Essa é uma das minhas bandas preferidas, comecei a ouvir Bad Brains por causa do hardcore/punk e depois vi que o reggae deles também era foda. Pra mim, uma das bandas mais punks que existe. E eles vêm se apresentando nos palcos desde 1977.
Um dos discos que ouço muito é o God of Love, lançado em 1995 pelo selo Maverick Recording da Madonna, recentemente relançado em Vinil com todas as faixas e mais um compacto bônus com faixas que não saíram no CD.
O disco mais recente Build a Nation foi lançado pelo selo Megaforce Records em parceria com o Oscill Scoppe dos Beastie Boys e produzido por Adam Yauch, o MCA do próprio Beastie Boys. Nessa eu to ligado que os caras realizaram um sonho, porque Bad Brains foi a principal banda de influência no começo da carreira deles. Esse disco foi lançado em CD e também um mini box com 5 compactos de vinil, cada um de uma cor, incluindo uma foto da banda. Ou seja, item pra colecionador.
Escolhi esse video pelo fato de mostrar a real da parada: Bad Brains tocando punk & reggae, há mais de 30 anos com boas mensagens e com a mesma energia.
Era sábado e eu tinha uma cerveja marcada na padaria do centro de Santo André, por volta das 15 horas. Sabe aquelas tardes bonitas de verão, com sol quente, brisa fresca na cara e tudo o que temos direito? Então, era um dia desses. Cheguei 10 minutos atrasado e Arnaldo Tifu já estava me esperando com uma garrafa gelada na mesa. A conversa começou animada, planos e projetos turbilhando como um carro sem freios descendo uma ladeira. Arnaldo me falou que alguns amigos iriam comparecer e participar do encontro. Eles vieram, profissionais, cada um com sua especialidade, uma equipe. E assim a conversa foi elevada a outros patamares ao ponto de só me lembar do Arnaldo dizendo que, mais tarde iria fazer uma sessão de fotos em um prédio abandonado, ali perto. Por sorte, tenho o costume de carregar a minha câmera comigo, na mochila, para estar pronto sempre que precisar. Quando chegamos na locação, acredito que o mesmo sentimento bateu em todos com a mesma intensidade. Imaginar que aquelas ruínas um dia foi um hospital causou uma sensação definida como um misto de curiosidade e tensão. Os cliques das câmeras eram frenéticos, contrastando com as paredes queimadas e pixadas e os entulhos pelo chão. Alguns corredores mais escuros, outras salas menores iluminadas por raios de sol que insistiam em penetrar pelas frestas que se formavam entre as rachaduras, foi algo bonito. Por mais estranho que pareça, enxerguei poesia naquela situação. O ponto mais exótico e iluminado do prédio era o corredor, totalmente destelhado, com a lage exposta, no segundo andar do edifício. Diego Coelho “Mék”, o fotógrafo, estava quase terminando a sua sessão. Chegou o momento, saquei a câmera, olhei para todos e falei: “vamos gravar?”. Sem praticamente nenhum ensaio, conseguimos registrar um momento de inspiração em que o Mc Arnaldo Tifu com transparência e sinceridade nos apresentava uma nova canção.
“Um cigarro queimando a ponta dos dedos
No meu samba-enredo cantei meus segredos,
o meu sonho, o meu mundo, a minha fé, os meus medos.
Nas conquistas eu vi como o sol nasce cedo.
Hoje cedo nas ruas mais uma canção
Mais um gole, uma dose que vem o perdão
Minhas mãos calejadas e a construção
Os pés firmes na estradas mantém a direção
Um poema escrito à mão que eu fiz
Diretriz é ouvir o que o sábio lhe diz
que na vida todo mundo quer ser feliz
e quem não quer, me diz?
