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Porque e desde quando a cracolandia existe? Apesar do “landia”, a craco é mesmo um lugar? Se isso importa, qual a droga mais consumida por lá? Será que é o crack mesmo? O que fazer para acabar com a cracolandia? Ela precisa acabar porque? Incomoda pela mazela social ou pela localização central? É caso de saúde pública ou segurança? Quem lucra e quem perde com a cracolandia? Porque o nome rotulado afasta da percepção que existe pessoas e histórias de sofrimento ali presentes? E se isso acontece, porque insistimos nessa forma de situa-la?

A cracolandia como fenômeno social tem um papel funcional muito bem definido, onde alguns atores se beneficiam muito dela, inclusive aqueles que “querem seu fim” e, também, tantos outros que perdem com isso. Citaria a especulação imobiliária, mas principalmente, os próprios usuários ali presentes, agentes sociais e de saúde, na difícil inclusão da promoção de cuidado efetivo para as pessoas que estão ali sem acesso a ofertas de projeto de vida e muitas vezes sem parâmetro de oportunidades.

Sim, estar na cracolandia também é uma escolha, dentro de um contexto que os levaram estar ali, entretanto, não deixa de ser uma decisão que não nos cabe julgamento, porém entendimento sobre a situação.

Na cracolandia há pessoas!

Parece tão óbvio dizer isso, mas na região da Luz, ali na já famosa rua Helvétia e tantos outros pontos da região, na cracolandia há pessoas sim e são sujeitos de direitos, resultado de demandas geradas pela falta de Estado. Pessoas em situação de rua, com questões de saúde mental, em vulnerabilidade social extrema, exposições diversas com riscos à saúde, desempregados, dependentes químicos, sem alimentação, sem moradia, sem renda fixa, vínculos afetivos rompidos… Dizer que a droga é a única questão a ser debatida ali presente chega ser de uma leviandade sem igual, por má informação ou má intenção.

A cracolandia nada mais é do que uma lente de aumento no fracasso da política sobre drogas vigente no país, uma fotografia da má distribuição de renda, nas políticas de moradia, na geração de emprego e tantos outros sucateamentos da coisa pública.

Ela é intocável, diferente dos “nóias”! Confuso isso, mas é real. A cracolandia em conceito, como retrato da falta de políticas voltada a questão das drogas é, de fato, blindada, porém as pessoas que a compõe não são. Vale lembrar que há centenas de “cracolandias”, de “alcoolandias” ou qualquer outra forma de assim denominar ou rotular fenômenos sociais sem solução aparente, como transferência da falta de capacidade e má gestão sobre uma problemática complexa que é o tráfico de drogas (no debate sobre legalidade x ilegalidade) e o uso abusivo de substâncias psicoativas, além das demais necessidades já citadas.

Sobre sociedade, que as pessoas continuarão a usar drogas, isso é fato! Aqui inclui quem continuará a tomar aquela cerveja no final de semana, aquele vinho no jantar, a maconha pra relaxar, a troca de receita do Rivotril “só pra dormir” ou o whisky envelhecido com ou sem gelo. A questão é se haverá trabalho e renda pra isso, se as pessoas terão um teto, se caso precise de algum tratamento pelo uso indevido ou abusivo, se será pautado em reais necessidades, não pelo viés moral e assistencial, mas se será ofertado cuidado com o desejo da pessoa, construído com ela e por ela.

A cracolandia como “nicho de oportunidades”!

Temos na cracolandia a oferta de “pessoas produtos”, é triste porém real, que geram demanda local e concentrada, um “nicho de mercado”. Tanto para o tráfico de drogas, como na busca ativa pra diversas comunidades terapêuticas, que visam o lucro ao oferecer esse tipo de “cuidado”.

A repressão policial a mando do Estado, sobretudo em ano eleitoral e com viés midiático, também tem apelo sensacionalista que promove para o pleito, de forma estratégica, figura conservadora A ou B para um público que clama por medidas higienistas. Há também as ONGs e coletivos que fazem um trabalho de contraponto, levando cuidado em meio a um cenário de descaso.

Pouco se fala do número elevado de pessoas que fazem uso de álcool na região e não somente de crack, de novo a questão legal e ilegal presente nessa narrativa. Estamos diante da falta de efetividade geral e histórica, onde houve poucos momentos de avanços significativos desde a década de 1990 e nenhuma ação resolutiva que transformou histórias ali presentes, sem práticas relevantes ou políticas públicas intersetoriais que alcançassem as necessidades daquelas pessoas (e das de fora da cracolandia também na mesma necessidade).

É um ciclo paliativo frente a desigualdade social como resultado desse sistema que impulsiona as pessoas à vulnerabilidade, onde vemos na política sobre drogas a criminalização da pobreza e não oferta de cuidado.

