Sinestesia – Disco começa pela capa: duas linguagens e uma só mensagem

A obra de Björk compila um amplo repertório artístico hipersensitivo. São diversos espaços explorados, sonoridades criadas e um repertório único, que embora, às vezes, disperso, constrói uma unidade sobre si mesma. A obra dela possui identidade própria e ilimitada.

Cada disco lançado pela artista é acompanhado de um ambiente que transcende a sua musicalidade. São figurinos, cenários, cores, formas e conceitos que traduzem o seu universo musical à sua forma extremamente peculiar. Entrar em contato com seus álbuns é conhecer um mundo novo, mas com cara, forma e figura.

Seu atual disco, Bastards, é o momento em que a peculiaridade de seu trabalho se assimila  ao de Andrew Thomas Huang. É como se ele estivesse pronto e esperando para ser usado. Andrew é um artista detentor de um trabalho totalmente singular. Assim como a islandesa, ele possui a sua linguagem particular. Sua poética própria entrelaça todos os trabalhos que se pode ver em seu site, e a densidade, subjetividade e abstração de seu olhar parecem fazer mais sentido quando se juntam à música da Björk.

São cenas, notas, cores, timbres e tantos outros elementos que meio a nuances surrealistas fazem todo o sentido. É nessas iminências que estes dois trabalhos nem chegam a conversar, mas sim a replicar uma só mensagem através de dois (e até mais) formatos artísticos distintos.

Além da capa de Bastards, Andrew também dirigiu o clipe do single Mutual Core. Para quem já conhecia seu curta-metragem Solipsist, entende perfeitamente como Björk o conheceu e por que o escolheu.

Trabalhos únicos, plurais e tão singulares ao mesmo tempo, que nos tiram da zona de conforto e nos levam a lugares particulares.

Eduardo Ribeiro é designer gráfico, comunicador e gestor cultural independente. Com 6 anos de idade pedia pra irmã colocar o Kill ‘Em All do Metallica e o resto da história vocês podem imaginar. Atualmente escreve a coluna “Sinestesia – Disco começa pela capa” aqui no Soul Art e atua como diretor de arte da banda Marco Nalesso e A Fundação e do Coletivo Marte e nunca se afasta da música simplesmente porque é impossível.

2 Comentários para "Sinestesia – Disco começa pela capa: duas linguagens e uma só mensagem"

  1. Tive a honra de acompanhar um show da turnê Biophilia, no Chile, no festival Lollapalooza, este ano (na minha opinião, melhor apresentação de todo o festival, quiçá a melhor entre todas que já vi na vida). Segunda a crítica, aquele seria o álbum mais audacioso da carreira da islandesa, mas vejo agora que para ela não existem fronteiras e que nem mesmo o céu é o limite.

    Existe em seus trabalhos uma espécie de sinergia que eu não consigo explicar em palavras. É um exemplo de artista completa.

    Muito bom o texto, Eduardo, parabéns!

  2. Tive a honra de acompanhar um show da turnê Biophilia, no Chile, no festival Lollapalooza, este ano (na minha opinião, melhor apresentação de todo o festival, quiçá a melhor entre todas que já vi na vida). Segundo a crítica, aquele seria o álbum mais audacioso da carreira da islandesa, mas vejo agora que para ela não existem fronteiras e que nem mesmo o céu é o limite.

    Existe em seus trabalhos uma espécie de sinergia que eu não consigo explicar em palavras. É um exemplo de artista completa.

    Muito bom o texto, Eduardo, parabéns!

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