ROA, seu animal!

Cada vez mais o artista belga ROA espalha seus animais em murais pelo mundo. Se você um dia se deparar com um bichinho desses por aí, já sabe quem foi.

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Animal, né?

Os 3 (2011) de Nando Olival

Três jovens chegados à São Paulo se encontram numa festa e compartilham conjuntamente um banheiro. Dali surge uma amizade, e o convite para dividirem um apartamento juntos. A menina sugira um pacto de não envolvimento entre os três. De tão unidos são conhecidos na faculdade (cursam juntos o mesmo curso, coisa que não entendi) como Os 3. Breve a aspirante à atriz se envolve com um deles, diante do outro (aspirante a escritor/poeta) que a “ama” (original) de modo platônico. Um trabalho escolar sugere uma espécie de reallity show por internet, onde audiência pode comprar os produtos apresentados no programa envolvendos moradores de uma casa. Para não se separarem (papais não poderão pagar suas despesas), aceitam serem os personagens do programa. Como a audiência aumenta quando estão bêbados, fazendo festa e dançando juntos, passam a alimentar a expectativa do público simulando um triângulo que de fato não se faz. Ficção e realidade misturam-se na trama que constroem (encenam para as câmeras), mas acabam, de certo modo, escravos do falso esquema inventado.


Gostei do filme. Triângulo amoroso bonitinho, adolescente e com estética de comercial. Se tivessa assistindo em casa, ia me entediar, deixar pra ver depois e esquecer para nunca mais. Peguei o hábito de fazer isso. Mas o cinema e seu escuro impõe sua atenção. E vamos enfrentando diálogos bobinhos, com fotografia bonita de comercial. Tudo sem energia, mas divertindo. Descobri (refleti) que triângulo amoroso é uma espécie de “gênero”, como são as novelas de “gêmeas”. Os 3 é um filme singular: fraco e moralmente convencional, daqueles filminhos herdeiros de tevê e com mínimo de expressividade. Para começo de conversa, o triangulo amoroso nunca realmente se faz, pois um deles (o mais adolescente) vive apenas um amor platônico pela mocinha. Sei que deveria pôr aqui os nomes dos personagens, mas não os sei. Eles não tem uma “personalidade” que permitisse realmente distingui-los (engraçado pois isso está no próprio filme, na fala de uma quarta personagem que se “hospeda” na casa). São esteriótipos de uma modernidade urbana e algum modo ingênua. Mas o que me espantou, é que a trama não sendo de um todo inverossímil, é tão mal alinhavada que descremos das ações e reações da trama e personagens. Péssimo é perceber o potencial de caminhos perdidos, já que a premissa (mal aproveitada como foi) poderia dar vazão a muitos caminhos originais e interessante. Incrível é que Nando Olival dirige um film eque nem tenta ser entretenimento com aspiração a “reflexão”. E ele tinha codirigido Domésticas. Os 3 é só e tão somente um filme fofo, bonitinho, divertido. E por que seus criadores não querem mais que isso, fica entre a publicidade e o puro entretenimento.

Adorei a menina protagonista: ela tem carisma, é doce e apaixonante. Os meninos bonitinhos estão lá apenas para o teatrinho de um amor que não convence. Os 3 é daqueles filmes que acho que deveriam existir: inócuo mas divertido. Mas fico pensando comigo: para que gastar tanto dinheiro fazendo um filme para cinema em película (por que não vídeo) tão sem contundência.

St. Vincent e a beleza de ser original

Alguns artistas, de época em época, chegam para renovar a cena musical com tamanha personalidade que é inevitável que não se desperte a curiosidade que culminará com a aceitação daquilo apresentado como novo. É o caso de Annie Clark, multi-instrumentista e compositora americana de 29 anos, nascida em Dallas e conhecida pelo nome artístico St. Vincent.