Cada pássaro canta uma nova canção
Todo canto ecoa um novo refrão
Todo outono as pétalas caem no chão
Toda flor sem amor morre cedo demais
Toda dor só é dor porque lhe falta a paz
Vi um filho clamando o Seu nome, ó Pai
Vi a lua chegando, enquanto o sol cai…”
Letra: Arnaldo Tifu • Fotos: Diego Mék • Direção: Gabriel Alexandre
Eu tenho essa mania de ver tudo quanto é vídeo musical que o youtube me sugere, como se fosse meu próprio Lúcio Ribeiro falando na minha orelha. Acontece que essa tática nunca me deixou na mão e, há alguns anos, me apresentou mais uma das muitas melhores bandas (suecas) do mundo: The Tiny. Mas este post não está aqui para falar da banda em si, mas de um vídeo amador que não poderia ser mais profissional. Um bom samaritano juntou partes do Entuziazm de Dziga Vertov (aquele de Man with a Movie Camera) com a bela melodia de Everything is Free Now, dos suecos. Confere aí!
…culpa da Etta James, que morreu hoje, vítima de uma leucemia. Etta foi uma cantora de blues, ou melhor A cantora de blues e fez parte da histórica Chess Records, junto com Chuck Berry, Muddy Waters, Little Walter e Howlin’ Wolf. A Chess, iniciativa de dois judeus brancos, era uma gravadora que ficava em Washington, na década de 60, com a segregação racial vivendo seu auge. Música de negros, produzida por brancos, que quebrou de vez a barreira negro/branco com Chuck Berry. Graças a esses lindos que o rock como conhecemos existe.
Etta era uma Mulher com M maiúsculo. Com culhões. Sobreviveu a uma infância difícil, um vício em heroína, álcool e uma obesidade mórbida que a fez pesar quase 200kg.
Apesar de cantar muitas músicas que não eram composições próprias, ela tinha um jeito incrível de transmitir emoção através de sua voz forte. Dá até medo dela te bater, sério mesmo, sinta a energia:
Aqui, ela faz uma interpretação incrível de It’s a man’s man’s world, do James Brown e mostra que amigo, sem nós vocês não seriam nada mesmo:
E, pra finalizar, a minha música favorita dela, cantando um amor perdido. De arrepiar:
Agora imagina só uma jam session com ela, Amy Winehouse, Janis…
Há 10 anos, morria de câncer o Beatle mais legal: George Harrison. Você pode discutir que o Paul é mais músico e as composições do John são melhores, mas tentar chegar a uma conclusão sobre o melhor Beatle é quase a mesma coisa do que falar de futebol e religião.
George sempre foi o mais desencanadão do grupo. Foi graças as suas viagens malucas que em vários sons dos Beatles podemos ouvir uma cítara e barulhos de passarinhos. Nada me tira da cabeça, por exemplo, que foi ele que teve a idéia de por passarinhos cantando antes do começo de Across The Universe.
Depois dos Beatles, George teve uma longa carreira solo, cantando é claro suas composições feitas na época do fab four e também um monte de outras pérolas com letras do caralho, além de um jeito único de tocar guitarra. Não falo de ser virtuose, mas de transmitir uma emoção incrível em arranjos que reverberam até hoje.
Ou vai me dizer que você, leitora, não ia querer que alguém fizesse isso com você?
Não importa se o cara fez essa música pra mina que depois ia ser surrupiada pelo Eric Clapton, se até o Frank Sinatra disse que ela é a melhor música de amor de todos os tempos, quem somos nós, reles mortais, pra discordar?
Pra finalizar, uma das mais conhecidas de sua carreira solo, mas que na verdade foi gravada na época do Beatles ainda. A fita foi a seguinte: logo que saiu da banda, Jorginho (é assim que eu o chamo), pegou tudo seu que não foi aproveitado nesse tempo e lançou. É o caso dessa belezoca aqui.
Jorginho, o mundo é um lugar bem mais lindo só porque você existiu aqui.
*Ah, vale lembrar que o Martin Scorsese fez um documentário especial pro George, Living in The Material World, lançado esse ano.
Alguns artistas, de época em época, chegam para renovar a cena musical com tamanha personalidade que é inevitável que não se desperte a curiosidade que culminará com a aceitação daquilo apresentado como novo. É o caso de Annie Clark, multi-instrumentista e compositora americana de 29 anos, nascida em Dallas e conhecida pelo nome artístico St. Vincent.
