VIII Dia do Graffiti no Bixiga – A rua é nossa!

© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

Ao chegar pra cobrir a oitava edição do Dia do Graffiti no Bixiga, que rolou no dia 30/03 na Treze de Maio, já trombamos o maestro do Sarau Suburbano, Alessandro Buzo, que conduz toda terça a reunião de poetas ali mesmo, no número 70 da Treze, na livraria Suburbano Convicto. Buzo, incentivador desde o começo do Dia do Graffiti, estava lá na missão de levar pela terceira vez ao evento uma amostra do que é o Sarau. “É uma honra para nós que somos da casa fazer parte disso, ocupar as ruas do Bixiga com arte”, comemorou Buzo trocando ideia com a gente.

© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

Desde o meio dia, grafiteiros foram ocupando os muros da rua e a frente toda do número 70, aproveitando a estrutura do evento para colorir também os pontos mais altos dos 12 metros de fachada do prédio. A obra participativa contou com a curadoria do coletivo Stencil Brasil e do MZK, que convidaram para lá os grafiteiros Pato, TomB, Koblitz, Risada, Renan Cruz e muitos outros. “Foi um prazer reunir esses nomes em um evento aberto onde todos podem participar”, contou MZK. O artista também é responsável pelas capas dos dois álbuns lançados pelo Bixiga 70.

© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

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O Bixiga 70 — batizado assim adivinha por quê? — também tem participação fundamental no evento. Desde 2007, o guitarrista e um dos fundadores do grupo, Cris Scabelo, passou a dar uma força pro Toni Nogueira, criador da festa, que cresce a cada ano, atraindo toda sorte de gente pro bairro, da galera do rap aos quase-hippies e até os hippies de verdade, que trocam por algumas horas as bijuterias a serem vendidas, pela diversão gratuita oferecida por essa banca toda. “Levar o nome do Bixiga é uma responsa muito grande, por isso tentamos devolver ao bairro o que levamos ao público que nos assiste”, comenta Cris, que cresceu frequentando a região com o pai, mais um motivo pra colaborar com a revitalização da área.

Dia do Grafitti no Bixiga 2014

Bixiga 70 por Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

As atrações começaram com o grupo Capoeiras da Bela Vista, com o tempo ainda firme. A chuva que começou a cair na sequência, quando a bateria mirim Pegada do Macaco, da Vai Vai, começou o batuque com as baianas da Escola e um mini-casal de mestre-sala e porta-bandeira, foi companheira intermitente do público e dos artistas durante toda a tarde. Depois do Novolhar Break, o Sarau Suburbano entrou no palco com várias pedradas, proferidas ao som de rap ou declamadas em ritmo cortante e a plenos pulmões. Eles não precisam de microfone mesmo. Akins Kinte, um dos escalados de Buzo, cravou o recado: “A coisa aqui não tá preta, antes tivesse”. O Sarau foi encerrado pelo MC Tubarão Dulixo, morador do Bixiga e também apresentador e apoiador do evento. O Tubarão também lançou pras nossas câmeras alguns de seus versos quando deu seu depoimento, que você confere no vídeo. E quem precisa de guarda-chuva nessas horas?

© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

Enquanto o interior do prédio ainda era pintado do corredor às escadas, a chuva tinha dado uma trégua e a música já tomava a frente do evento, com o aguardado MC Sombra, que homenageou Sabotage já na abertura, com Cocaína, quando deu a letra: “Agora é pique discurso antidrogas”. Sombra também lembrou os clássicos do SNJ Viajando na Balada e seu hit solo Mano, eu vou ali comprar um chá. Durante a apresentação, o rapper ainda mostrou os belos beats de seu novo álbum, Fantástico Mundo Popular. Na saída do show, acompanhado da nossa equipe pra gravar o vídeo, foi parado por um motoboy, que o chamou pelo nome e falando o nome de sua vila. “Acontece sempre com ele”, disse o assessor que nos acompanhava enquanto o MC atendia o fã.

© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

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Com a festa caminhando pro final, a banda Zebrabeat subiu ao palco para mostrar o groove paraense regado de metais quentíssimos, contando ainda com a participação do imorrível Di Melo, que abriu sua participação com a agitada Kilariô. Uma aula para o público, para os músicos e também para a pequena filha do cantor, Gabi, presença carimbada no palco dos shows do pai. Di Melo ainda mandou outras canções de seu clássico álbum de 1975, como a linda A vida em seus métodos diz calma e Se o mundo acabasse em mel.

© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

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© Priscila Castilho / SOUL ART 2014

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© Hudson Rodrigues / SOUL ART 2014

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Jogando em casa e aguardado por um público de cerca de 4 mil pessoas, o Bixiga 70 encerrou o dia com o som potente de seus dois trabalhos, lançados em 2011 e 2013 (ambos batizados com o nome da banda). Durante o show, a plateia não parou com o afrobeat da big band local. Quem teve pique ainda colou no Mundo Pensante, pra assistir a Nômade Orquestra e comemorar mais um dia memorável pra cidade e, especialmente, pra quem tem a sorte de morar no simpático Bixiga.

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Nasceu há 23 anos num hospital sem luz e com o cordão umbilical enrolado no pescoço, o que talvez diga muito sobre a sua vida. Ela bem que tentou fugir da Comunicação, mas hey! aqui está ela se dividindo entre os lados do balcão do jornalismo. Pode ser encontrada facilmente em bares e dificilmente em lojas ou rodas de mulheres. Acha que arte e cultura tinham que ser tão abundantes e acessíveis quanto braços suados e pessoas apressadas nos metrôs da vida.

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