In The Streets: Toofly – A Queen B dos anos 90

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A grande e querida Toofly representa a cena feminina do graffiti na década de 90. Nessa entrevista, ela fala sobre sua história e do que um verdadeiro artista é feito, com estilo e boas habilidades.

The great and gorgeous Toofly represents the female scene from the 90’s. In this interview, she talks about her story and what are the important things to be a real artist, with style and skills.

Você representa a cena feminina “novaiorquina” dos anos 90. O que você pode me falar dessa época? Como era a experiência de ser uma mulher do graffiti naquele tempo?

Em primeiro lugar, não existia internet naquela época e era difícil encontrar livros que falassem sobre o tema. Isso era bom porque tudo que a gente criava era original. Nós possuíamos apenas o trabalhos dos amigos para observar na rua e nos inspirar. Eu cresci na “Era de Ouro” do Hip Hop e era um momento especial para música e arte. Eu estava vivendo em uma cidade culturalmente diversa com uma cena incrível e e cheia de atitude e energia no graffiti. Antes da “street art” um grupo de artistas do stencil e que pintavam com pincéis vieram para Nova York e criaram o seu espaço. A vida antes deles era mais crua e verdadeira. Como uma mulher crescendo nesse meio, eu me desenvolvi com inteligência e independência sobre a rua. Você ganha respeito com suas habilidades e não por usar uma mini-saia que mostra a sua bunda enquanto pinta! Era um tempo diferente e você carregava sua história com integridade.

You represent the New York 90’s female scene. What can you tell about that time? How was the experience of being a woman from graffiti in those times?

First of all there was NO INTERNET, and hardly any books to look at about graffiti. This was a good thing because whatever we created at the time was ORIGINAL. We had each other’s work to look at on the street and get inspired. I grew up during the golden era of Hip Hop. This was a special time for music and art. I was raised in a culturally diverse city with an amazing graffiti street energy and attitude. Before “street art” and a bunch of little brush and stencil artists came to this city and built their condos. Life in New York back then was raw, and true. As a female growing up in this environment it made me tough, street smart, and independent. You gained self respect for your skills, and not for wearing a cute little outfit to show off your ass while you paint. It was a different time, you carried yourself differently and with integrity. 

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Como você criou a assinatura Toofly? O que esse nome representa para você?

Esse apelido foi dado pelo meu primo. Surgiu para representar várias coisas, acima de tudo representa um sentimento em ascensão como um voo em alta velocidade.

How you discovered the name Toofly, what does it represent to you?

The name was given to me by my cousin. It has come to represent many things, most of all a sense of rising up to higher levels and of a fast flight.

TOOFLY_06Hoje em dia podemos ver mais garotas pintando na rua. O que você pode dizer da cena feminina quando você começou em comparação com os dias de hoje?

Não existiam muitas. Quando eu surgi em público pela primeira vez, com o meu trabalho usando latas de spray, eu conhecia apenas a Lady Pink e sua amiga Muck. No meu bairro, no começo dos anos 90, haviam 2 meninas do bomb que pintavam a Linha 7 de trem, Jakee e Ms Mags. Eu não conhecia ninguém mais.

Today, we can see more girls painting on the streets. What can you say about the female scene comparing the time you started and now? 

There wasn’t many. When I first went public with my street aerosol work in 2002 I only met Lady Pink and her friend Muck. In my neighborhood in the early 90’s there were 2 bombers that hit the 7 line train. Jakee and Ms Mags. I didn’t know of anyone else.

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Você criou um projeto chamado Younity, o que você pode falar sobre ele?

Eu comecei a pintar com meninas em 2003 e começamos a colaborar umas com as outras em exposições e murais em diversos bairros. Começaram a nos chamar para eventos sobre as meninas do hip hop em diversas partes do país e achamos que era o momento de usarmos um nome em conjunto. Eu coloquei o nome do coletivo de Younity e como um time produzimos exposições, murais, workshops educacionais para a juventude de cidades do interior.

You founded a project called Younity, what can you say about this for us?

I began painting with women aerosol artists in 2003 and we began to collaborate on doing exhibits, and productions in various neighborhoods. We were invited to Women in Hip Hop events throughout the country and felt it was time to come together under one name. I named the collective Younity and with a team we began to produce exhibitions, murals and education workshops for inner city youth. 

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Deixe uma mensagem para as grafiteiras brasileiras, que se inspiram no seu trabalho e estão começando ou querem melhorar os trabalhos feitos na rua.

Melhore suas habilidades e trabalhe duro para ser original. A internet deixa as coisas mais fáceis e as pessoas tendem a copiar o estilo de outro artista. Você não vai ganhar respeito com isso e suas ideias e habilidades não podem crescer se você não “sair da caixinha”. Muitos artistas copiam o trabalho de outros e é muito fácil de detectar. Isso degrada a qualidade do seu trabalho.

Can you leave a message for the brazilian female that are inspired by your work and are starting or improving their work on the streets?

Improve your skills, and work hard to be an original. The internet makes it very easy for you to copy someone else style. You will not get respect for that, and your skills and ideas will only improve if you step outside the box. Too many artists try to copy another artists work and it’s very easy to spot and it downgrades the quality of your work. 

TOOFLY_04Entrevista por Bela Gregório | Fotos: Arquivo da artista

 

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Uma fotógrafa que também escreve e pinta muros por ai. Apaixonada pela cidade e todas as formas de dialogar com ela, Bela respira arte e vive a rua todos os dias da vida. Acredita que produzir novas inspirações de dentro para fora é a melhor maneira de extrair a essência de si mesma. Afinal de contas, a vida sem criação perde a forma certa para ela. Nos horários livres, enche a mala de latas de spray e caminha sem rumo pela São Paulo cinzenta. Entre projetos que fervem na cabeça, criou o Coletivo Efêmmera, dedicado à falar sobre as mulheres na arte de rua do Brasil e do mundo.

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