No próximo domingo (30) acontece o Hardcore Attack, festival gratuito realizado no Cicas – Centro Independente de Cultura Alternativa, na Zona Norte de São Paulo. Espaço independente de ocupação periférica há quase uma década, o local tem sido palco de diversas intervenções e manifestações artistíco-culturais que visam corroborar no emponderamento social a partir de uma contínua recriação autônoma, colaborativa e dialógica da identidade popular.377473_359536607469481_1612833960_n
Promovido pelo Cristo Bomba, banda carimbada por sua orientação D.I.Y. (Do It Yourself), o festival pretende reunir distintas manifestações da cultura e produção independente de modo inclusivo e colaborativo: música, arte visual, culinária vegan, serigrafia e fotografia – tudo gratuito. O vocalista Sandro Duarte contou um pouco sobre o festival, a atuação da banda e suas percepções sobre a cultura independente.

SOUL ART: O que mobilizou o festival e a escolha do local?
Sandro Duarte: Há algum tempo queríamos fazer um show no Cicas. Ali é um dos picos mais legais da zona norte por se tratar de uma ocupa que funciona como espaço cultural. Já estivemos envolvidos na organização e participamos de outros eventos no local. É sempre foda poder fortalecer uma galera e espaço que se mantêm firmes e fortes há alguns anos sob uma proposta underground. O Juninho (Sendro), um dos co-fundadores do coletivo, nos convidou pra promover um Fest no mês de aniversário do espaço.

SOUL ART: Qual o intento em angariar eventos afim de enaltecer dinâmicas autônomas e de produção independente?
Sandro Duarte: Não se trata de um culto a fim de catequizar alguém ali, mas sim uma ideia de propagar, oferecer e apresentar vertentes da cultura independente. Se as pessoas somam, produzindo ou apoiando mais ideias como essa, no final significa que conseguimos passar nossa mensagem adiante e que não estamos sozinhos nisso. Cabe a nós passar o nosso ponto de vista sobre o que acreditamos.

SOUL ART: E como é realocar o hardcore em um ambiente colaborativo e periférico atualmente?
Sandro Duarte: A quebrada é o lugar onde o punk/hardcore mais se identifica por essência. Sendo um espaço colaborativo, acaba ainda mais alinhado ao Fest. De lá saí muita inspiração e boas ideias, além de concentrar muito do nosso dia a dia.

SOUL ART: Há um direcionamento mais segmentado nessa ação?
Sandro Duarte: Buscamos misturar as artes e ideais do underground e oferecer àqueles que se interessam e buscam apoiar e participar de alguma forma, unindo bandas e artistas que desejam apresentar seu trabalho e passar uma mensagem de forma totalmente independente, buscando sempre atingir mais pessoas para ouvir as mensagens, trocar informações e viver a cultura de pessoas envolvidas no punk.

SOUL ART: Os shows trarão uma multiplicidade de estilos e origens. O que reúne essas bandas ali?
Sandro Duarte: São bandas que sempre estão participando de algo construtivo pro hardcore com integrantes que carregam longas histórias e experiências dentro do punk/hardcore. O Nervo, de Votorantim, tem colaborado pra fazer as coisas acontecerem no interior – estão sempre envolvidos na organização de shows, debates, exposições pra continuar movimentando aquilo que acreditam. Além deles, são Desalmado, Electric Roar, Urutu, Maldita Ambição (Itanhaém) e nós, o Cristo Bomba. Pensamos em bandas que gostaríamos de ter partilhado palco antes. Com algumas já tocamos juntos, inclusive fora da cidade, e acabamos por conhecer tanto o som quanto as pessoas envolvidas.

SOUL ART: Distintas manifestações de arte independente se presentificarão no evento. Qual o benefício de transversalizar essas produções num espaço comum?
Sandro Duarte: Teremos duas exposições: Gabriela Biló trará fotografias das Manifestações de Junho, uma vitória vinda das ruas. Matheus Maia é um cara que conhecemos nesses eventos que reúnem diversas atividades além da música pra criar espaços de compartilhamento de experiências e histórias. Vimos os desenhos que ele produzia e o convidamos para mostrar seu trampo pra mais pessoas. Nisso ele produziu o cartaz do evento, que será silkado durante o Fest gratuitamente nas camisetas que o público trouxer ao local. Com o tempo, percebemos que quanto mais pudermos oferecer e propiciar dentro de um evento, mais somamos para todas as vertentes em uma unidade comum. Poder colar num lugar onde tem uma expo, bandas tocando, serigrafia rolando, material independente, trocas de ideias e o lance da culinária, fortalece muito, e cada vez mais, a cultura underground. Tudo caminha junto, constrói-se junto. Nossa própria mídia, nossos ideais compartilhados, nossa subcultura. Muita coisa ainda cabe e ainda será feita em novos momentos.

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 Arte: Matheus Maia a.k.a. Mig

HARDCORE ATTACK

Domingo, 30/3
Início: 12h – Almoço Vegan. 15h – Shows.
CICAS: Avenida do Poeta, 740 – Vila Medeiros, São Paulo – SP
Entrada gratuita

Linhas de ônibus:
Metrô Belém – Lotação Jaçana
Metrô Tatuapé – Lotação JD. Brasil
Metrô Sta. Cecília – 1732 – Vila Sabrina
Metrô Tucuruvi – Lotação JD. GUANÇA
Metrô Santana – 175P – Pq. Edu Chaves
Pç. do Correio – 1156 – Vila Sabrina 2181 – Vila Sabrina / 2182 – Vila Sabrina
Pontos de referência: Padaria Gaspar, Av. Mendes da Rocha (Jd. Brasil) e Cohab Vila Sabrina.

 

Para aquecer os ouvidos:

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