Annie começou a tocar guitarra ainda criança e na adolescência foi roadie na banda do seu tio, Tuck & Patii, excelente instrumentista que veio a influenciar a jovem e há alguns registros pela internet de Tuck Andress, onde podemos perceber sua técnica se comparada à da sobrinha. Annie Clark estudou música na Berklee College of Music e em uma entrevista falou:
“Eu acho que com a escola de música e escola de arte, ou na escola, sob qualquer forma, tem que haver algum sistema de classificação e medição. As coisas que eles podem ensinar-lhe são quantificáveis. Enquanto tudo o que é bom e tem o seu lugar, em algum ponto você tem que aprender tudo que puder e depois esquecer tudo o que você aprendeu, a fim de realmente começar a fazer música ”.
Nota-se o quanto a formação para ela era importante mas, de alguma forma, sendo uma artista com uma intenção de ser original, logicamente teria que seguir seu caminho como artista que não pensa em limites ou se conforma com o que aprendeu. Nessa época Annie e outros estudantes lançaram um EP. Anos depois ela se juntava a turnês com artistas como Polyphonic Spree e Sufjan Stevens.
Em 2006 iniciou a produção de seu primeiro EP solo, Paris Is Burning. Foi o ponto de partida de sua característica como compositora para os álbuns oficiais que lançaria conseqüentemente.
Seu primeiro álbum de estúdio foi Marry Me (2007), onde Annie mostrava seus dotes de compositora que a caracterizam e selecionando músicos para acompanhá-la, como o baterista Brian Teasley do Man or Astro-man? e The Polyphonic Spree, o trompetista, também Polyphonic, Louis Schwardron e, Garson Mike, pianista que tocou com David Bowie. Um belo álbum de estreia, cheio de lirismo nas composições e arranjos de instrumentos variando entre a ternura e a loucura. Pianos, violinos, coral de vozes fazem deste álbum uma agradável surpresa. Para se ouvir no repeat.
O segundo álbum,Actor (2009), traz uma Annie mais visceral mas, não menos bela. O álbum teve ótima repercussão na mídia musical alternativa. Com letras instropectivas e composições menos usuais, ela nos leva para seu mundo que no fim nos satisfaz, pois percebe-se o quanto ela vai dominando seu instrumento pincipal, a guitarra, que se desenvolveria de maneira gigantesca em seu próximo álbum.
Strange Mercy (2011) é uma overdose de genialidade. Annie faz de sua guitarra mais do que um instrumento para tocar, há ali uma carga de emoção e sentimentos que a própria definiu à época da composição do álbum, ter passado por momentos complicados na vida. Causa estranheza num primeiro momento, principalmente se o ouvinte já conhece os álbuns anteriores. Melancólico, raivoso, não perdoa o ouvinte, caçando-o, mas para o seu deleite.
A artista em seus shows tem se mostrado absurdamente profissional. Annie se entrega no palco para o delírio da plateia com sua performance visceral, encantando com sua voz em contraponto com a vasta gama de possibilidades sonoras que ela alcança com a guitarra. Tem-se impressão que os outros músicos que a acompanham e que ela escolhe conforme novo trabalho, que são muito competentes, estão degraus abaixo e, como uma deusa grega, além do poder de sua criatividade, banha-nos aos olhos com sua beleza. Zeus que não fique com ciúmes, pois Annie toca mais do que ele. Inspiradora, não há como definir seu estilo.
Abaixo dois momentos de performances ao vivo:
- Tocando Marrow em 2009:
- E uma apresentação mais recente, produzida por sua gravadora 4AD, onde ela toca na seqüência Chloe In The Afternoon, Surgeon, Strange Mercy, Year Of The Tiger; do novo álbum:
Common e Nas são dois MCs que eu admiro desde o primeiro álbum de cada um. Common começou a representar o rap de Chicago em 1992 e agora está lançando o álbum The Dreamer, The Believer. Já tem dois sons rolando na net e mais este vídeo acima com participação de Nas, um dos principais representantes do rap de NY.
