Caridade, solidariedade e empatia

Estive na Turquia em 2015 e tive a oportunidade de conhecer Istambul e a incrível Capadócia. Que sonho!

Mas uma outra coisa fora as belezas, natureza e cores deste país, me chamou a atenção: a sua fé.

A maioria da população turca é muçulmana e segue os princípios do alcorão. Visitei algumas mesquitas, e posso dizer que dentro delas (independentemente do país), foi onde senti a maior energia, realmente havia algo espiritual muito forte por lá.

Tive a oportunidade de presenciar um dos maiores atos de fé destes fiéis (na minha leiga opinião): o Ramadã.

O que é o Ramadã?

No nono mês do calendário islâmico, os muçulmanos praticam um ritual de jejum. Durante cerca de 30 dias, as pessoas comem pouquíssimas vezes ao dia: quando o sol nasce, quando o sol se põe e de madrugada, perto do horário que nasce o sol. Eles continuam a vida, normalmente, só que sem comer e beber. Nada. Nem água.

O jejum é obrigatório a todos os muçulmanos que chegam à puberdade. A primeira vez que um jovem é autorizado a jejuar pelos pais constitui um momento importante na sua vida e uma marca simbólica de entrada na vida adulta.

É importante comentar que por se tratar de um estado laico, por lá o ocidental não sofre nem um pouquinho: os restaurantes abrem durante o dia, e os turistas podem beber até álcool (desde que não na rua).

Mas pra quê isso?

Minha amiga turca me explicou que o Ramadã serve pra que as pessoas possam sentir na pele o que moradores de rua sentem e como pessoas em estado miserável sobrevivem.

Acredita-se que sentir fome e recusar um alimento, mesmo que se possa ter acesso à ele a qualquer momento, fortalece o nosso senso de autocontrole. Afinal, se alguém consegue controlar um dos impulsos mais imediatos da condição humana de forma voluntária, todos os outros impulsos que podem afastar o ser humano de Deus ou fazê-lo caminhar por um caminho incorreto, serão controlados de forma mais fácil.

O Ramadã não se limita somente à abstinência de comer ou beber, mas também de todas as coisas más, maus pensamentos ou maus atos.

Através da empatia, certamente a consciência social do muçulmano se intensifica durante o Ramadã.

Fui apresentada aos princípios e rituais do Islamismo da melhor maneira possível: observando o comportamento das pessoas. O relato que faço aqui é única e exclusivamente baseado no que vi e vivi enquanto estava lá.

O Ramadã representa um tempo de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar.

A chegada do Ramadã na Turquia parece um pouco com o Natal aqui no Brasil. A atmosfera muda, dá a impressão de algo especial vai acontecer. Comidas típicas são vistas com mais frequência nos supermercados, as famílias dão aquela caprichada na limpeza da casa, fazem mais ações de caridade e até trocam alguns presentes.

Uma lição incrível de solidariedade. Pelas ruas, viam-se grandes tendas em algumas praças, onde os fiéis preparavam refeições para dar gratuitamente àqueles que tivessem fome.

De madrugada, enquanto conversávamos na varanda, tudo era silêncio, quando de repente ouvimos tambores e uma espécie de cortejo ia passando pelas ruas tocando uma música alta. O objetivo? Acordar os demais, já que aquela era a última oportunidade de comerem antes do nascer do dia. Logo em seguida sentíamos cheirinho de tempero, comida boa saindo pra alimentar as corpos daqueles que estavam comendo depois de muito, muito tempo, mas que tinham e alma alimentada por sua fé. E assim mais um dia começava…

Como ir à Turquia?

O “problema” de ir à Turquia é o valor das passagens saindo do Brasil, mas uma vez que você está lá as coisas não são tão caras, e dá pra aproveitar bastante viajando de forma independente.

Além de Istambul, cidade grande, com diversos museus e opções culturais, a Turquia tem as paisagens únicas da Capadócia e Pammukale, e praias lindas de Antalya.

