões tão marcantes do vampiro. Ele pode ser feio, aparenta nunca ter tomado um banho, mas o close up em seus olhos revelam a janela de uma alma que já foi humana, mostrando a curiosidade, o desejo e a esperança.

O encanto do cinema mudo, em cada olhar, cada gesto, cada careta, nos convida a despertar nossos sentidos, para ficarmos atentos em todas as cenas, nos mínimos detalhes, enquanto a música nos leva a uma sinfonia, do horror ou possivelmente do amor.

SERVIÇO:
Quando? 02/11/2012 (Dia dos vampiros, ops, de Finados)
Onde? Parque do Ibirapuera
Quanto? Ainda não divulgado

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