Red Lion — Orgulho da Quebrada de Onde Eu Vim

Noite de lua cheia de maio, sexta-feira, 12 de maio. Foi a data escolhida por Red Lion para celebrar o lançamento do seu primeiro EP solo. Como bom aprendiz de ciências como Astrologia, e Kundalini Yoga, Red Lion fez questão de lançar seu novo projeto na lua nova. No dia 27 de abril, as cinco faixas do álbum ficaram disponíveis nas plataformas digitais.

A festa de lançamento aconteceu no Madiness Club, em Mauá – SP. Nada mais justo celebrar com seus conterrâneos essa nova etapa de sua carreira. No camarim, amigos íntimos e velas dão o clima de consagração. A noite é de festa. Nas pick ups, Dj Voodoo, Dj Alemão Fyah e Camilão Fyahman botaram fogo na pista.

Entre os convidados especiais, artistas locais como Vitrolla, Diggão Ragga, Lanna Rodrigues, e eu também estive lá. Nosso irmão Tifu, de Santo André, também estava na casa, além do Raggnomo (Amanajé Sounds) e Lillo de Las Zikas. Abrimos a sessão no mic, todos juntos, e um por vez, em uma sintonia sagrada.

Red Lion, começou a cantar com o J*Z Sound System, em meados de 2007. Lançou um álbum com o Triplex, em 2014. E participou de inúmeras celebrações históricas dentro da cena Sound System. Conheceu diversas cidades do Brasil, cantou sobre elas em Quem é essa menina (ouça aqui), e agora lança seu primeiro trabalho solo.

Um EP intitulado De Onde Eu Vim, com 7 faixas, todas captadas no estúdio do produtor Jeff Boto (Original Dubatak Records), também responsável pela mixagem. Com produções do DJ B8, Jeff Boto, Amanajé Sound System e Fya Sound, no single Quem é essa menina?. E masterização por Gabriel Pereira. A fotografia e arte final foi assinada por Premier King.

Para quem ainda não conhece seu trabalho, vale a pena buscar saber. Para quem já conhece e admira, é justo compartilhar mais. Para você que deseja levá-lo para seu baile: Contato para shows: contatoredlionmc@gmail.com ou familiamacaroni@gmail.com.

Troquei umas ideias com ele alguns dias após seu show de lançamento, e pude fazer algumas perguntas referentes ao seu trabalho, processo de criação do EP, além de outros projetos.

Esse é seu primeiro trabalho solo, antes disso você lançou o álbum Um Degrau de Cada Vez com o Triplex, pelo Jardim Zaira Records. E agora tá lançando esse EP pela Família Macaroni. Esse é seu novo selo? Como começou essa união?

Ainda faço parte do Zaira Records, com o grupo Triplex, e inclusive estamos trabalhando em um novo álbum. A história da Famíllia Macaroni é a seguinte, em 2014 rolou o Reunion of Dub, foi quando eu conheci a rapaziada do Paz e Dub, eles vieram tocar na arena que o JZ estava amplificando, e rolou uma sintonia muito fina entre a gente. Nesse mesmo ano eles nos convidaram pra fazer uma sessão no Bailinho do Paz, que é um baile que eles promovem em Franca – SP. Nesta sessão, estavam presentes também os irmãos do Ganja Groove, e eles soltaram uma música que fala “ole, ole, macaroni”, e a gente brisou nessa música. No ano seguinte, em 2015, o Júlio, selecta e criador do Paz e Dub, veio morar em São Paulo e nós estreitamos nossa relação, fortalecemos nossa amizade e decidimos criar a Família Macaroni. De início, nós optamos por criar a família mesmo, a irmandade, a fraternidade. Então criamos o conceito da família, com os pilares LUF (Lealdade, Unidade e Fraternidade). E agora, estamos no processo de estruturar o selo, fazer a produtora mesmo. Ainda não tem nada oficial, mas já temos alguns irmãos que somam com a gente, se identificam e já são partes da Família Macaroni. Mas ainda estamos nos estruturando nessa questão de selo e produtora.

E sobre o EP, como iniciou a produção? Quem fez o que?

Me reuni como Júlio, falei que eu tinha uns trabalhos aqui que eu queria lançar, e aí a gente começou a trabalhar no “De Onde eu Vim”. Como ele já tinha uma amizade com o Boto (Original Dubatak Records), ele nos conectou para fazer esse trabalho. Então, as bases foram produzidas por Jeff Boto, DJ B8, Fyah Sounds e Amanajé Riddins. A captação de voz foi no Dubatak Studio, São Paulo, captadas e masterizadas pelo Jeff Boto e masterizadas pelo Gabriel Pereira. Aí esse meu primeiro EP saiu pelo selo Família Macaroni com distribuição digital pelo Dubatack Records. Agora, estamos nos organizando pra fazer outros lançamentos da família, mas é algo que ainda está começando, estamos jogando pro Universo e vamos ver quem se identifica com a Família.

