São Paulo é uma cidade mutante. Sem aviso prévio, a lanchonete que você tanto frequentou na infância se desmorona em um inexpressivo estacionamento. Seu cinema favorito vira um imóvel fantasma e quem por ele passa não consegue sequer imaginá-lo em seus dias de glória.

Praças viram prédios, postos de gasolina viram prédios, casas viram prédios, florestas viram prédios… e, cada vez mais, torres não param de subir, projetando suas sombras monumentais sobre quem quer que esteja em seu caminho. Tudo que ali aconteceu antes da mudança, já não encontra mais lugar em sua nova configuração. A memória de São Paulo é curta – só se pensa em seguir em frente, prosseguir, progredir. Mas pra tudo que hoje há, uma trajetória existe.

No caso do Jardim Lapenna, como em tantos outros bairros periféricos, os primeiros moradores enfrentaram anos e anos de luta para que o governo desse atenção a suas necessidades básicas, como saneamento, saúde, educação e moradia. A existência longínqua dessa consciência comunitária inspirou os integrantes do Coletivo Caixa Preta a colocar novamente o Jardim Lapenna em Foco.

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“Percebemos como era interessante essa forma de se relacionar com a região, então decidimos buscar uma forma de participar. Nossa ação partiu da percepção de que as gerações mais novas e os moradores mais recentes, por não terem participado desse processo de mobilização, já não se preocupam tanto com os acontecimentos locais”, explica Cauê sobre a ação do coletivo que tem como principal objetivo oferecer experiências que agucem a reflexão sobre o cotidiano.

Erika Bundzius, artista visual e pesquisadora na área de mediação cultural, e Cauê Martins, educador físico e pesquisador da área de lazer, eram moradores do bairro e junto com João Santos, artista visual com foco na linguagem fotográfica, implementaram o projeto patrocinado pelo VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), em busca de uma forma de levantar questões por meio da fotografia sobre a relação de identidade entre o local e os moradores.

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“Foram nove oficinas, com duração de 3 horas, que partiram de dinâmicas corporais voltadas a desenvolver as relações entre os participantes, unidas a atividades que ampliassem seus conceitos básicos de fotografia e saídas para experimentações externas com a utilização de equipamentos diversos como, celulares dos participantes e câmeras fotográficas digitais e descartáveis, disponibilizadas pelo coletivo”.

O foco não era a qualidade técnica, o mais importante “foram os questionamentos e o espanto que cada um tinha ao virarmos uma rua diferente durante as saídas fotográficas, esses detalhes nos fizeram perceber o quanto não conhecíamos nosso bairro e como são variadas as pessoas e situações que esse local oferece”.

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As fotos mais significativas feitas durante as oficinas integram a exposição de mesmo nome do projeto. No dia 30 de novembro, às 15h, ocorre a abertura oficial com um pequeno coquetel acompanhado de uma apresentação com toda a trajetória do projeto.

O Coletivo Caixa Preta acredita “que este foi apenas um passo dos muitos que precisam ser dados para a continuidade de um processo de formação de um ser atuante na sociedade”. A SOUL ART apoia este tipo de iniciativa e acredita que o desenvolvimento comunitário é mais urgente e benéfico do que qualquer forma de globalização.

*As fotos fazem parte da exposição

 

Serviço 

30/11/2013 às 15h: Apresentação do projeto com o Coletivo Caixa Preta e os participantes

Local: Galpão de Cultura e Cidadania – Entrada Franca

Rua Serra da Juruoca, s/nº – Jd. Lapenna (Próximo à estação de São Miguel da CPTM)

Visitação: Segunda a Sábado, das 08h às 18h – Info.: (11) 998-296-764

Facebook.com/coletivocaixapreta – coletivocaixapreta.blogspot.com.br

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