Annie começou a tocar guitarra ainda criança e na adolescência foi roadie na banda do seu tio, Tuck & Patii, excelente instrumentista que veio a influenciar a jovem e há alguns registros pela internet de Tuck Andress, onde podemos perceber sua técnica se comparada à da sobrinha. Annie Clark estudou música na Berklee College of Music e em uma entrevista falou:

“Eu acho que com a escola de música e escola de arte, ou na escola, sob qualquer forma, tem que haver algum sistema de classificação e medição. As coisas que eles podem ensinar-lhe são quantificáveis. Enquanto tudo o que é bom e tem o seu lugar, em algum ponto você tem que aprender tudo que puder e depois esquecer tudo o que você aprendeu, a fim de realmente começar a fazer música ”.

Nota-se o quanto a formação para ela era importante mas, de alguma forma, sendo uma artista com uma intenção de ser original, logicamente teria que seguir seu caminho como artista que não pensa em limites ou se conforma com o que aprendeu. Nessa época Annie e outros estudantes lançaram um EP. Anos depois ela se juntava a turnês com artistas como Polyphonic Spree e Sufjan Stevens.

Em 2006 iniciou  a produção de seu primeiro EP solo, Paris Is Burning. Foi o ponto de partida de sua característica como compositora para os álbuns oficiais que lançaria conseqüentemente.

Seu primeiro álbum de estúdio foi Marry Me (2007), onde Annie mostrava seus dotes de compositora que a caracterizam e selecionando músicos para acompanhá-la, como o baterista Brian Teasley do Man or Astro-man? e The Polyphonic Spree, o trompetista, também Polyphonic, Louis Schwardron e, Garson Mike, pianista que tocou com David Bowie. Um belo álbum de estreia, cheio de lirismo nas composições e arranjos de instrumentos variando entre a ternura e a loucura. Pianos, violinos, coral de vozes fazem deste álbum uma agradável surpresa. Para se ouvir no repeat.

O segundo álbum, Actor (2009), traz uma Annie mais visceral mas, não menos bela. O álbum teve ótima repercussão na mídia musical alternativa. Com letras instropectivas e composições menos usuais, ela nos leva para seu mundo que no fim nos satisfaz, pois percebe-se o quanto ela vai dominando seu instrumento pincipal, a guitarra, que se desenvolveria de maneira gigantesca em seu próximo álbum.

Strange Mercy (2011) é uma overdose de genialidade. Annie faz de sua guitarra mais do que um instrumento para tocar, há ali uma carga de emoção e sentimentos que a própria definiu à época da composição do álbum, ter passado por momentos complicados na vida. Causa estranheza num primeiro momento, principalmente se o ouvinte já conhece os álbuns anteriores. Melancólico, raivoso, não perdoa o ouvinte, caçando-o, mas para o seu deleite.

A artista em seus shows tem se mostrado absurdamente profissional. Annie se entrega no palco para o delírio da plateia com sua performance visceral, encantando com sua voz em contraponto com a vasta gama de possibilidades sonoras que ela alcança com a guitarra. Tem-se impressão que os outros músicos que a acompanham e que ela escolhe conforme novo trabalho, que são muito competentes, estão degraus abaixo e, como uma deusa grega, além do poder de sua criatividade, banha-nos aos olhos com sua beleza. Zeus que não fique com ciúmes, pois Annie toca mais do que ele. Inspiradora, não há como definir seu estilo.

Abaixo dois momentos de performances ao vivo:

- Tocando Marrow em 2009:

- E uma apresentação mais recente, produzida por sua gravadora 4AD, onde ela toca na seqüência Chloe In The Afternoon, Surgeon, Strange Mercy, Year Of The Tiger; do novo álbum:

Nos toca-discos: Common feat. Nas

Common e Nas são dois MCs que eu admiro desde o primeiro álbum de cada um. Common começou a representar o rap de Chicago em 1992 e agora está lançando o álbum The Dreamer, The Believer. Já tem dois sons rolando na net e mais este vídeo acima com participação de Nas, um dos principais representantes do rap de NY.

Prepara o capacete!

Tá chegando o dia do show e o resultado da promo sai hoje às 22h00 (o quê? Não sabe do que eu tô falando? Entra nesse link que você pode ganhar da gente dois vips pro show de sexta).