Sobre o lançamento, você soltou o projeto no dia 27 de Abril, Lua Nova, e realizou a primeira festa no dia 12 de Maio, Lua Cheia. Acredito que tenha sido proposital, qual o motivo por de trás dessas datas?

Então, visão astrológica eu aprendi com o Ghorumba, meu chai, meu grande amigo, meu grande mestre. Kundalini Yoga, astrologia, muita coisa eu aprendi com ele. E ele sempre me falava pra gente sempre lançar nossos projetos novos na lua nova, que assim ele cresceria como a lua. Na verdade eu nem tenho muito conhecimento técnico sobre essa área, mas eu senti isso, e foi muito bom. Senti que eu lancei e ele ficou como a lua nova mesmo, na primeira semana ficou um tanto escondido. Nós ficamos um pouco ansiosos pra saber a reação da rapaziada. E agora depois desses dois shows, em Mauá, dia 12, e no Zé Presidente, no dia seguinte, o que a gente tanto queria se confirmou. O pessoal tá curtindo som, tá gostando das músicas, se identificando com as letras. Então eu estou muito feliz com a reação do público.

Você começou a cantar no J*Z Sound System, e vocês tem uma projeção não apenas estadual, mas também nacional. Viajou por diversas cidades do Brasil, inclusive cita várias delas no seu single “Quem é essa menina”, mostrando a plenitude do cenário Sound System no país. Você percebe alguma diferença entre produzir e promover cultura para e entre nós, que viemos de Mauá, ou para o Júlio (Paz e Dub) que veio de Franca, do que fazê-lo num nível nacional? Sente como isso pode gerar um legado de inspiração e influência para todos que também vieram de cidades periféricas?

Legal essa pergunta, Tata. Eu queria falar isso mesmo. O J*Z é para crianças, Há dez anos, eu era uma criança, que queria cantar e o J*Z foi quem me abriu o microfone pra mim e me ensinou tudo o que eu sei. Foi o Camilo Fyahman e o Luiz Cláudio Fumaça que me ensinaram o que é ser um MC. Sou do Jardim Zaíra Sound System e serei até eu morrer. E para mim é uma honra poder alcançar as pessoas através da música, servir de inspiração para alguns, isso é uma honra. São essas pessoas que curtem nosso trabalham, que ama a cultura, que apoiam e dão suporte para o que fazemos. Contamos com isso, que o público se engaje, vá às sessões fechadas, comprem as camisetas, os adesivos. Porque não recebemos apoio do Poder Público, eles não fazem nada por nós, e quando nós fazemos eles também não incentivam. Então é nós por nós. Com o J*Z cada um de nós trabalhamos muito. Nós fizemos festas, juntamos nosso dinheiro e compramos nosso sistema de som. E foi a mesma coisa com o Paz e Dub, em Franca – SP. É assim em todo lugar, as pessoas apoiam, vão às sessões, mas ainda assim isso não coloca comida no prato de ninguém. A gente faz isso porque a gente ama. Isso é pelo nosso amor, vai além da cultura em si, a gente gosta do que a gente faz, a gente ama praticar a cultura do reggae. O Sound System é pé no chão, é celebração, é uma sessão pra que a gente possa ouvir nossas músicas. É pro povo, principalmente da periferia que não tem condições de sair pra ir pros clubes. Então é isso, “De onde eu vim” é um EP feito para o Jardim Zaíra. Para a cidade de Mauá. E para a Cultura Sound System.

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Meu nome de batismo é Thaís Aguiar, mas adoro quando me chamam de Tata. Sou cantora, da rua mesmo. A vida faz poesia, e eu escrevo-as. Gosto de inventar coisas. Inventei a AllaCoci, marca de comidas artesanais. A gente faz chocolate e distribui poesia. Às vezes também organizamos uns eventos, só porque gostamos de reunir pessoas.

1 Comentário para "Red Lion — Orgulho da Quebrada de Onde Eu Vim"

  1. Que entrevista sensacional. Vivi a maior parte da minha vida, no Zaira, incrivel saber dessa turma fazendo arte em Maua. Quero conhecer mais. Grande abraço e sucesso.

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