O Coletivo Bauhaus

Aproximação entre o artista e o artesão. Novos paradigmas entre a teoria e a prática na educação. Abolição das hierarquias. Democracia. Uma mudança radical na política buscando reerguer um país destruído pela guerra, modernizando-se em todos os setores. Um cenário propício para que o artista já não mais vivesse recluso em seu mundo e que pudesse contribuir de maneira prática à sua sociedade.

Ao criar a Bauhaus em 1919, o arquiteto alemão Walter Gropius tinha em mente estar de acordo com a nova realidade da recém-formada República de Weimar. Os novos tempos exigiam novas arquiteturas que eliminassem qualquer rastro do velho Império alemão criando uma nova estética para os espaços urbanos e industriais crescentes, além de fazer com que o principal beneficiário fosse o trabalhador, unindo formas simples e racionais de construções coletivas.

Gropius conseguiu reunir famosos artistas da época como: Wassily Kandinsky, Paul Klee, László Moholy-Nagy, Josef Albers, Anni Albers, Marcel Breuer, Paul Klee, entre outros. Em cada sala de aula havia dois professores, um artesão e um artista. Os alunos eram preparados para as questões teóricas e práticas sobre arquitetura, design gráfico, tipografia, cores, materiais diversos para criação de peças de mobiliário, tecelagem (muito procurado pelas mulheres), entre outras especializações. Alguns dos alunos formados tornaram-se professores posteriormente na própria Bauhaus, outros saíram pelo mundo ensinando o estilo e princípios da escola.

A integração entre a escola e a vida, transformou o ensino das artes quando renegou o esquema clássico acadêmico, só assim seria possível alcançar os objetivos pela urgência de uma sociedade que se modernizava e que necessitava de novos produtos mais práticos e funcionais, produzidos em larga escala para acelerar a economia e o desenvolvimento do país. Mas tudo isso também aconteceu a partir do envolvimento político de incentivo às ideias da Bauhaus.

A história dos 14 anos de existência da Bauhaus, fechada em 1933 pelos nazistas por questões ideológicas contrárias, é muito rica. Há vários livros e sites que tratam com muitos detalhes os anos de funcionamento da escola, as mudanças de cidade (Weimar, Dessau e Berlim), as dificuldades pelas quais atravessou e seu legado. Provavelmente o ambiente onde você está agora tem características iniciadas por Gropius e a Bauhaus.

A arte pode mudar uma vida, mas sozinha não pode mudar uma sociedade se nela não estiver embutido o apoio político para que as ideias existam na prática e o artista possa ser útil à sua sociedade que, também deve estar em consonância com essas novas ideias, ter consciência de sua importância e até mesmo como um componente permanente no seu desenvolvimento. Uma profunda mudança cultural é fundamental para que essa máquina funcione, até mesmo pensando em termos brasileiros, já que nosso hiperindividualismo está corroendo nossos bons frutos.

Arte & Transformação

Será que realmente a arte pode transformar a vida de uma pessoa?

O documentário Arte & Transformação, produzido pela equipe da SOUL ART, está aqui para levantar a bandeira do debate artístico e cultural. Ou seja, questiona os conceitos de arte, levando as pessoas a refletirem sobre a importância das artes na formação cultural e social. Tem como objetivo compartilhar as ideias dos entrevistados com o cidadão comum, com pessoas interessadas em artes e com um público geral que não tem acesso a determinado tipo de informação. O foco principal é incentivar as pessoas a irem atrás das artes, mostrando o quão importante elas são e o papel fundamental como modificadora social; e também, divulgar o trabalho de artistas independentes, em suas áreas específicas.

Todas as entrevistas foram realizadas entre agosto e novembro de 2011, e o time de entrevistados foi formado por: Criolo (Cantor), Evandro Not (Grafiteiro), Rui Amaral (Professor de artes, grafiteiro e artista plástico), Thais Beltrame (Artista plástica), Mauro Ferrari (Grafiteiro), Marco Rabello (Artista plástico), Tikka (Grafiteira e artista plástica), Marcelo Cabral (Músico e produtor musical) e Thiago França (Músico).

Uma pequena relação entre Beethoven e Monet

Com toda certeza Ludwig van Beethoven (1770-1827) é um dos nomes mais respeitados e influentes da história mundial da música. Mas ao passar dos anos, o compositor alemão do período de transição entre o Classicismo e o Romantismo, começou a sofrer de um problema de surdez que na época foi diagnosticado como congestão dos centros auditivos internos. Aos 46 anos de idade (1816), Beethoven ficou praticamente surdo. Mas isso não o impediu de compor. Em 1824, mesmo surdo, o grande gênio compôs sua tão famosa 9° sinfonia.

