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Alguns artistas, de época em época, chegam para renovar a cena musical com tamanha personalidade que é inevitável que não se desperte a curiosidade que culminará com a aceitação daquilo apresentado como novo. É o caso de Annie Clark, multi-instrumentista e compositora americana de 29 anos, nascida em Dallas e conhecida pelo nome artístico St. Vincent.

Annie começou a tocar guitarra ainda criança e na adolescência foi roadie na banda do seu tio, Tuck & Patii, excelente instrumentista que veio a influenciar a jovem e há alguns registros pela internet de Tuck Andress, onde podemos perceber sua técnica se comparada à da sobrinha. Annie Clark estudou música na Berklee College of Music e em uma entrevista falou:

“Eu acho que com a escola de música e escola de arte, ou na escola, sob qualquer forma, tem que haver algum sistema de classificação e medição. As coisas que eles podem ensinar-lhe são quantificáveis. Enquanto tudo o que é bom e tem o seu lugar, em algum ponto você tem que aprender tudo que puder e depois esquecer tudo o que você aprendeu, a fim de realmente começar a fazer música “.

Nota-se o quanto a formação para ela era importante mas, de alguma forma, sendo uma artista com uma intenção de ser original, logicamente teria que seguir seu caminho como artista que não pensa em limites ou se conforma com o que aprendeu. Nessa época Annie e outros estudantes lançaram um EP. Anos depois ela se juntava a turnês com artistas como Polyphonic Spree e Sufjan Stevens.

Em 2006 iniciou  a produção de seu primeiro EP solo, Paris Is Burning. Foi o ponto de partida de sua característica como compositora para os álbuns oficiais que lançaria conseqüentemente.

Seu primeiro álbum de estúdio foi Marry Me (2007), onde Annie mostrava seus dotes de compositora que a caracterizam e selecionando músicos para acompanhá-la, como o baterista Brian Teasley do Man or Astro-man? e The Polyphonic Spree, o trompetista, também Polyphonic, Louis Schwardron e, Garson Mike, pianista que tocou com David Bowie. Um belo álbum de estreia, cheio de lirismo nas composições e arranjos de instrumentos variando entre a ternura e a loucura. Pianos, violinos, coral de vozes fazem deste álbum uma agradável surpresa. Para se ouvir no repeat.

O segundo álbum, Actor (2009), traz uma Annie mais visceral mas, não menos bela. O álbum teve ótima repercussão na mídia musical alternativa. Com letras instropectivas e composições menos usuais, ela nos leva para seu mundo que no fim nos satisfaz, pois percebe-se o quanto ela vai dominando seu instrumento pincipal, a guitarra, que se desenvolveria de maneira gigantesca em seu próximo álbum.

Strange Mercy (2011) é uma overdose de genialidade. Annie faz de sua guitarra mais do que um instrumento para tocar, há ali uma carga de emoção e sentimentos que a própria definiu à época da composição do álbum, ter passado por momentos complicados na vida. Causa estranheza num primeiro momento, principalmente se o ouvinte já conhece os álbuns anteriores. Melancólico, raivoso, não perdoa o ouvinte, caçando-o, mas para o seu deleite.

A artista em seus shows tem se mostrado absurdamente profissional. Annie se entrega no palco para o delírio da plateia com sua performance visceral, encantando com sua voz em contraponto com a vasta gama de possibilidades sonoras que ela alcança com a guitarra. Tem-se impressão que os outros músicos que a acompanham e que ela escolhe conforme novo trabalho, que são muito competentes, estão degraus abaixo e, como uma deusa grega, além do poder de sua criatividade, banha-nos aos olhos com sua beleza. Zeus que não fique com ciúmes, pois Annie toca mais do que ele. Inspiradora, não há como definir seu estilo.

Abaixo dois momentos de performances ao vivo:

– Tocando Marrow em 2009:

– E uma apresentação mais recente, produzida por sua gravadora 4AD, onde ela toca na seqüência Chloe In The Afternoon, Surgeon, Strange Mercy, Year Of The Tiger; do novo álbum:

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