V Fórum de editoração – Cotidiano e teoria
domingo, novembro 1st, 2009Acordar cedo em um sábado de final de semana com feriado prolongado não é nada legal. Mas quando se trata do dia escolhido para a realização de um fórum em que profissionais, pesquisadores e estudantes da área editorial, se encontram em quatro mesas para discutir e refletir a respeito do aprendizado acadêmico e a prática no dia a dia de diferentes segmentos do mercado de comunicação social; com toda certeza, vale a pena sair da cama.
Cheguei atrasado, como sempre. Mas esse atraso não atrapalhou. Na verdade o início do evento passou do horário marcado pois os organizadores – alunos do curso de editoração da ECA-USP – acrescentaram algumas cadeiras no auditório porque não imaginavam que o número de pessoas seria superior a 80 (capacidade física do pequeno auditório do MASP); sendo assim degustei um maravilhoso capuccino e fui prestigiar a primeira mesa.
Editor: Sabe o que faz ou faz o que sabe?
Paulo Werneck (editor literário da Cosac Naify) sustentou que um editor por ter os pés na formação material e intelecutal, pode ser comparado a um arquiteto. Maria José Rosolino (coordenadora do curso de Produção Editorial da Universidade Anhembi Morumbi) completou dizendo que um editor é um arquiteto generalista, mas com domínio em todos os processos editoriais.
A maior dificuldade do mercado é formar novos leitores. O papel não só do editor, como de todos profissionais envolvidos na criação, é conquistar aqueles que não se interessam pelo seu produto. Sendo assim, batendo todas suas experiências acadêmicas e profissionais no liquidificador, o editor por estar preparado, sempre saberá o que fazer.
Coffee-break e mais um capuccino acompanhando a travessa de pão de queijo.
Na segunda mesa fui rever todo o meu preconceito contra o marketing, afinal de contas, temos que entender a grande dissônancia existente entre o mkt editorial e os editores de texto e arte. O que me deixou surpreso foi saber que realmente precisamos deles, e eles de nós. Temos que ser unidos, por mais que seja difícil. Nossa união resultará na resolução do problema dos clientes ao comprar um livro. Mas, qual é o problema do cliente que compra um livro? Se ele comprou um livro, seja técnico, acadêmico, romance ou fictício; ele precisa de algo e espera que esse produto preencha o que ele procura. Dessa maneira, o marketing junto com a equipe editorial tem por obrigação apresentar da melhor maneira possível, a resolução do problema do cliente com o seu produto.
Meu preconceito não acabou por inteiro ao ver que marketeiros comparados com editores, não tem tanta dinâmica e desenvoltura com as palavras. Mas ok, um desconto. A função deles é vender, né? Desconto para as piadas também: “Editores são escritores fracassados” ou “Como um editor se suicida? Sobe no estoque e pula!”.
Fim do primeiro tempo e vamos passear na avenida mais importante de São Paulo. Adoro todo o choque cultural, mendigos pedindo esmola para empresários gringos na frente do McDonalds com funcionários que não sabem falar a língua local por falta de instrução e blá blá blá…
… O que tinha de sabaroso, tinha de óleo. Pensei ao degustar meu segundo risólis de queijo daquele buteco da augusta. A coca esquentando enquanto eu corria sentido MASP para a primeira mesa do segundo horário: Políticas públicas para o livro e a liberdade editorial.
Fiquei chocado com os números apontando que a população brasileira lê durante 5,2 horas por semana e em média, 4,7 livros por ano. E que 18,4 horas semanais são gastas pelos brasileiros diante da televisão. Vocês sabiam que 90% das escolas públicas do Maranhão e 50% das de São Paulo, não tem biblioteca? Números esses que me tirou do foco e rendeu em alguns pensamentos estranhos… agora entendo os funcionários do McDonalds.
No último coffee-break optei por um cházinho. Na verdade, o risólis gorduroso mandou um abraço. Estamos na reta final do fórum e aguardo ansiosamente para saber mais sobre as tendências da editoração no Brasil.
Vivemos em uma época aonde tudo acontece. O livro está em metamorfose num processo dinâmico e os profissionais estão em defesa da propriedade intelectual. Com certeza, o produto impresso (livro ou revista) não vão deixar de existir, falando sobre a vinda dos e-books. Assim como os discos de vinyl, o livro será ítem de colecionador, pois mesmo produzido em baixa escala, se for bom, venderá. Quem ama cuida. Não há nada tão belo quanto o contato entre a pele humana e o papel, o cheiro, o tato… Mas quantos livros você lê por ano mesmo? Um Kindle possui 240 mil títulos disponíveis para compra através do site da Amazon. Mas quantos lívros um brasileiro lê por ano? Por isso eu ainda acho que o livro continuará a ser nosso grande e fiel amigo. E como é bom estar presente onde tudo acontece!
Um parabéns para os alunos do curso de Editoração da ECA-USP pela organização e realização do evento. Mandaram muito bem!
Vejo vocês no VI Fórum de Editoração.