Ali perto, em Paris, 35 anos mais tarde, Oscar-Claude Monet estudava pintura e desenvolveu junto a Pierre-Auguste Renoir, Frédéric Bazille e Alfred Sisley, uma técnica de pintar o efeito das luzes rápidas com pinceladas, dando origem ao impressionismo. Assim como Beethoven, Monet no final de sua vida sofreu de uma doença que afetou sua ferramente de trabalho. Monet passava muitas horas exposto ao sol, devido ao fato de gostar de pintar ao ar livre e assim se desenvolveu uma patologia em seus olhos que consiste na opacidade parcial ou total do cristalino ou de sua cápsula, conhecida popularmente como catarata. Mas mesmo doente dos olhos, com sua ferramenta de trabalho totalmente danificada, Monet não desistiu de pintar, nessa época usou cores mais fortes em uma tentativa de intensificar seus traços.

Claude Monet - Mountains at l'Esterel

Seja ironias do destino ou ossos do ofício, é curioso demais saber que Beethoven ficou surdo e que Monet ficou cego, mas a persistência e dedicação de cada um deles, junto a satisfação angustiante de viver por um propósito, fizeram deles grandes almas artífices, gênios eternamente apaixonados pelo prazer de criar e transmitir sonhos, expressados através de sua arte.

O confuso padrão Escher

Quem nunca ficou confuso ao ver uma ilusão de óptica causada pelo padrão geométrico de Escher?

Conheça o trabalho do holandês Mauritus Cornelis Escher (1898 – 1972), grande artista gráfico que produziu em toda sua vida, litografias e xilogravuras representando estranhas construções, até então, impossíveis de serem realizadas.

http://www.mcescher.com/

Giuseppe Archimboldo

É engraçado pensar que 27 anos após o descobrimento do Brasil, estava nascendo em Milão, na Itália, o grande mestre da Renascença: Giuseppe Archimboldo, o pai da colagem.

Além de 25 anos pintando para a corte, Archimboldo foi artesão e promoter de festas de imperadores italianos do século XVI. Agora o mais engraçado é imaginar o tamanho dos pepinos e mangas dos flyers dessas nobres festas.

Fazer colagens e montagens no photoshop é fácil, agora quero ver brincar de ilusão de ótica utilizando um “simples” pincel.

Toulouse-Lautrec & a boemia expressiva

Falando em referências, não podemos deixar de citar o “grande” pintor e litografista pós-impressionista Toulouse-Lautrec. Nascido na nobreza francesa, sofreu um grave acidente quando adolescente e teve o desenvolvimento de suas pernas totalmente comprometido. Com corpo de adulto, Henri não ultrapassou a altura de 1,52 m.

Mas em nome da liberdade, desprezou o ambiente aristocrático familiar e saiu para retratar prostitutas, dançarinas de cancã dos cabarés, e outros personagens da vida noturna parisiense da década de 1890. Como reação à sua condição física, Toulouse-Lautrec desenvolveu um estilo pessoal de linhas livres e onduladas, transgredindo frequentemente as proporções anatômicas e as leis da perspectiva em favor da expressividade, essa característica elimina a obviedade do movimento, que passa a ser apenas sugerido.

Além do seu amor por dançarinas de cabaré e bebidas alcoólicas, Toulouse-Lautrec também revolucionou a arte dos cartazes publicitários, utilizando um mínimo de cores e traços. Sendo assim, podemos considerá-lo como um dos grandes mestres da história do design gráfico mundial.

Em 1891 ele criou seu primeiro cartaz de propaganda, "Moulin Rouge - La Goulue", espalhado pelos muros de Paris.

Ambassadeurs: Aristide Bruant, cartaz (1892)

"Ambassadeurs: Aristide Bruant", cartaz (1892)

La reine de joie (1892)

"La reine de joie" (1892)

Jane Avril (1899)

"Jane Avril" (1899)

Eric Drooker

Conheça o trabalho do nova-iorquino Eric Drooker. Cartunista e artista plástico de cunho libertário, Drooker faz de suas artes uma maneira distópica de expressar as ironias do cotidiado urbano pós-modernista.

Seus trabalhos podem ser encontrado em diversos flyers de bandas de hardcore/punk e xerox de fanzines anarquistas/diy. Recentemente, vi a banda anarcopunk colombiana Desarme utilizar uma arte de Drooker como tema central de uma camiseta.

Saiba mais em: www.drooker.com