Pra te aquecer, vim compartilhar aqui essa maravilha que é uma mixtape que os caras do Gramofone Virtual descolaram, dá pra baixar e curtir essas pedras do Black Alien, que tem umas raridades e a clássica que com certeza rola sexta, O  Timoneiro!

Baixe já e vá preparando seus ouvidos pra sexta! Vai ser pesado!

Tracklist:
01 – Em volta a mesa (Speed Freaks)
02 – Versos após Versos (Arthur Moura)
03 – Jamaican from Japan
04 – Zagreb (Arthur Moura)
05 – Check dis sound (Intro Speed Freaks Demotape)
06 – Give me Ganja (Bulletproof)
07 – This Not the End (Filha da Puta) (Speed Freaks)
08 – Manha de Carnaval (Arthur Moura)
09 – Hit Hard Hip Hop (Black Alien)
10 – Timoneiro (Black Alien & Speed Freaks)
11 – Baleric
12 – Viva o Speed (Speed Freaks)
13 – Brothership 94 (Black Alien and Speed)
14 – Bônus (Agora Atenção)

Promoção: SOUL ART, SOU VIP!

Quer entrar de graça junto com um acompanhante no show do Black Alien em Santo André no dia 11/11/11?

Para participar basta seguir o twitter da SOUL ART - twitter.com/_SOULART e dar um RT na frase:

RT pra SOUL ART me levar de graça no show do BLACK ALIEN em Santo André – http://soulart.org

O encerramento e sorteio da promoção será realizado no dia 10/11/11 às 22hr.
O vencedor será anunciado via twitter.

Boa sorte!

Sobre a morte de Sabotage…

“Quando o Sabotage morreu, recebi ainda no hospital várias ligações da imprensa – a globo ligou perguntando quem era Sabotage pois eles não sabiam e queria dar a notícia (e ouviram um sonoro “vão tomar no meio dos seus cús”). Saiu em todos os grandes jornais, mas somente no caderno policial, como se a tragédia não tivesse sido com um grande artista. Durante o enterro, emissoras de TV tiveram seus carros virados pela multidão e foram obrigados a fazer a inoportuna cobertura por helicóptero. Revistas que nunca tinham feito entrevistas com ele o colocaram na capa. Confesso que todos esses absurdos potencializaram meu desgosto pelo jornalismo inescrupuloso que impera no Brasil e sempre achei que essas abordagens sem relevância são como um câncer para a produção cultural brasileira.” 

Daniel Ganjaman (músico e produtor musical)

Bestiário (1951) de Julio Cortázar

BESTIÁRIO inaugura a prosa de Julio Cortázar. Traz sete contos. Em Casa tomada, estranhos invasores apavoram um casal de irmãos. Resignados, vão aprisionando-se cômodo a cômodo da casa, até a expulsão final por um inimigo nunca visto: culpa? Incesto? Revolução? Noutra história, o protagonista vomita regularmente coelhinhos que esconde e cria em pânico. Em “Ônibus”, cada passageiro carrega uma flor e ameaça com olhares satânicos a indefesa Clara. Mancuspias enlouquecem lentamente seus tratadores pela exigência ritualística de cuidados. Em Circe, um rapaz relata seu namoro com a sedutora e misteriosa Délia, moça que levou à morte todos seus pretendentes. No conto título, uma garota passa férias numa casa onde todos precisam se adaptar à presença ameaçadora de um tigre feroz. Argentino (acidentalmente belga), Cortázar se autoexilou em Paris. Na infância de menino triste, solitário, doente, tornou-se um gigante, voz cavernosa do ciclope de Ulisses. Dentes ruins, amante do boxe e do jazz, escrita para ele era luta. Nele, insólito e  fantástico se constroem por narradores não-confiáveis (esquizofrênicos?). O absurdo é descrito como kafkianamente natural. Doença, melancolia, desejo e violência explodem nas tramas, de forma poética e enigmática. Escorado no mistério, a normalidade do mundo se faz de ponta cabeça.