Tá chegando o dia do show e o resultado da promo sai hoje às 22h00 (o quê? Não sabe do que eu tô falando? Entra nesse link que você pode ganhar da gente dois vips pro show de sexta).
Pra te aquecer, vim compartilhar aqui essa maravilha que é uma mixtape que os caras do Gramofone Virtual descolaram, dá pra baixar e curtir essas pedras do Black Alien, que tem umas raridades e a clássica que com certeza rola sexta, O Timoneiro!
Baixe já e vá preparando seus ouvidos pra sexta! Vai ser pesado!
Tracklist:
01 – Em volta a mesa (Speed Freaks)
02 – Versos após Versos (Arthur Moura)
03 – Jamaican from Japan
04 – Zagreb (Arthur Moura)
05 – Check dis sound (Intro Speed Freaks Demotape)
06 – Give me Ganja (Bulletproof)
07 – This Not the End (Filha da Puta) (Speed Freaks)
08 – Manha de Carnaval (Arthur Moura)
09 – Hit Hard Hip Hop (Black Alien)
10 – Timoneiro (Black Alien & Speed Freaks)
11 – Baleric
12 – Viva o Speed (Speed Freaks)
13 – Brothership 94 (Black Alien and Speed)
14 – Bônus (Agora Atenção)
Rushmore (Três é Demais) foi a estreia de Jason Schwartzmann no cinema e primeira parceria com o diretor Wes Anderson. Ele era Max Fischer, um aluno petulante de um colégio tradicional americano, mentiroso e completamente obcecado por cursos extracurriculares. Max por si só já era um bom personagem, mas a amizade com um magnata interpretado por Bill Murray o tornava ainda melhor. O filme concentrava-se no triângulo amoroso entre os dois e a professora de educação infantil Miss Cross, e o carisma de Jason me fazia praticamente torcer para que os planos absurdos de Max dessem certo.
Desde então, passei a assistir tudo que envolvia o ator. Viagem a Darjeeling, I heart Huckabees, Maria Antonieta, O Fantástico Sr. Raposo… E Bored to Death, a única série de televisão que me cativou desde Freaks and Geeks (que, aliás, também contou com a participação de Jason).
Quem assina o roteiro da série é Jonathan Ames, escritor americano que emprestou seu nome ao próprio protagonista e viu em Jason o intérprete perfeito para o papel. O Jonathan da ficção vive de romances passageiros, tem poucos amigos e adora uma taça de vinho branco a qualquer hora do dia (não muito diferente do da vida real). Para encontrar inspiração para escrever seus livros, ele decide virar um detetive particular informal. Mas seus “casos” não são responsáveis pelos melhores momentos, e sim os diálogos travados com os amigos Ray e George.
Zach Galifianakis (Ray), o autor de HQ autobiográfica, aparentemente reluta em participar das pirações investigativas de Jonathan, mas acaba por sempre se sentir um herói no final. Ted Danson (George) rouba a cena como o editor de uma revista tradicional de Nova Iorque, desiludido com a profissão, mas curioso, classudo (e maconheiro) por natureza. Juntos, os três dão a graça a “comédia noir”, cuja abertura tem uma música da banda de Jason, a Coconut Records (que merece um vídeo da minha favorita deles, West Coast).
Obsessão pelo elenco a parte, Bored to Death faz do tédio um momento fascinante de ser assistido.
Se eu não tivesse a mania de treinar os ouvidos para sonoridades consideradas agressivas em termos de harmonia e bla bla bla de teoria musical, poderia facilmente dizer que Flanger faz um tipo de música que psicopatas gostam de escutar no carro antes do jantar.
Pode até ser, mas acho que combina mais com aquele dia que você chega em casa totalmente cansado, liga o som e se entrega para o sofá enquanto a música involuntariamente se torna a trilha perfeita para os seus pensamentos mais íntimos.
Ou então, se um dia alguém for DJ de uma festa (do cabide) no elevador, poderia usar facilmente este álbum em sua seleção. Afinal, Flanger é ambient, meio electro, jazzy & sexy.
O álbum Midnight Sound é espacial e combina com uma garrafa de vinho e pouca luz. Quer testar? Prove aqui!