Já se perguntaram de onde as pessoas que estão na cracolandia vieram? Porque permanecem (juntas, inclusive)? O que precisam? Quais são as necessidade reais ali presentes? Suas histórias de vida? Seus sonhos? Se sonham ainda? Enfim, a palavra “cuidado” aparece muito nesse texto, justamente porque aparece pouco na cracolandia. O Estado se fez presente nesse sentido? Na busca por não encarar a cracolandia como uma “coisa”, mas como um fenômeno social, com demandas de saúde, com pessoas e seus contextos de vida variados em um ambiente sem garantias e vulnerável, com histórias de sofrimento e violações?

Internação, repressão policial, cuidado em Redução de Danos e o viés moralista: O que vemos e temos na cracolandia?

Pra começar, a Redução de Danos é um conjunto de ações éticas com objetivo de diminuir impactos negativos (físicos, sociais e econômicos) resultados pelo uso abusivo de álcool e outras drogas, de acordo com a singularidade de cada pessoa. Ou seja, para cada sujeito, estratégias diferentes. Vale esse lembrete, pois ela quando citada (erroneamente), tende a ser descontextualizada da sua prática ou rotulada de forma pejorativa, justamente por se constituir como política pública e diretriz de cuidado, não estando atrelada ao mercado lucrativo da saúde privada.

Historicamente, tivemos momentos de grande efetividade sempre citados quando falamos da Redução de Danos mundo a fora, vale o resgate:

– Reino Unido em 1920: Médicos realizaram monitoramento de pessoas em uso abusivo de morfina e heroína, propondo tratamento substitutivos em consideração ao agravo de saúde da retirada abrupta do uso;
– Holanda em 1970: Ações de troca de seringas para drogas injetáveis e o impacto na redução de casos de contaminação por HIV/AIDS na época;
– Em1989, no Brasil: Troca de seringas em Santos com o mesmo objetivo do feito na Holanda, também atingindo o mesmo sucesso na queda de contágio por HIV/AIDS;
– Somente em 2003, no Brasil houve a inclusão como diretriz de cuidado em política pública…

Ações estratégicas e singulares, insumos, trabalho, moradia, saúde e educação, Redução de Danos como recorte de classes, a não criminalização do uso de substâncias psicoativas, “aceitação” social do uso pelo viés legal/ilegal e não pelos possíveis danos biopsicossociais, esses são alguns pontos a discutir na atual conjuntura e que direcionam possíveis caminhos para ações efetivas na cracolandia. Pois, se nossos governantes insistirem na ideia que a repressão policial trará solução pra vida daquelas pessoas, estarão (mais uma vez) completamente enganados e a prova é justamente a manutenção dela. Ouso dizer que, enquanto a política, crime e segurança estiverem co-relação na sociedade, haverá cracolandias e muito mais “landias” por aí a fora.

Mas, terminando aqui com uma reflexão, uma provocação na verdade: Se existe um mercado lucrativo de internação (in)voluntária aos dependentes químicos nas comunidades terapêuticas, se há justificativa de investimento do Estado na polícia com efetivo e artefatos (armas, bombas, frotas, etc), se há manutenção do tráfico e os famosos acordos, se ali há necessidade periódica de ações para atender o clamor popular e alavancar campanhas políticas, se há necessidade de “vender” segurança paralela aos comerciantes da região, se há justificativas e interesses na manutenção de todo esse contexto, vocês acham mesmo que o objetivo é “findar” com aquela situação? Lembrando que, no sistema capitalista a manutenção da desigualdade é justamente estratégica, a não-solução é a própria solução pela razão de existir em seus objetivos, na relação explorador e explorado. Se a cracolandia existe, é porque querem que ela exista e nosso sistema desigual é a melhor razão e intensão por sua manutenção sem ofertas resolutivas. Na verdade, não existe “cracolandia”, existe “lucrolandia” e tudo que gira em nossos sistema que gera esse tipo de cenário complexo e caótico, mas com o dinheiro no radar, deveria ter esse nome pejorativo para criminaliza-lo de forma real e assertiva.

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Sobre o autor

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Thiago Almeida é educador social. Bacharel em Comunicação Social, especializado com pós graduação em planejamento estratégico e Gestão integrada. Militante antimanicomial, ativista social e da política de redução de danos. Membro do Fórum Popular de Saúde Mental do ABCDMRR. Redutor de danos com vivência e estudos em países latino-americanos. Atua na saúde mental com criança, adolescente, adultos e pessoas em situação de vulnerabilidade social há aproximadamente 10 anos. Dedica-se à pesquisas, leituras e práticas pautadas em Saúde Pública, nos Direitos Humanos e na clínica psicanalítica voltada ao Acompanhamento Terapêutico, somado a multidisciplinaridade do audiovisual para fins terapêuticos (fotografia e cinema).

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