Nas guerras sangrentas no Oriente Médio há uma miríade de vilões de facetas muito distintas, entre carniceiros como o Estado Islâmico e refinados assassinados como ingleses e americanos.

Esses todos estão sob a batuta da mais intrépida e astuta vilã, a Ganância. Essa senhora contempla do alto de um de seus templos espelhados numa das megalópoles do ocidente a fuga de milhares de pessoas do Oriente Médio e do norte da África rumo à Europa. A região desgraçada é onde Dona Ganância procura sua pedra filosofal que transforma tudo em morte, o petróleo.

O Estado Islâmico ascendeu repentinamente, bem armado e estruturado. Quem os preparou?

O Estado Islâmico ascendeu repentinamente, bem armado e estruturado

Em outros tempos, Dona Ganância foi apegada a metais preciosos e por eles extinguiu civilizações. Coordenou expedições ibéricas ao Novo Mundo. Hoje, comanda grupos terroristas e organizações capitalistas que operam pelo planeta inteiro.

No livro As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano denuncia a barbárie da colonização no extremo oeste do mundo. O jornalista e escritor uruguaio faz uma relação sobre a riqueza de algumas regiões durante a era pré-colombiana e pré-cabraliana e sua atual pobreza.

O estado de Minas Gerais foi desgraçado após a descoberta do ouro e de outros metais preciosos. O assalto continuou séculos depois. Em 1964, as jazidas de ferro no Vale do Jequitinhonha foram entregues ao capital estrangeiro. Hoje, a região é uma das mais pobres do Brasil.

Final mais cruel tiveram cidades como Potosí (Bolívia), Cusco (Peru) e Tenochtitlán (México). Esta última, capital do império Asteca, dona de uma riqueza e de um conhecimento arquitetônico insuperáveis, foi totalmente destruída a mando de Doña Ganancia. Tenochtitlán, que hoje é a Cidade do México, demoraria quatro séculos para recuperar a população que tinha antes da chegada dos espanhóis.

Obra de Diego Rivera sobre a capital asteca

Obra de Diego Rivera sobre a capital asteca

Sorte semelhante encontram as populações de países do Oriente Médio e região, vítimas da luta incessante pelo ouro negro de Dona Ganância, que hoje se diverte ao assaltar jazidas de petróleo para alimentar seu modo de vida opulento em cidades do mundo todo. Viajada que é, gosta de frequentar diversos lugares. Atrevida, constrói oásis de bem-estar, como Dubai, no meio da região que oprime.

Agora, as vítimas da sanha de Dona Ganância se deslocam para o continente onde ela se hospedou primeiro. O cenário é deplorável e o mundo parece chegar ao fim. A história, que teve início no Mediterrâneo, parece encontrar sua ruína no mesmo lugar, morrendo afogada em uma praia qualquer da Turquia.

O roteiro das guerras no Oriente Médio é perfeito para um final melancólico e apocalíptico. Mas não acaba aqui. Desterrados continuarão a dobrar as esquinas do mundo em direção ao norte rico porque dona Ganância tem sede insaciável. Ela agora acolhe os desgraçados para alimentar a sua força de trabalho que está se esgotando nos países desenvolvidos. A Alemanha, por exemplo, teme que seu crescimento se estaque ao longo do século 21 por causa do da diminuição da sua população e a consequente falta de mão de obra.

Enquanto uns conseguem cruzar a fronteira do mundo, outros são condenados a morrer em uma praia qualquer ou conviver com as guerras infindáveis e a ascensão do extremismo, que pretendem dar a Trípoli, Damasco, Bagdá e outras o mesmo fim das cidades pré-colombianas.

Clique do fotógrafo brasileiro Mauricio Lima na Líbia

Olhar do fotógrafo brasileiro Mauricio Lima na Líbia

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