Transporte

Por ser um país grande  oferece diversas opções de transporte. Os ônibus são bem confortáveis e alguns até tem serviço à bordo, com lanchinho e tudo! Para ir de Istambul à Capadócia viajei durante toda a noite, pois não tinha muito dinheiro tempo, então, se você tiver disponibilidade, recomendo que vá de avião pra chegar mais rápido.

Em Istambul, é fácil se locomover com o ‘tram’, tipo um metrô deles, que vai pra todo lado.

Na Capadócia, alugar carro é uma boa: você vai pra onde bem entender e não fica dependendo de agência. Na realidade, até carona em trator eu peguei e foi tranquilo.

Como se vestir?

Os turcos não tem restrições quanto à vestimenta, porém, é importante ressaltar que como respeito à religião e costumes locais, ao entrar nas mesquitas, os visitantes usem calças compridas ou saias longas, e as mulheres devem cobrir os cabelos. Na maioria das vezes eles disponibilizam lenços na entrada.

É perigoso para mulheres?

Quanto ao assédio dos homens: nada grave, mas acontece. De qualquer forma, não me senti intimidada ou incomodada andando pela Turquia. Quanto à Istambul, por ser uma cidade grande, recomendo os mesmos cuidados que temos aqui no Brasil, por via das dúvidas.

O que fazer por lá?

Tive a oportunidade de conhecer Istambul e a Capadócia, e aqui vão algumas dicas do que ver por lá.

Istambul

A cidade é dividida entre o Ocidente e o Oriente, entre a Ásia e a Europa, entre o Islã e o Império Bizantino.

Ayasofya – é o edifício mais emblemático da história de Istambul. Foi construído entre os anos 527 e 565 pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla. Já foi igreja católica, mesquita, e hoje é um museu. É gigante, e em seu interior é possível ver o contraste entre imagens católicas e símbolos muçulmanos ocupando o mesmo local. Faz as pernas da gente tremerem!

Mesquita azul – É a segunda atração mais impressionante da cidade, e fica bem em frente  à Ayasofya, de propósito: foi construída estrategicamente justamente para rivalizar com aquela que já foi uma igreja, reafirmando o poder do islã sobre o catolicismo. É legal visitar as duas no mesmo dia e fazer a comparação.

Palácio de Topkapi – É um impressionante palácio em que os sultões de antigamente moravam. Há uma ala que guarda um tesouro um improvável: mechas da barba de Maomé – vale a visita! rs Além disso, há um harém que pode ser visitado. A visita guiada faz a gente se transportar para aquela época.

Cisterna da Basílica – Pra quem ama Dan Brown como eu, não pode deixar de ver! Sem dar spoiler, ali acontece uma parte importantíssima da história fictícia do livro Inferno”. É impossível estar lá e não sentir a aflição passada no livro.

Visitar e pechinchar no Grand Bazaar, passear pela Avenida Istiklal, ver o Bósforo, andar pelo bairro turístico de Sultanahmet… tem muita coisa pra fazer.

Capadócia

Antes de qualquer coisa: não deixe de fazer o passeio de balão! Não é barato, verdade. Mas vale cada segundo e centavo. O melhor é negociar diretamente lá. Fechei com o intermédio do pessoal do hostel.

Visite a Derinkuyu Underground City, uma cidade subterrânea usada como habitação e esconderijo pelos povos que já dominaram a região. caminhe pelo  Ihlara Valley.

Passe também pelo Love Valley, ou Vale do Amor, que tem esse nome devido às formações rochosas em formato de pênis (hahaha).

A Turquia é um país encantador, religioso, místico e muito interessante. Acredito que uns 15 dias de viagem por lá não sejam o suficiente para conhecer tudo. Seu povo é acolhedor, gosta de conversar (especialmente sobre futebol) e a gastronomia é muito rica: desde comidas bem exóticas aos “turkish delights” (doces deliciosos) vendidos no Gran Bazaar. É uma verdadeira viagem sensorial, com certeza terei que voltar algum dia.

Espero que gostem e que as dicas te inspirem a conhecer esse país incrível!

Teşekkür ederim 🙂

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